segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLVII)


Digam lá se este tema dos Pink Floyd não é uma excelente escolha para vos dar as boas noites neste início de semana.
Boa semana

O despertar do monstro alemão


 
 
Como se esperava, Merkel venceu as eleições na Alemanha.   Surpresa foi  ter obtido um dos piores resultados de sempre da CDU, o que deixa a chanceler alemã em grandes dificuldades para formar governo.
Martin Schulz também teve um resultado desastroso. Quando anunciou a candidatura, as intenções de voto no SPD dispararam, mas o facto de não se ter demarcado de uma aliança pós eleitoral com a CDU, a par de outros erros – como não ter apresentado propostas de ruptura que entusiasmassem os eleitores alemães- traduziram-se numa derrota  quase humilhante.
Uma aliança SPD/CDU permitiria  a Merkel  constituir um governo estável, mas Schulz percebeu ( tardiamente ) que a renovação da coligação condenaria o SPD ao total esvaziamento, pelo que se apressou a recusar novo  acordo com a CDU.
O acordo de Merkel com os liberais e os Verdes ( a coligação Jamaica) demorará provavelmente meses a ser alcançado e o preço a pagar pela CDU será muito elevado. A sua promessa de ouvir atentamente as reivindicações dos votantes na AfD ( a extrema direita alemã) é patética. Merkel não terá percebido que é uma das culpadas  pela vertiginosa subida da AfD?
Os alemães  estão cansados da política sensaborona e inócua protagonizada pelo Centrão. Imbuídos do espírito ” Deutschland über alles” que Merkel lhes promete em palavras, mas constantemente adia nos actos,  encontraram abrigo no AfD, que não quer mais imigrantes na Alemanha e combate ferozmente o Islão.
Se a isto associarmos um mercado de trabalho assente na precariedade e nos salários baixos – que permite iludir os números do desemprego, mantendo-os artificialmente  baixos- e uma legislação laboral  que escarnece os direitos dos trabalhadores- temos o adubo ideal para a extrema direita medrar.
A AfD obteve um resultado impensável há uma década, mas  a sua ascensão meteórica tem muitas semelhanças com a ascensão dos nazis nos anos 30, que culminou com a chegada de Hitler ao poder.
Como aqui escrevi reiteradamente, da Alemanha nunca poderemos esperar nada de bom, pelo que o resultado de Adolfina não me surpreendeu.  Ficarei surpreendido, sim, se os partidos democráticos não conseguirem estancar a subida da extrema direita. É que apesar de colocarem sempre os interesses da Alemanha acima dos interesses da UE, há uma grande diferença entre governar a Europa a seu bel prazer, martirizando  os povos do sul da Europa com medidas económicas e financeiras declaradamente nazis ( como têm feito os governos de Merkel)  mas garantindo a paz, ou atacar  deliberadamente tudo o que não seja ariano, mesmo dentro da Alemanha, seguindo uma política  de imigração semelhante à de Donald Trump.
É que uma política xenófoba  ( equiparável à prosseguida por Trump)  conduzirá inevitavelmente a uma guerra em território europeu. Com a agravante de neste momento a Casa Branca ser ocupada por um presidente que tem a sua base de apoio na extrema direita europeia e no Ku Klux Klan.
Perante este cenário, o pior que os partidos democráticos europeus podem fazer é assistir, indiferentes,   ao novo despertar do monstro alemão.  O passado ensinou-nos que devemos olhar para a Alemanha como uma inesgotável fonte de conflitos. 
O discurso da AfD, após serem conhecidos os resultados eleitorais, é tenebroso pelo que representa de vontade indómita em regressar a um passado de conflitos. Porém, olhar para o monstro com medo, ou encará-lo como uma catástrofe, nada resolve. O melhor a fazer é acreditar que os monstros também se domesticam e tudo fazer para o impedir de lançar fogo à Europa pela terceira vez no espaço de um século.

Um pouco de pudor, porra!


A esgrouviada Marilú é a candidata do PSD à Câmara de Almada.
Obviamente que ninguém no laranjal que fede a podridão acredita que Marilú possa ter sequer um resultado honroso, mas não havia necessidade de a ex-ministra das finanças  erigir como bandeira da sua  campanha  a redução dos impostos.
Eu sei que no PSD ninguém sabe o que é vergonha, mas alguém diga à oxigenada laranja para ter um pouco de pudor e se coibir de chamar estúpidos aos almadenses.