quarta-feira, 4 de abril de 2018

O Direito à greve



As greves dos trabalhadores dos transportes causam sempre grande transtorno e embaraço às populações. Eu não sou excepção, mas o transtorno provocado na minha vida é infinitamente pequeno, se comparado com dois  casos que conheço de pessoas ( uma é vagamente minha familiar) que foram despedidas por terem faltado ao trabalho, cuja única culpa foi não terem meio de transporte alternativo para se deslocarem. 
Eu compreendo que as pessoas se revoltem com esta situação mas, em vez de acusarem os trabalhadores em greve, seria mais justo que descarregassem no patrão, pelo  carácter filho da puta que revelou. 
Pessoalmente, considero tão grave o  despedimento de uma trabalhadora grávida, como o de um trabalhador que não compareceu ao trabalho por não ter meio alternativo para se deslocar, mas a experiência mostra que o despedimento de uma mulher grávida tem muito mais impacto noticioso. Prioridades...
Voltando ao tema do post, lembro aos leitores que o direito à greve é a única arma que os trabalhadores têm para defender os seus direitos , quando a via do diálogo com a entidade patronal se esgotou porque o patrão é surdo ou, simplesmente, um cabrão que ainda trata os trabalhadores ( ou colaboradores, para os esclavagistas modernaços)como  mercadoria.
Não fora o direito à greve e o patronato já teria reduzido os trabalhadores a hordas de famintos dispostos a trocar a sua força de trabalho por uma côdea de pão. 
Como qualquer arma, a da greve também deve ser utilizada apenas em legítima defesa e não como arma ofensiva. 
Eu sei que é irressistível a  tentação de  considerar o actual surto grevista, como uma arma de arremesso usada pelo  PCP em período pré-eleitoral, mas é justo  reconhecer que, exceptuando o sector da Educação, o direito à greve tem sido geralmente utilizado com  ponderação 
Creio, no entanto, ter uma explicação que  ultrapassa a   das  seculares ambições partidárias de Mário Nogueira: o líder da FENPROF é um exemplo emblemático de que nem sempre as armas estão em boas mãos e são um perigo quando caem nas mão de gente irresponsável.
Sem querer ofender Mário Nogueira, considero que a sua irresponsavbilidade não é suficiente para eu estabelecer uma relação inequívoca entre as greves e os interesses políticos do PCP. Isso só acontecerá no dia em que Ana Avoila sair a terreiro reclamar aumentos incomportáveis para a função pública e, ao fim da primeira reunião aparecer diante das câmaras a anunciar uma greve geral da função pública ( tendo ou não ao seu lado Mário Nogueira).

Notas finais:
1- Em França, os trabalhadores do sector ferroviário anunciaram 2 dias  paralisações  em cada 5. 
2- Não incluí nas excepções a Auto Europa porque, além de já me ter pronunciado sobre o assunto, penso que merece ser tratado á margem deste post.

2 comentários:

  1. Penso não estar errado ao afirmar que ninguém pode ser despedido com justa causa por não ter comparecido ao trabalho por falta de transporte, a não ser que acumule uma absurda soma de faltas não justificadas.
    É chamar a entidade patronal á barra dos tribunais e reclamar a indemnização de direito, quiçá a readmissão.

    Infelizmente a desproporção de forças leva muitas vezes á tirania.

    Quanto a greves tenho e sempre tive por principio não participar porque não concordo com as regras da greve, e porque nos famigerados tempos dos piquetes de greve de estudantes vi muitas atitudes de grevistas que são aviltantes e castradores da vontade.

    É um bocado como as praxes, nunca admiti ser praxado, nem nas Forças Armadas, o direito á determinação individual é inalienável.

    No entanto as greves são uma forma de luta justa quando a via do bom senso e do diálogo não são suficientes para mediar um conflito laboral, e devemos muito do que são os direitos dos trabalhadores aos sindicatos e suas acções.

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    1. Está certo, Chakra, mas também é proibido despedir grávidas e há patrões que o fazem. enho uma colega jornalista, por exemplo, que passou por isso.
      Também vi muitas cenas nos meus tempos de estudante mas, talvez por ter sido antes do 25 de Abril, esses comportanmentos não me desmobilizaram. Fiz poucas greves na vida, porque trabalhei durante muitos anos em instituições internacionais,mas também só concordo com elas quando há bom senso. Por isso, discordei da greve da Auto Europa, por exemplo...

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