sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCV)

Um dos grandes sucessos  de Simon & Garfunkel  foi esta Mrs Robinson, tema do filme "The Graduate"
Boa noite!

Os Avençados ( Em actualização)


Bastou a ministra da Justiça corroborar, durante uma entrevista,  a interpretação que Joana Marques Vidal fez de uma Lei há mais de um ano, para os avençados do costume virem a terreiro defender a PGR, acusar o governo de querer correr com ela ( por causa do Sócrates, como não podia deixar de ser…) e descobrirem que a final a Justiça portuguesa está a funcionar maravilhosamente.
Eu sei que os avençados do costume precisam de inventar casos quando eles não existem, porque é a chafurdice que lhes garante as avenças e a sobrevivência mediática.
Não deixarei porém de registar, para memória futura, que os avençados do costume apreciam uma justiça que promove julgamentos na praça pública, mas se remete ao silêncio e se refugia no segredo de justiça, quando há indícios de  que alguns dos seus agentes poderão ter sido coniventes em casos como o das adopções ilegais da IURD.
Os avençados do costume consideram que a justiça funciona às mil maravilhas quando as  pessoas são presas para serem  investigadas,  os processos prescrevem ou são arquivados por erros processuais.
Quando os avençados do costume estiverem sob suspeita de crimes durante anos e desesperarem porque a comunicação social diariamente divulga dados dos seus processos,  talvez mudem de opinião e lamentem a morosidade da justiça.  
Se, noutras circunstâncias, um juiz mandar em paz um incendiário que lhe destruiu os haveres, ou um violador de uma familiar for condenado com pena suspensa, os avençados do costume talvez reajam com indignação.
Até ao dia em que se tornem protagonistas de um caso em que, por qualquer razão, se sintam injustiçados, os avençados do costume continuarão a dizer e/ou escrever que a Justiça funciona porque acusou meia dúzia de poderosos ( com Sócrates à cabeça, obviamente…), embora até agora ( e em alguns casos passaram já tantos anos…) não haja nenhuma truta condenada. É tudo arraia miúda, importante no bairro em que alguns avençados se movem, mas com pouco peso no mundo dos influentes e poderosos.
É por isso que  os avençados do costume me fazem lembrar o Pai Natal. Só os tansos é que acreditam que eles opinam sem segundas intenções. 
Em tempo: Joana Marques Vidal não detectou irregularidades nas adopções da IURD

Obrigado!



Eu sei que há  "Dias de" para tudo e para todos, mas em cada ano que passa aprendo sempre mais alguns que, normalmente, me deixam surpreso.
Ontem foi Dia  Internacional do Obrigado.  Dispenso-vos das explicações para a consagração deste dia internacional. Quem quiser saber faça como eu e pesquise no Google.
Não posso é deixar assinalar o retrocesso, em termos civilizacionais,que a consagração deste dia representa. 
Em primeiro lugar, porque é um dia marcadamente sexista. Devia ser Dia Internacional do OBRIGADO e do OBRIGADA, para não causar fricções na geringonça e ser politicamente correcto.
Ainda sou do tempo em que "Obrigado" era uma palavra corriqueira, utilizada por pessoas com um mínimo de educação  para exprimir agradecimento.
Desde pequenino fui ensinado a agradecer quando me ofereciam um presente, ou era alvo de um acto de simpatia por parte de alguém. Mesmo quando entrava numa loja com a minha Mãe, os/as empregados/as agradeciam e  nós  respondíamos com o "Obrigado/a" polido.
Hoje em dia, se abrir uma porta para deixar passar alguém, ceder o lugar nos transportes públicos a uma pessoa que precisa mais do que eu, parar o carro  quando um peão atravessa a rua fora da passadeira, raras vezes ouço uma palavra ou vejo um aceno de agradecimento. Neste último caso, o mais normal é mesmo receber um coro de buzinadelas dos condutores que seguem atrás de mim.  
Abrir a porta para deixar passar alguém é ( quase sempre) encarado pelos outros como uma obrigação, o que me leva a ser sarcástico e dizer eu "obrigado" e, quanto aos transportes públicos, os mais jovens já não oferecem os lugares aos mais velhos. Pelo contrário, disputam os lugares com eles.
De qualquer modo, o que mais me impressiona é oferecer um presente a um jovem e ser normalmente a Mãe que agradece, sendo raros os jovens  que se dignam "sujeitar-se" a ter de agradecer. 
Os jovens hoje em dia não agradecem, por uma razão muito simples: consideram que têm direito a tudo o que querem e os adultos têm a obrigação de lhe dar.
Eu sei que a culpa não lhes pode ser assacada por inteiro, pois na maioria dos casos são os pais que os desobrigam do agradecimento, porque se acham pais muito modernos e consideram a boa educação uma maçada, ou coisa de betinhos.
Talvez esteja a ser bastante "cota" e vos tenha feito perder tempo com este arrozoado. Se assim foi peço desculpa e... OBRIGADO por terem tido paciência para lerem este desabafo até ao fim.