domingo, 1 de abril de 2018

Bibó Porto (79)






O nome  Cunha está ligado à minha infância. Localizada nas imediações da também emblemática Capela das Almas é indissociável de festas de aniversário, baptizados e casamentos.
Naquele tempo, as festas de aniversário de muitas famílias eram realizadas em casa, mas o serviço ( naquela época ainda não tínhamos sido colonizados pelo catering) era encomendado a uma pastelaria da cidade: Confeitaria do Bolhão e Confeitaria Cunha eram as mais solicitadas

Não me lembro da Padaria Cunha (fundada em 1906), mas lembro-me  do sr Costa que reservava sempre algumas guloseimas para mim e para os meus amigos
É nos anos 70, quando a Cunha abre um espaço na Rua de Sá da Bandeira, que  começo a frequentá-la. Na altura já não vivia no Porto, mas sempre que lá ia em fim de semana ou em período de  férias, a Cunha era visita obrigatória.
O snack bar, cujo espaço foi criado pelos arquitectos  Vitor Palha e Bento d'Almeida rapidamente se tornou o espaço mais emblemático da cidade. Era o primeiro restaurante snack bar da cidade e muitos o equiparavam ao lisboeta Galeto. Incluindo os actores  das companhias da capital que depois das actuações no Sá da Bandeira  iam lá cear.
José Luís Nunes, um conhecido deputado do PS, chegava a meio da tarde com uma enorme resma de jornais do dia e por ali ficava horas intermináveis.
Quando trabalhava no JN, muitas vezes ia lá comer ao fim da noite e na Páscoa, era lá que ia buscar o pão de ló de Margaride que, para quem não saiba, informo ser o melhor do pais.
Há dias, soube que a Cunha pode encerrar em breve. Espero que não seja verdade mas, se for, que tenha o mesmo destino da mítica "A Brasileira" que reabriu há duas semanas e estou ansioso por revisitar. 


3 comentários:

  1. Antes de ser convidado a ingressar n´Os Lysos passava por lá aos fins de tarde... dias a fio

    Se fechar, fica a memória
    o que, convenhamos
    é pouco

    Porto deixará de ser um pouco
    um bom porto

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  2. Pareceu-me um bom lugar. Mas, além das lojas chinesas que se multiplicam, o Portugal do comércio é de subtracção diária.

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  3. Como eu também gostava de ir ao Galeto cear depois de algum espectáculo. Sobre o pão de ló não me pronuncio porque, para mim, comida é tudo o que me mata a fome.
    Antes de ler o último parágrafo já estava a pensar no desfecho e na resposta. É só pedir a mais um senhor do futebol, tipo sr. Oliveira, que ele resolve o problema. Não lhe faltaram milhões para se meter numa aventura assim. talvez lhe tenham sobrado dos empréstimos que fez a bancos, amigos, sem juros, e que não pagou nada. Eu sou uma das vítimas. Os bancos agora estão mal, mas o futebol está a dar muito e sempre deu. Sim porque o dinheiro que desapareceu dos bancos não foi queimado, está nalgum lado. E a toda a hora pode aparecer um mecenas que salvará a sua história, sobretudo no Norte. E ninguém lhes pergunta donde veio o dinheiro. Talvez o sr. espergueira saiba dalguma coisa.

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