terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

As mulheres vêm equipadas com um órgão da mentira?




Quando escrevi sobre essa cena, prometi-vos que um dia viria aqui explicar porque adivinhei o conto que eles estavam a ler e lançar-vos um desafio.
O conto do livro "Homens sem Mulheres", de Haruki Murakami, intitula-se "Um órgão independente".
(Haruki Murakami esclarece que se trata de um conto real com personagens reais, pelo que lhe deve ser dado o consequente crédito)
A personagem central é o doutor Tokai  que um dia terá exposto a Murakami uma deveras interessante teoria sobre as mulheres.
Diz o autor que Tokai que todas as mulheres nascem com um órgão independente concebido para mentir. Passo a citar ( sublinhados meus):
" Quanto ao tipo de mentiras, em que circunstâncias mentem e como o fazem, varia de mulher para mulher. Mas todas mentem quando chega a hora, sobretudo tratando-se de assuntos sérios. Também mentem sobre problemas de lana caprina como seria de esperar mas, acima de tudo, não hesitam em contar uma peta em assuntos da maior importância.E quando isso acontece a maioria não muda de expressão nem de tom de voz. Porque não são elas que mentem: é o órgão independente que mente por sua alta recreação. Daí que a mentira- salvo raríssimas excepções- não lhes pese na consciência nem as impeça der dormir um sono tranquilo".
Os leitores já terão percebido a razão de a conversa entre os jovens ir extremamente animada. Ora, para animar um bocadinho a caixa de comentários do CR, sugiro-vos que dêem a vossa opinião sobre a teoria do doutor Tokai.
Suspeito, também, que algumas daquelas mulheres de preto que se dizem vítimas de assédio sexual tenham recorrido ao auxílio daquele órgão, para esconder que foram elas a propiciar o assédio através da sua actuação Pessoalmente, confesso já ter sido vítima desse "órgão independente" em diversas situações
Se algum leitor quiser partilhar a sua experiência de vítima desse órgão, esteja à vontade. A caixa de comentários é sua.



13 comentários:

  1. Ou o post é muito recente ou os leitores estão a pensar que episódio escolher por terem resmas deles.

    Sendo mulher, digo-lhe, se elas tanto mentem e tão injustiçados são os homens - porque, embora não o diga no post, está visto que é a eles que mentem -, por que carga de água não as deixam da mão?! Elas sobrevivem sem eles. Pode crer (pelo menos os queixinhas são dispensáveis).

    Por outro lado, dá que pensar - se acaso for verdade o que diz. Vamos supor que sim, que existe um orgão feminino e independente que mente. Pergunto, é inato, ou adquire-se por contacto com o mundo. Sendo por contacto com o mundo, quase jurava que seja defesa, jogo de adaptação ao mundo das eminências masculinas. Sendo inato, lamento, mas não pode culpá-las.
    Mas o que escrevo pouco conta e provavelmente isto é mais uma carga de mentiras. Os homens são uns santos mártires, vivem num mundo de poder feminino a contragosto e elas desenfreiam. Como dizia uma velhota que Deus tem e espero que não deslargue, "eles são um malho nas mãos delas".

    Quanto ao assédio: acredito que também haja mulheres a valer-se dele, actos de vingança que não as qualificam; também haverá as que assediaram e agora afirmam o inverso. Casos que só contribuem para o ruído à volta do que vale a pena ilustrar, a relação desleal e mesmo vil entre um homem e uma mulher. Mas, caro senhor, num mundo onde o poder é em grande maioria masculino e onde a beleza feminina campeia, será tão difícil reconhecer que têm razão as queixas e houve jogo sujo?!
    Não me parece.

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    1. Eu gostava de lhe responder às questões pertinentes que coloca, Bea, mas se bem reparou a teoria não é minha, mas sim do doutor Tokai ( citado por Murakami) Daí que tenha feito a proposta que está no post :-)
      O mais importante, porém, era explicar aos leitores a razão de ter adivinhado o conto que o jovem casal ia a ler naquele dia.

