quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVII)



Calma aí! Só porque está a chover há três dias não precisam de ser pessimistas e acreditar no que estes tipos dizem. Boa noite!

Portugal ao espelho

Quando um povo acredita que pedir desculpa alivia a consciência ou apaga os erros cometidos, está a admitir que não aspira a mais do que viver num país medíocre.

Um divórcio anunciado


Eu escrevi várias vezes neste Rochedo que Marcelo Rebelo de Sousa iria romper com António Costa logo que Passos Coelho se pusesse ao fresco. 
O encontro com Teresa Leal Coelho no último dia de campanha eleitoral e, posteriormente, o almoço com Santana Lopes, foram sinais evidentes de que Marcelo estava prestes a romper com António Costa e já tinha aberto as portas do recreio para fazer as suas habituais traquinices.
Ficou provado a quem tivesse dúvidas  ( eu nunca as tive) que Marcelo nunca despiu a camisola laranja e as suas deambulações dos afectos pelo país são apenas uma faceta do seu egocentrismo.
Com o discurso de ontem à noite, MRS quis mostrar aos seus que nunca os abandonou. A dureza das suas palavras abriu uma crise política.
 Não deixa de ser curioso que um PR que sempre recusou crises e pediu estabilidade política, tenha sido o detonador dessa mesma crise. 
Alguns manifestarão o seu regozijo pela demissão da ministra mas, no fundo, todos sabem que não é uma mudança de caras que vai resolver o problema dos incêndios.
Segue-se uma moção de censura. Tendo em consideração que por estes dias se discute o OE, conclui-se que vem na melhor altura para Costa e na pior para BE e PCP. Nem é preciso explicar porquê, pois não?
Espero que todos estejam à altura do desafio que MRS lhes lançou. Ou o governo sai mais fortalecido e tem apoio da esquerda sem tibiezas, ou a geringonça desconjunta-se e, em pouco tempo, os seus destroços juntar-se-ão às cinzas dos incêndios.

Porque não te calas?




Com a lata, falta de vergonha e pudor que lhe são conhecidas, Passos Coelho veio pedir a demissão de António Costa.
O cobardolas  que  se escudou atrás da troika para  tomar medidas que separaram famílias,empobreceram os portugueses e mataram alguns à fome, vem dizer que António Costa não tem condições para continuar.
O javardo que inventou suicídios em Pedrógão, cortou salários e pensões depois de ter jurado que nunca o faria, vendeu o nosso património sem qualquer critério ou estratégia, vem dizer que António Costa já não merece a confiança dos portugueses. 
 É preciso não ter um pingo de dignidade na puta da vida para, depois de ter destruído o país, vir pedir a demissão de um primeiro ministro que devolveu a dignidade aos portugueses que trabalham ou vivem das suas pensões.
CALA-TE, PAL... Ou melhor. Continua  a falar, a dizer essas parvoíces porque estás a dar uma boa ajuda à geringonça.

Xi Jinping: he has a dream!



Começa hoje o Congresso do Partido Comunista  Chinês. Xi Jinping é uma das figuras com mais autoridade na China, desde  Mao Tse Tung, tendo alicerçado o seu poder na promessa (efectiva) de combater a corrupção que ameaçava minar o partido e, quiçá, o regime. 
Os meus amigos chineses ( e também muitos portugueses) irritavam-se muito comigo quando eu dizia que a pior desgraça que poderia acontecer ao mundo, era a China tornar-se um país democrático de modelo ocidental.
Xi Jinping pensa da mesma maneira e pretende que em 2049 a China se torne uma nação ainda mais rica e poderosa, com uma sociedade moderna e próspera onde a pobreza esteja erradicada, mas seguindo o seu próprio modelo. 
Tenho profundo respeito e admiração pela milenar cultura chinesa e é com muito orgulho que sou padrinho de casamento de amigos chineses, de cujas uniões resultaram frutos de que sou padrinho. Tenho assistido com muito interesse e algum enlevo à modernização da China, conseguida sem abdicar da sua identidade e cultura e  rejeitando subordinar-se ao modelo ocidental made in USA.
Esse é o desafio que Xi Jinping quer concretizar, sem grandes sobressaltos. Para tal, irá tentar quebrar várias regras de sucessão do poder, entre as quais a de que ao fim de 10 anos terá de abandonar o cargo. 
Dentro de dias ( não é possível dizer exactamente quando, porque os Congressos do PCC têm data de início marcada, mas não data de encerramento), saberemos se da reunião magna do Palácio do Povo na Praça de Tian An Men sai fumo branco para um sucessor de Xi em 2022, ou se há indícios de que o seu mandato se pode prolongar, quebrando assim as regras estabelecidas pelos cânones de Pequim.