quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXII)

Hoje convidei este par incontornável para me despedir de vós até amanhã.
Boa noite...sem brilhantina!

O Peido





Num dos muitos  espectáculos para que foi convidado, depois de vencer o Festival da Eurovisão, Salvador Sobral decidiu desafiar o público. Ainda lembrado do tempo em que era um ilustre desconhecido, com dificuldade em encher um auditório, disse a quem o aplaudia vibrantemente:
“ Desde que ganhei o festival, vocês batem palmas a tudo o que eu faço. Mesmo que não gostem, nem percebam o que estou a cantar. Vou dar um peido para ver se vocês também aplaudem”.
Esta intervenção mordaz de Salvador Sobral  pôs a nú  o mimetismo  que condiciona  o ser humano e  provoca reacções  acéfalas. Não é um fenómeno português nem contemporâneo. É global e intemporal.  No entanto, aplica-se ao tema que pretendo abordar: o modismo.
É sabido que em Portugal, quando alguém se lança num negócio com sucesso, numa área inovadora, encontra logo inúmeros adeptos que pretendem rapidamente ganhar dinheiro.
Foi assim com as croissanterias nos anos 80, é agora com as chocolaterias, as padarias, as gelatarias e muitas outras actividades. É o caso, por exemplo, dos Mercados Medievais. Começaram por ser manifestações de interesse histórico, que pretendiam atrair turismo interno e, simultaneamente, dar a conhecer aos visitantes episódios relacionados com a localidade, através de diversas manifestações artísticas.
O sucesso de Santa Maria da Feira e outras localidades fez multiplicar exponencialmente os Mercados e Feiras Medievais. Hoje em dia, qualquer junta de freguesia promove um mercado ou feira medieval. Monta umas tendas num local aprazível, convida uns artesãos a ocupá-las, veste uns tipos à moda da época, para se passearem entre a multidão, juntam alguns comes e bebes, uns enchidos e doçarias pretensamente tradicionais e está a feira montada.
Nada tenho contra esta forma de agradar aos fregueses e apanhar alguns votos mas, por favor, não desvirtuem o espírito das Festas Medievais, conferindo esse título a festas de comes e bebes , abrilhantadas por um artista mais ou menos famoso convidado para animar o povo durante uma hora.
 
É que tanto modismo já começa a cheirar  mal.

Mas que grande 31!

Quatro anos depois, José Sócrates foi finalmente acusado. São 31 os crimes constantes de uma acusação com mais de 4 mil páginas. Uma ementa variada, que exigirá muita perícia por parte dos advogados do ex- primeiro ministro.
Já ouvi dizer   que o julgamentos deverá começar no final de 2018 pode durar entre 7 a 10 anos, até transitar em julgado. Não estarei cá para saber a sentença final. Absolvição ou pena pesada?  Agradeço a algum leitor  familiarizado com práticas espiritas que convoque o meu espírito para me informar. Não só sobre a condenação de Sócrates, mas também de Ricardo Salgado.
Agora um pouco mais a sério.
A bem da credibilidade da Justiça, que com a colaboração de uns jornalistas arregimentados, criou na opinião pública a "certeza" de que Sócrates é criminoso  e corrupto, espero que as acusações estejam blindadas por fundamentação inatacável e todos os envolvidos sejam exemplarmente condenados.
Se,pelo contrário, Sócrates for absolvido, a já muito desacreditada ( por culpa própria) justiça ficará de rastos.
Há no entanto um porém. Se foram necessários mais de quatro anos para formular uma acusação, não será demasiado curto um prazo de 50 dias para preparar a defesa?