quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Breve crónica sobre a estupidez humana




Um autocarro com turistas sobe a Avenida da Liberdade. A determinado passo do percurso, o condutor  é obrigado a desviar-se para a  berma. para fugir a um outro veículo. Alguns ramos das árvores são arrancados, os turistas que viajam no piso superior (descapotável)  são atingidos e 13 ficam ligeiramente feridos.
Não foram ainda apurados os responsáveis pelo acidente, todos os turistas estão em perfeitas condições de saúde, prosseguindo as suas férias, mas já há um culpado: a árvore!
Num processo sumaríssimo, a câmara de Lisboa mandou cortar a árvore ( provavelmente acusada de não se ter desviado do autocarro) e agora ameaça retirar competências ao presidente da junta de freguesia de Santo António, por não  cuidar devidamente  da manutenção das árvores na Avenida da Liberdade.
Como o presidente da junta é do PSD e o da câmara  do PS, prevê-se uma longa discussão com litigâncias de má fé de permeio.
Entretanto a pobre árvore, alheia às querelas e sem culpas no cartório, foi privada da vida pela impiedosa mão humana, numa sublime manifestação de estupidez.
As árvores continuam a não ter voz mas, ainda assim, continuam a morrer de pé

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Poema das Árvores

    As árvores crescem sós e a sós florescem

    Começam por ser nada. Pouco a pouco

    se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.



    Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,

    e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.



    Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,

    e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,

    e os frutos dão sementes,

    e as sementes preparam novas árvores.



    E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.

    Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.

    Sós.

    De dia e de noite.

    Sempre sós.



    Os animais são outra coisa.

    Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,

    fazem amor e ódio, e vão à vida

    como se nada fosse.



    As árvores, não.

    Solitárias, as árvores,

    exauram terra e sol silenciosamente.

    Não pensam, não suspiram, não se queixam.

    Estendem os braços como se implorassem;

    com o vento soltam ais como se suspirassem;

    e gemem, mas a queixa não é sua.



    Sós, sempre sós.

    Nas planícies, nos montes, nas florestas,

    A crescer e a florir sem consciência.



    Virtude vegetal viver a sós

    E entretanto dar flores.


    António Gedeão

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  3. Cortar a árvore??
    Então quando os carros batem na auto-estrada fecha-se a auto-estrada???
    Está tudo doido!

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  4. Excesso de velocidade, they said.
    E a árvore sem culpa nenhuma :)

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