quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Memórias em vinil ( CCXCII)




Até parecia mal não trazer aqui a Madonna!Um desrespeito para esta nova lisboeta que tanto tem entusiasmado a nossa comunicação social, numa prova de deslumbramento parolo.
De qualquer modo, esta memória é incontornável, não é?
Boa noite!

Tão amigos que eles eram...

Há pouco via Mário Nogueira na televisão, com aquele ar alucinado que lhe é característico, a garantir que se o governo não satisfizesse as pretensões do seu sindicato traria 100 mil professores para a rua.
Foi então que me lembrei do tempo em que os professores eram despedidos aos milhares, convidados a emigrar, viam os salários reduzidos e a sua dignidade profissional achincalhada.
Nesse tempo,  era desta  forma amistosa que Mário Nogueira cumprimentava o pm responsável pelo período mais negro vivido por uma classe profissional que muito admiro e respeito.
Mário Nogueira faz-me lembrar aqueles prisioneiros que admiram o carrasco, mas insultam o advogado que se esforça por lhes reduzir a pena.
Sejamos claros: os professores perderam privilégios com o governo PSD/CDS e , legitimamente, pretendem recuperá-los. Não pretendam é voltar ao tempo em que eram promovidos mesmo sem dar aulas. Estavam nas bibliotecas das escolas ou em organismos públicos a fazer concorrência aos funcionários públicos e, muitas vezes, a impedir-lhes a progressão na carreira.

OE 2018: gato escondido com o rabo de fora




Deputados da oposição, especialistas da área económica, financeira ou da treta,   jornalistas e comentadores afectos a PSD, CDS e afins, têm tecido duras críticas a todos os OE do actual governo.
Nos dois primeiros anos diziam que os OE eram irrealistas, os objectivos não poderiam ser cumpridos e era inevitável um novo resgate. A realidade desmentiu-os com iniludível firmeza.
Cansados de falhar as previsões, os profetas da desgraça centram as críticas  ao OE 2018, no facto de condenar à indigência as gerações futuras, vítimas da tresloucada teimosia da geringonça em devolver salários e pensões que o governo PSD/CDS, com a prestimosa colaboração do então presidente da CE, Durão Barroso*,  roubou a funcionários públicos e reformados.
Confesso que fico desvanecido com a preocupação dos Pafiosos em relação às gerações futuras. Pena é que não bata a bota com a perdigota.
Com efeito, se a preocupação dos Pafiosos for genuína deveriam, antes de mais, exigir que fossem tomadas medidas que assegurassem uma efectiva preocupação ambiental, nomeadamente em relação ao  desenvolvimento e consumo sustentáveis, bem como no combate à desertificação do país.
Ora todos sabemos que as medidas tomadas pelo anterior governo nesta matéria foram sistematicamente perniciosas para a defesa do ambiente, dos solos e do território em geral.
Quero por isso alertar todos os que criticam o OE por não salvaguardar os interesses financeiros das gerações futuras, que não há razões para alarme.  Se a destruição continuar a este ritmo frenético, as gerações futuras terão que se preocupar com problemas bastante mais vitais do que a questão financeira.  Como a falta de água, por exemplo...
*Em tempo: para quem tem a memória curta, recordo que em 2013 Durão Barroso prestou-se a um papel miserável para ajudar o governo. Temendo um chumbo do Tribunal Constitucional a medidas como o corte dos salários e pensões, encarregou alguns funcionários da Comissão ( à qual presidia) de elaborar um relatório onde "acusava" o TC de se comportar como um "legislador negativo". O relatório questionava a idoneidade e isenção dos juízes. sugeria  que alguns estavam comprometidos politicamente com a oposição e terminava com a ameaça de um segundo resgate se os cortes fossem considerados inconstitucionais.
O TC chumbou os cortes e, quatro anos depois, não houve novo resgate, os salários e pensões foram restituídos, a economia está a crescer, o desemprego a baixar, a dívida a ser reduzida e o investimento externo a aumentar. As Cassandras, afinal, eram alcoviteiras ao serviço dos poderosos.

Um piriquito muito atrevido



Horácio Piriquito, ex-jornalista, é o mais recente exemplo da rede montada pelo SLB para recuperar o estatuto de clube protegido do sistema, que deteve durante o Estado Novo ( atenção benfiquistas: não me venham com a lenga lenga de que o Estado Novo até detestava o SLB por ser vermelho, porque hoje já me ri o suficiente).
O e-mail em que diz a Pedro Guerra que lhe manda um documento confidencial, que ainda nem sequer foi discutido na FPF, é bastante elucidativo sobre a forma como o cancro encarnado tem envenenado o desporto português. mas não só. Quem pensar que a acção dos dirigentes e capangas benfiquistas se restringe ao desporto está bastante enganado. Há quem deseje Berlusconizar a política portuguesa, dando ao SLB o poder que teve o Milan no tempo de Sílvio Berlusconni. As circunstâncias, de momento, são favoráveis, mas a qualquer pode haver um revés idêntico ao do Milan, que se eclipsou desde a saída de cena dos seu presidente e proprietário, que acumulava com as funções de primeiro ministro.