quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Indignações poluídas




No Verão passado os portugueses indignaram-se ( justamente) com os incêndios que devastaram o país, lamentaram as mortes e, incapazes  de admitirem que, para além das condições atmosféricas, também eles tiveram responsabilidade directa na tragédia, reclamaram a demissão de uma ministra.
Por estes dias, muito se tem falado da poluição no Tejo. Desinformados, cépticos ou críticos em matéria de legislação ambiental, não se apercebem que o desastre ambiental que está a afectar o nosso maior rio pode ter consequências bem mais catastróficas para o país do que os incêndios.
Como não há perda de vidas humanas e desconhecem todas as implicações das descargas,  os portugueses insurgem-se contra as empresas que as fazem, mas não pedem a demissão de um ministro do ambiente que é co-responsável pelo que se está a passar.
É bom não esquecer que foi este governo que autorizou, em 2016, que as celuloses triplicassem o volume das descargas no Tejo.
É importante recordar que todos os partidos votaram contra uma proposta do Bloco de Esquerda que pretendia o corte drástico das descargas ( Agora, depois de casa roubada, todos estão de acordo...) 
Os jornais do costume, como o  Esterco da Manha, também não dão relevo ao desastre ambiental no Tejo, nem põem as redes sociais a bombar na amplificação da indignação, porque.... bem... deixo à vossa  perspicácia a explicação para este estranho e cúmplice silêncio.

10 comentários:

  1. Não é difícil de adivinhar. Tem o rabo preso.
    Abraço

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  2. Jornais? Ainda temos disso?
    E jornalistas, dos bons, daqueles que não se limitam a seguir a voz do dodo, onde estão?

    Gostava de saber a quem interessa este tipo de situações, a poluição ambiental e outras.
    Quer dizer, desconfio que sei mas saio a correr antes que chame uns quantos nomes a uma certa malta que vive à conta do mal dos outros.

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    1. Claro que sabes, António, mas em caso de dúvida aconselho a leitura do comentário do chakra indigo

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  3. Parece-me que grassa uma inconsciência nunca vista. Pergunto-me a cada nova desgraça como é possível que deixem coisas destas acontecerem (que deixemos). Como é que uma geração inteira não pensa em quem vem depois de nós, não pensa nos peixes mortos e em tanta decorrência que ainda não se enxerga, ou não é desejável que se enxergue.

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    1. Começa a ser cada vez mais difícil varrer para debaixo do tapete estas monstruosidades, Bea.
      Acredito que venham a ser tomadas medidas, mas o tempo que se perdeu e os estragos que foram provocados por tanta negligência são irreparáveis.

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  4. O MST pôs o dedo na ferida - as celuloses são MUITO poderosas.

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    1. Não pode haver poder nenhum que se sobreponha ao interesse público, Pedro. E é lamentável que o Estado tenha medo de agir contra esses interesses, tornando-se co-responsável pelos efeitos supervenientes dos atentados ambientais que estão a ser cometidos neste país.

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  5. O Esterco da Manha, como bem diz, tem como accionistas principais Paulo Fernandes e o Engº Borges, do Grupo Cofina, e a Altri, cuja industria de celulose foi a responsável por (mais) esta descarga, tem como accionistas principais quem?

    Vá lá saber-se porquê, existe a coincidência de serem os Engº Paulo Fernandes e Borges.

    Meras coincidências, que lembram o púlpito de que certas personalidades beneficiam e abusam nos canais de televisão onde falam de tudo e mais alguma coisa, menos dos casos mediáticos e escandalosos de que as suas actividades beneficiam - o caso de Miguel Judice é apenas uma amostra, como pode um representante de instituições e pessoas que lesaram gravemente o País andar na TV qual esponja milagrosa a lavar actos irresponsáveis?

    É o País que temos!

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  6. Ora bem, Chakra Indigo. É assim mesmo, com nomes escarrapachados que eu gosto.Só faltam os nomes dos governantes que pactuaram com estes desmandos.

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