segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Memórias em vinil (CCCI)




Tinha programado assinalar o regresso das "Memórias em Vinil" com canções de sucesso de 1968, por razões que a memória de "Um ano longe demais" justifica.
 No entanto, ao saber da morte de France Gall, não podia deixar de aqui trazer um dos sucessos da menina de Serge Gainsbourg.
Quando se fala de France Gall, logo nos recordamos de "Poupée de cire, poupée de son", a canção com que ela venceu o EuroFestival em 1965. 
Acontece, porém, que já  trouxe essa canção às Memórias em Vinil, pelo que optei por recordar uma outra canção. Que não terá sido um grande sucesso, mas que tem uma história que vale a pena recordar. Especialmente numa altura em que qualquer gesto, palavra ou acto, pode ser visto como assédio sexual, pedofilia ou perversão.
Vale a pena ver " o outro lado" de Les Sucettes ( Video abaixo) e imaginar  o que teria acontecido se em 1966 houvesse redes sociais.

Ao contrário do que muitos pensarão, France Gall não foi uma miúda loirinha e parva dos anos 60, símbolo do ye - ye. Bem pelo contrário... depois de conhecer Michel Berger a sua carreira ganha um novo rumo e as suas canções revelam um acentuado activismo.
Que viria a tornar-se efectivo na década de 90, depois de o marido  (Berger) falecer com um ataque cardíaco e, anos mais tarde, a filha perecer vítima de fibrose cística.
France Gall, que entretanto recebera a notícia de que tinha um cancro, abandona as canções e dedica-se a causas humanitárias. Torna-se um ícone em França, um símbolo de dedicação aos outros. Foi a morte da France Gall humana e solidária que a França lamentou ontem mas, a minha geração não pode esquecer o papel de musa inspiradora que Gall desempenhou em vários compositores franceses. E até em Frank Sinatra, como explicarei nas memórias de amanhã.


3 comentários:

  1. Esta mulher apesar do seu nível nasceu para ser infeliz. Não sei porque é que ela representou o Luxemburgo, já que era francesa. Até no dia do Festival da canção, em 1965, nessa tarde ela recebeu um telefonema do seu namorado a acabar o namoro. Namorado esse que era apenas Claude Francois. Segundo ela disse chorou no Festival não por ter ganhado mas porque estava triste. Teve o azar ou a sorte de ter conhecido Gainsbourg que era um nojento marginal, apesar do seu talento.
    Eu acredito piamente que ela não tivesse associado a letra ao que o vídeo sugere. Estamos a meio da décade de 60. Eu não sabia o que era. Quando se ia à ourivesaria comprar um alfinete de peito, pedia-se um broche. Ou serei eu que era uma saloia provinciana e só depois dos doze anos me lembro duma colega me ter falado em menstruação, coisa que eu não sabia o que era e ainda demorou tempo a acontecer. Quando isso aconteceu, anos depois, não disse a ninguém, fechei-me no quarto de costura e à máquina fiz o que precisava. só não conto como resolvia o resto do problema porque seria demais...

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  2. Li a notícia ontem logo pela manhã.
    Que repouse em paz porque sofreu um bom bocado em vida.

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  3. Depois do festival não voltei a ouvir falar dela. Mas ainda bem que foi uma pessoa positiva e que fez bem ao mundo.

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