terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Abraço de urso



Pudesse eu decidir e hibernava durante o mês de dezembro. Infelizmente os Humanos não me deixam soltar o urso que vive dentro de mim, pelo que sou obrigado a arrastar-me penosamente durante mais de um mês, fingindo circunstancialmente partilhar da alegria plastificada que  a maioria das pessoas exibe.
Consigo, apesar de tudo, escapar à febre consumista que se apodera dos Humanos durante a época festiva. Ao contrário da maioria não me esfalfo a devolver ao patrão, com juros, o subsídio de Natal que generosamente  me oferece, mediante a condição de ser todo devolvido em produtos e serviços adquiridos em lojas apelativamente enfeitadas.
Cada ano com mais esforço, resisto a desejar as Boas Festas com cartõezinhos electrónicos muito tecnológicos, mas desprovidos de afecto,  e  cometo a proeza de enviar, PELO CORREIO, meia dúzia de postais de boas festas onde escrevo MANUALMENTE algumas palavras. Infelizmente são cada vez menos os cartões de Boas Festas que recebo ( este ano só recebi UM!), mas não será por isso que desprezarei as velhas tecnologias e correrei a abraçar a chegada de um robô que enviará as Boas Festas por mim.
Este ano consegui manter-me saudavelmente afastado  das notícias durante quase todo o mês de Dezembro, pelo que estou a léguas do que se vai passando pelo mundo desde que ocorreu aquele que- presumo- tenha sido o último escândalo a mobilizar as redes sociais em 2017: o caso RARÍSSIMAS.
E assim cheguei ao dia 2 de Janeiro, dia em que finalmente respiro de alívio e brindo ao regresso da maioria das pessoas à quase normalidade.
Escrevo QUASE, porque durante a primeira semana do ano ainda são visíveis resquícios de Natais e Réveillons que se esfumam apenas quando as ruas deixam de estar ornamentadas e os bolos rei, rabanadas e correlativos desaparecem das montras e das mesas dos lares portugueses.
De qualquer modo, apesar do desconforto que Dezembro me traz,o meu maior desejo para 2018 é conseguir sobreviver, confortavelmente, ao mês de dezembro que, inapelavelmente, encerrará  o novo   ciclo de 365 dias que ontem se iniciou.
Se assim for, no dia 2 de Janeiro de 2019, aqui estarei novamente a suspirar de alívio por ter ultrapassado, sem danos irreversíveis, mais uma quadra natalícia.