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    2. Bom eu entendera o subentendido do doutor e nem vejo grande diferença. Pode ter sido um tiro ao lado, mas animei -ligeiramente - a caixa de comentários:).

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    3. Ainda bem, Bea, porque eu tinha ficado com a impressão que pensava que a afirmação era minha. ;.)

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  2. A mentira pode ser piedosa, compulsiva, patológica, como meio de sobrevivência, não consciente, por deturpação e até por transmissão de uma falsa verdade. Dispenso-me de dar exemplos por serem óbvios.

    Existem diversos estudos psicológicos que demonstraram que mesmo as pessoas honestas mentem uma vez em cada 8 minutos - (como ex.estatística de um estudo da UC, Dr.Gerald Jellison ), outros que dizem que o Ser Humano mente várias vezes ao dia, muitas vezes sem ter noção de que o faz, ou através das chamadas mentirinhas ou mentiras piedosas, onde o que se pretende é criar satisfação em alguém ou evitar situações constrangedoras ou ofensivas - olha, vou mudar a secretária de lugar porque ali apanho mais sol é melhor que, olha, vou para ali com a minha secretária porque não aguento mais o teu mau hálito.

    A criação de falsas memórias e suas consequências também corroboram estes estudos.

    Embora a mentira tenha origem nos primórdios da humanidade, tendo a sua génese no Jardim do Éden, não me parece que se possa teorizar sobre um órgão exclusivamente feminino, perverso e autónomo, quase fazendo lembrar o célebre ponto G, de que uns ouviram falar e outros ousaram explorar :-)

    Mais uma acha para a fogueira - o psicólogo Robert Feldman, da Universidade de Massachussetts, fez um estudo envolvendo 242 estudantes, em que as participantes do sexo feminino mentiam em suas conversas com desconhecidos visando sobretudo proporcionar um maior bem-estar a seus interlocutores.
    Os colegas do sexo masculino, ao contrário, mostraram-se interessados em promover a própria imagem.

    Lembrei-me assim de repente de uma frase não sei de quem - "a mão que embala o berço é a mão que comanda o mundo".
    Que tem a ver com o assunto?-Nada!

    Mas talvez sirva para compreender a necessidade da criação de tal peregrina teoria.

    PS_ O Papa Paulo IV afirmou certa vez - O mundo precisa de ser iludido.Pois que o seja, então. Não será uma benção á violação do 8º mandamento?

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    1. Concordo com o papa Paulo IV, ainda que desconheça o sentido que quis dar à frase. Mas a realidade é demasiado crua para ser levada sem fantasia. Não é a objectividade que nos faz sobreviver inteiros.

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    2. "não me parece que se possa teorizar sobre um órgão exclusivamente feminino, perverso e autónomo, quase fazendo lembrar o célebre ponto G, de que uns ouviram falar e outros ousaram explorar :-)"
      Adorei esta parte, Chakra.

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  3. Tenho para mim que esse órgão independente tem também versão masculina. O doutor Tokai é que ainda não investigou completamente a questão.
    :)

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    1. Completamente de acordo, Luísa, mas o Murakami caiu que nem um patinho. Mas teve uma vantagem o jovem casal do Metro não foi o único a travar uma animada conversa sobre o tema. Como aqui se demonstra ( apesar de o CR ( por minha exclusivaculpa) ter deixado de ser aquele espaço animado de troca de opiniões. Gostei muito de a ver por aqui

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  4. Quero assinar o comentário da luisa.
    Se fossem só elas...

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    1. Claro que não são só elas que mentem, Pedro. Em defesa do Murakami, que ambos apreciamos muito, saio em sua defesa para sugerir que talvez ele se referisse à exclusividade do órgão, atribuindo ao homem a tendência inata para mentir :-)

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