segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Bruno de Carvalho e a IURD






Quando rebentou o escândalo das adopções ilegais da IURD, Edir Macedo  impôs aos seus seguidores um jejum de notícias.
Não me lembro de ouvir uma condenação do Sindicato dos Jornalistas ao apelo de boicote feito por  Edir Macedo
Lembro-me, porém, que aquilo que parecia ser apenas uma medida para impedir  os crentes  de acompanharem a par e passo os desenvolvimentos do caso das adopções ilegais, colocando em causa a actuação e a credibilidade do líder da seita religiosa, teve desenvolvimentos e consequências inesperadas. Poucos dias depois  da proibição decretada por Edir Macedo, surgiu a notícia de que Joana Marques Vidal, a PGR incensada pela direita, teria responsabilidades no caso, por não ter  mandado encerrar o lar ilegal.
Nos dias seguintes ficou a saber-se que o caso ficava em segredo de justiça e nunca mais se ouviu falar do assunto.  Edir Macedo, com a colaboração da Justiça, conseguiu silenciar os jornais e obter uma importante vitória.
No último sábado, numa jogada ao estilo da IURD, Bruno de Carvalho pediu aos seus fiéis que não comprassem jornais desportivos, não  vissem televisão, ( excepto a Sporting TV) e recomendou aos comentadores que abandonassem os programas televisivos em que participam.
Bruno de Carvalho terá pensado que os comentadores são propagandistas da Fé sportinguista e os adeptos do SCP fiéis cegos e acéfalos, como os das seitas religiosas.
Num primeiro momento  até parecia estar a pensar bem pois, de imediato, alguns adeptos sportinguistas agrediram jornalistas, seguindo o exemplo dos fiéis da IURD que, em tempos, tiveram a mesma reacção com os jornalistas que divulgaram notícias comprometedoras sobre Edir Macedo.
O apelo de Bruno de Carvalho não deverá ter mais consequências.  Os comentadores ( com excepção de Manuel Fernandes) decidiram permanecer  nos programas onde debitam opiniões e os bispos, perdão, figuras influentes e de grande importância no Sporting CP, em vez de se solidarizarem com o comandante, como fizeram os bispos da IURD,  criticaram o apelo feito por Bruno de Carvalho.
Como se tudo isto não fosse suficiente até o Sindicato dos Jornalistas, que se remetera ao silêncio no caso da IURD, veio agora pedir aos órgãos de comunicação social uma posição unânime de condenação ao apelo de Bruno de Carvalho.
Fica assim provado que apesar de o fanatismo clubístico e religioso terem muitos pontos em comum, as estratégias de combate aos “inimigos” das colectividades não podem confundir-se.
Salvo se Bruno de Carvalho tiver , como Edir Macedo, um trunfo na manga para obrigar a comunicação social a calar-se…

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