segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Era uma vez... no Metro




Há uns anos, antes de os telemóveis, tablets e smartphones se terem tornado extensões do nosso corpo, era frequente ver pessoas a ler um livro nos transportes públicos.
Já em plena era tecnológica, os livros foram sendo substituídos por jornais gratuitos como o Metro, o Destak e outros.
Entretanto os jornais gratuitos desapareceram e a normalidade passou a ser passageiros grudados nos ecrãs. Ora a trocar mensagens, a jogar ou a navegar na Internet, as pessoas viajam alheadas do que as rodeia, mergulhadas no mundo que brota das mini pantalhas. São cada vez mais raros os passageiros que transportam um livro, ou um jornal e aproveitam o percurso para ler algumas páginas. Eu sou  um dos resistentes e não entro num transporte sem levar alguma coisa para ler. 
Há dias viajava entre a Quinta das Conchas e o Rato embrenhado na leitura de um livro de Mário Vargas Llosa que há muito tempo aguardava a sua vez.  A páginas tantas comecei a ouvir um diálogo e um vozear estranho. Levantei os olhos para tentar detectar a proveniência, quando deparo com dois jovens ( um rapaz e uma rapariga)  de livro na mão. Os dois  partilhavam a leitura de um livro e comentavam qualquer coisa de forma entusiástica. Não sei se a construção das frases, se um breve trecho... Como não consegui identificar o livro, apurei o ouvido para ver se apanhava alguma pista. Ao fim de alguns segundos percebi que se tratava de um livro de Haruki Murakami ( Homens sem Mulheres)e consegui mesmo identificar a história a que se referiam. Tendo em consideração  a temática do conto, não me admirei que a discussão fosse animada. E bem disposta.

Lamentei que tivessem saído no Saldanha, pois gostaria de ter sabido quem levaria a melhor. 
Numa próxima oportunidade vou escrever um post sobre este conto, para conhecer as vossas reacções.
Por agora fico com a imagem de dois jovens no Metropolitano,  agarrados a um livro e em animada conversa sobre ele. Gostava de presenciar cenas destas com mais frequência...

1 comentário:

  1. Esses dois jovens devem ser encarados pelos outros como seres de outra galáxia.
    Ainda há esperança!

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