quarta-feira, 9 de maio de 2018

Uma greve indecente!



Há dias, escrevi  este comentário num post do António:
"Os trabalhadores da saúde têm um compromisso com os doentes que é traído com as greves. Mas isso justifica que sejam proibidas? Sinceramente, ainda não cheguei a uma conclusão definitiva".

Hoje, ao ver uma reportagem sobre a greve no IPO, que impediu a realização de diversas cirurgias oncológicas, comecei a formar uma opinião.
Já aqui defendi a greve dos trabalhadores da saúde, cujas reivindicações me parecem justas mas, quando ouço um responsável do IPO dizer que algumas dessas cirurgias eram curativas e o seu adiamento poderá ter consequências graves para os doentes, começo a sentir uma coisa a subir dentro de mim.
É fácil concluir que o atraso dessas intervenções cirúrgicas poderá ter efeitos irremediáveis para alguns doentes oncológicos por isso, só um mentecapto pode defender a irresponsabilidade.
Já ouvi dizer que a questão se solucionava com a imposição de serviços mínimos. Talvez... mas isso em nada altera a minha opinião: a greve de trabalhadores da saúde que ponha em risco a vida de UM- APENAS UM- doente é uma greve criminosa.
NADA- ABSOLUTAMENTE NADA- justifica uma greve quando se põe em causa a vida de seres humanos. E o trabalhador de saúde que coloca vidas em risco,está a trair os compromissos com os doentes por cuja vida jurou lutar até ao limite.  Devem, por isso, ser tratados como aquilo que realmente são.

13 comentários:

  1. "quando ouço um responsável do IPO dizer que algumas dessas cirurgias eram curativas e o seu adiamento poderá ter consequências graves para os doentes, começo a sentir uma coisa a subir dentro de mim."

    Isto ouviu o doente no diagnóstico,já não è por uma greve, as listas e o tempo de espera de espera é devem ter consequências graves.
    Sem ovos ,por mais que se esprema o pouco que há, não se fazem omeletes

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    1. Então, com a greve, resolve-se o problema das listas de espera e devolve-se a saúde a quem a perdeu irremediavelmente, porque não foi operado no momento certo. Estou esclarecido. E muito mais descansado, obviamente...

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  2. Se há sector onde defendo a requisição civil, SEMPRE, é a saúde.
    Nada justifica afectar aqueles que já sofrem com a doença.

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    1. Há pessoas que pensam que uma greve é mais importante do que uma vida, Pedro. Nada a fazer.

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    2. Bea, quando li o seu comentário fui-me embora para não dizer aquilo que estava a pensar. Então a menina, não houve as notícias e depois, como se vivesse num mundo ideal, num jardim supracelete, vem defender uma classe, que tem sido ao longo dos anos uma das mais privilegiadas? Uma classe em que os professores doutores com fama tinham a sua cátedra num hospital, onde tinham também um gabinete privada para darem consultas particulares a preços de ouro. E se algum desgraçado precisasse era operado nesse hospital público, com todas as mordomias, mas quem pagava éramos nós. Outros que pedem licença sem vencimento, vão ganhar fortunas para os privados, e depois reformam-se quando quiserem, porque todo o tempo conta para a reforma, para além daqueles que trabalham nos hospitais e nos seus consultórios, com preços que querem, quando um qualquer desgraçado, reformado público, não pode exercer qualquer outra função, mesmo que fosse pro bono e ainda tinha de suportar despesas de deslocação se as tivesse. Olhe fico-me por aqui porque já desabafei um bocado e se quiser saber mais o Google é um bom professor para quem o souber consultar... Até encontra lá toda a legislação e até reformas que cada um tem, entre outras coisas. Não sei se visitava o nosso blogue quando a andorinha me pediu para encontrar o fora-de-lei, porque queria que ele lá fosse, mas não respondia às mensagens. A única coisa que ela sabia ´+e que ele se chamava João. Pois nos dis seguintes eu disse-lhe que já o tinha intimado a comparecer (eu sei os motivos que usei, eram lícitos) e até lhe disse que até sabia o peso dele... e era verdade , só não digo como soube. :)Basta apenas não andar na lua para sabermos o que
      quisermos!

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    3. Ainda me esqueci de dizer e é importante, que nos privados, esses médicos, ou muitos deles, têm uma quota mínima de exames que são obrigados a pedir aos seus pacientes. um dia fui ao Hospital da LUz a um senhor otor...que não me encontrando, razão para as minhas queixas, moveu as suas influências internas e fui logo atendidida por outro senhor Neurologista (claro que isto tudo a pagar), que me receitou os exames da praxe (três dos mais especiais e vulgares). No outro dia sem eu ter pedido ligaram-me do Hospital que era para eu marcar os exames. Eu disse que não estava interessada depois de perguntar qual a razão de tal telefonema. Um desses exames tinha feito há muito pouco tempo e os outrs se quisesse tenho sítios especiais onde os faço. Não precisava de voltar outra vez para LX.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. As greves agora só são feitas poe elites. Os médicos que sempre foram uma classe privilegiada por tinham sempre emprego garantido, criaram um número clausus reduzido, com médias astronómicas de acesso como se um bom médico fosse um marrão rato de biblioteca. No tempo do mixomatoso com medo dos cortes na reforma, saíram e foram trabalhar para os privados e deixaram milhares de pessoas sem médico de família. Agora até o Hospital privado de Carcavelos, diz que tem consultas de medicina familiar, só que para alguns. Três que já foram meus médicos estão lá todos. Só devo a minha vida, por enquanto a uma, mas sempre fez clínica privada (além de ser consultora) e não tem acordos com ninguém de espécie nenhuma. Apesar disso se ainda estou viva também o devo a mim, porque os médicos já me tinham matado com o que cada um receita sem saber o que outros receitam e fico-me por aqui...

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    1. Pessoalmente não tenho grandes razões de queixa, mas este meu calvário nos últimos 3 anos tem-me demonstrado que o SNS está em vias de extinção.

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  5. Desconheço o motivo da greve dos médicos mas suponho que a greve seja um direito de todos. E também que, em alguns lugares, particularmente melindrosos deve prevalecer o bom senso. E não sei se as ditas filas de espera para cirurgia não matam mais que dois ou três dias de greve.

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  6. Esta situação incomoda-me de tal maneira que não consigo raciocinar a ponto de fazer um comentário não ofensivo.
    Isto é demais, Carlos!

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