segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Um cavalo na Cidade Proibida





Emmanuel Macron foi a Pequim e levou um cavalo para oferecer a Xi Jinping.
É pouco provável que algum dia um qualquer escritor europeu replique “A Viagem do Elefante” de Saramago e escreva um romance  sobre a “Viagem do Cavalo”. 
Embora alguém dotado de  alguma perspicácia possa descortinar  similitudes entre a embaixada de D. João III a Viena e a viagem de Macron a Pequim, o bom senso obriga a reconhecer que  os tempos são muito diferentes e a viagem, embora muito mais longa,  foi feita de avião e com toda a gente a dormir – o que obrigaria a uma grande dose de imaginação para resumir as peripécias em meia dúzia de páginas.
É no entanto forçoso reconhecer que a viagem de Macron a Pequim revelou um grande sentido de oportunidade do presidente francês.
Aproveitando a indefinição governativa em Berlim e a incógnita do Brexit, Emmanuel Macron foi dizer a Xi Jinping que (pelo menos por agora) é ele o dono da bola europeia. Deu especial enfoque às questões ambientais- sem perder a oportunidade de mandar um remoque a Trump-  e, obviamente, concretizou muitos negócios aproveitando a brecha aberta por vários países europeus( Alemanha incluída) com a questiúncula sobre a compra de empresas de sectores estratégicos por parte de empresas chinesas.
Macron não se limitou a conquistar  pontos na área económica e diplomática.  Procurou conquistar  Pequim também através da estratégia dos afectos. Por isso apresentou “credenciais” falando em mandarim  e divulgou mesmo um vídeo onde está a aprender a pronunciar as palavras  em mandarim.
A oferta do cavalo insere-se nessa estratégia.  Quando Xi Jinping visitou Paris,  não se cansou de enaltecer  os 104 cavalos que o escoltaram.  Alguém tomou boa nota disso e transmitiu a Macron, que decidiu presentear o presidente chinês com um cavalo do corpo de elite francês. Nunca tinha sido feita uma oferta igual, mas Macron sabe como é importante para os chineses a linguagem dos afectos para  “embrulhar” bons negócios.
Enquanto recebia o cavalo, ao líder chinês não terá escapado o olhar firme que Macron dirigia para Berlim em jeito de aviso a Merkel:
"Estou em Pequim a conquistar os chineses e, simultaneamente, em Roma, a reunir com os países do sul. A UE falará a uma só voz, mas acabou o tempo em que a Alemanha escrevia o discurso e os outros assinavam por baixo".

7 comentários:

  1. Digam o que disserem se este homem tivesse nascido noutra época talvez fosse um De Gaulle em ponto pequeno. Embora não represente muito para a China ele vai fazendo o seu trabalho de estadista. Espero que fique na História por ter consigo ajudar a fazer qualquer de bom nestes tempos conturbados.

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    1. Devo reconhecer que me tem surpreendido muito positivamente pela sua sagacidade e perspicácia.

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  2. Caro Carlinhosamigo

    Não preciso de dizer mais nada: estou 278%... e acordo contigo. E mais não digo.

    Abração do teu amigo
    Henrique, o Leãozão

    ____________

    Há bastante tempo que não venho ao CRÓNICAS DO ROCHEDO pois dentro das diversas e graves maleitas que já conhecesses (filho da puta de ano!!!) desta feita coube-me a mim a chatice:baixei ao Hospital de Santa Maria com uma pneumonia agravada, (há virus e bactérias a esmo nem eu nem os médicos descobrimos qual foi o sacana) onde estive onze dias ao fim deles foi-me dado alta!!!!!

    PS - Faz uma visita com o correspondente comentário à NOSSA TRAVESSA pois já recomecei a postar, e o título do mais recente é De Almada à Disneylândia

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  3. E como é agora? A França dita e os outros assinam por baixo?

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  4. Macron teve uma jogada de mestre.
    E obrigou Merkel e Shulz a andarem depressa.
    Em Pequim, bem aconselhado, evitou os assuntos sensíveis.
    Chapeau!!!

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    1. Macron é o balão de oxigénio que a Europa estva a precisar. Como já escrevi, estou surpreendido.

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