quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

"E quando não houver Autoeuropa?"




Roubei  o título deste post ao Rui Tavares que hoje escreve um artigo no Público sobre esta questão.
O  ponto de partida  do artigo de RT é o encerramento da OPEL na Azambuja, para a qual ninguém estava preparado, mas o mote é a  Autoeuropa e o que acontecerá na península de Setúbal, quando a fábrica abandonar o país.
Vale a pena sublinhar  quando, porque a questão  não  é saber  se a Autoeuropa vai sair de Portugal ( a prazo  isso é uma inevitabilidade) mas se o país está preparado para as consequências quando isso acontecer.
Acreditar que a Autoeuropa vai ficar eternamente em Portugal é tão ingénuo como acreditar no Pai Natal.
Num mundo globalizado, acabou a sedentarização empresarial. As empresas, como as pessoas, adquiriram mobilidade e tornaram-se nómadas, mudam de estratégia ou de negócio (core business) e têm de se reconverter. A reconversão pode acontecer no mesmo país, ou obrigar a uma deslocalização. 
Qualquer país do mundo tem de encarar esta nova realidade e Portugal não é excepção, mas nem  todos os países sofrem o mesmo impacto económico com a deslocalização de uma empresa chave para a sua economia.
É sabido o enorme peso que a Autoeuropa tem no PIB nacional. Não só pelo volume de negócio, mas também  pelo número de empresas e empregos directos e indirectos que gera.
A nossa dependência  da Autoeuropa é muito elevada  Não podemos, por isso, deixar ao sabor do acaso, das circunstâncias voláteis da economia e do mercado automóvel, a eventualidade de uma deslocalização  da Autoeuropa.
É importante começar a  definir, desde já, uma estratégia para  a eventualidade de a Volkswagen encerrar as portas da Autoeuropa em Palmela. Estratégia que inclua  não só os trabalhadores da AutoEuropa e o espaço físico da linha de montagem, mas também os trabalhadores e indústrias que, à boleia  da Autoeuropa, ali se instalaram e cuja sobrevivência será inviável sem ela.
À guisa de conclusão, esclareço  que não relaciono o encerramento da Autoeuropa com a instabilidade laboral que se vive na fábrica de Palmela. Como já escrevi diversas vezes, a situação é deveras preocupante e pode mesmo ser determinante, no momento em que a VW lançar outro modelo mas, pelo menos por agora, encaro-a como uma inevitabilidade a médio prazo, sustentada nas razões anteriormente aduzidas.

 

11 comentários:

  1. Será inevitável, sim ! :( ... Estou de acordo !
    Já há 25 anos vi esse mesmo "filme" no Vale do Ave !

    Agora, que os sindicatos e as comissões sindicais estão a dar uma grande ajuda para acelerar o processo, disso também não tenho a menor dúvida.
    Nisso estamos em desacordo, Carlos ! :(
    Quando já for tarde para arrepiar caminho já será tarde demais !

    Abraço, Carlos .

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    1. Concordo ( e até o escrevi aqui há dias) que os sindicatos estão a esticar demasiado a corda e a enganar muitos trabalhadores, mas não será por isso que a Autoeuropa sairá de Portugal, Rui
      Abraço

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  2. Quando já não houver AutoEuropa, os "trabalhadores" e a sua comissão ficam muito contentes porque ficam com os sábado livres para estarem com a família bem como os restantes dias da semana... Que falta de sensatez!

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    1. O problema é que estão a arrastar consigo milhares de outros trabalhadores cujo posto de trabalho depende da Autoeuropa

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  3. Se há coisa que os partidos de esquerda não querem é os habitantes do distrito com pão na mesa regularmente.
    Estraga-lhes os votos ter pessoas empregadas e então há que destabilizar a coisa com uns rapazes estrategicamente lá colocados nos plenários.

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  4. O Rui deve ser um tipo porreiro e a Graça é uma amiga engraçada e, consigo, fazem um trio que tem por comum organizarem um conjunto de lugares comuns de uma maneira que pareça terem descoberto a pólvora... só que é pólvora seca... daquela que dá tiros chochos...

    Assusta? Um tiro mesmo chocho assusta muito!

    Pelo barulho!

    Já tinha vindo aqui há umas horas, depois dei-me ao trabalho de pegar em mim e ir ler os boletins internos da autoeuropa...

    e o que li é o suficiente para concluir que mesmo que a Autoeuropa deixe de fabricar carros... passará a fabricar drones... em Palmela... ou então quem morre é ... ela

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    1. Não sei se a Graça e o Rui têm a mesma opinião mas, pela minha parte, já há muito descobri que o Rogério é o mais inteligente e perspicaz do blogobairro. Assim uma espécie de grande educador da classe operária da blogosfera Só que desta vez, a novidade que nos traz, meu caro, baseia-se nos mitos que se vão adaptando aos tempos desde 1917, mas na essência,se mantêm tão ilusórias como então e só servem para utilizar os trabalhadores como carne para canhão. De qualquer modo, noto uma evolução modernista em relação ao discurso do Arménio Carlos. Ele fala de carros eléctricos e o meu amigo já vai em drones. Upa, upa! Daqui a nada nos virá vender a ideia de que a Autoeuropa ou fabrica robots em Palmela, ou está condenada.Infelizmente já não estarei aqui para lhe lembrar como o seu discurso só serve para iludir trabalhadores. Abraço

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    2. Obrigado pelo elogio.
      Tentarei manter tal prestigio.

      Entretanto a Autoeuropa vai fazendo o seu caminho e a Cortceira Amorim também segue por aí (turnos de 12 horas, é obra!)

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    3. O sindicalismo aí não funciona?
      Agora a sério Rogério. Não se sobrevalorize. Fica-lhe mal e eu até o considero uma pessoa relativamente esperta

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  5. Inevitável, concordo perfeitamente.
    Boa razão para começar a procurar alternativas para não acontecer um drama social de repente e sem ninguém estar preparado para tal.

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    1. Anda por aí muito boa gente que não aprendeu com o que se passou na Azambuja e continua a acreditar em gambozinos, Pedro

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