quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O futuro não é risonho

O país está muito melhor. As pessoas estão mais confiantes, recuperaram rendimentos e postos de trabalho, mas ainda está em convalescença dos traumatismos provocados, durante cinco anos, por um grupo de energúmenos.
Apesar dos hematomas e dores musculares que ainda lhe condicionam a locomoção, os portugueses comportam-se como os tipos que depois de uma forte gripe, ao mínimo sintoma de melhoras e uma ligeira diminuição da febre, levantam-se da cama e querem sair para a rua. 
Aos primeiros sintomas de melhoras da economia,  voltaram a endividar-se e o resultado é este: 
Nos últimos três meses aumentou o número de famílias sobreendividadas que pediram o apoio da DECO.
Eu já vi este filme e lembro-me bem como acabou.
Daí que comece a acreditar que o futuro não é risonho. As famílias endividam-se porque os bancos e outras instituições financeiras lhes concedem crédito às cegas pelo que, enquanto o problema não for encarado com coragem, penalizando fortemente as instituições que concedem crédito sem fazer uma avaliação rigorosa, o número de  famílias sobreendividadas continuará a aumentar.
Mário Centeno e diversas entidades- entre as quais a DECO-  já avisaram que os juros vão subir e as pessoas devem ter cuidado com os empréstimos que contraem. Só que, tal como acontece com a seca e as alterações climáticas, as pessoas não aprendem nada com o passado,nem dão importância aos avisos. Até ao dia em que a desgraça lhes bate à porta...

4 comentários:

  1. O pior é que seremos nós seremos nós a suportar aquilo a que os banqueiros chamam imparidades. assim abatem os créditos malparados aos lucros, não pagam IRC e quem sofre somos nós. O governo até tem uma proposta na AR para que esse abate se faça diluído, ao longo de vários anos, mas os senhores querem abater quando lhes der na real ganha ou mais jeito. Maldita gente e desgraçado país. Os pobres não passam de pobres. os ricos abrem falência e deixam de ser responsáveis pelas suas dívidas. PqP!

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  2. Da Comissão Europeia já veio o aviso de que Portugal tem que rever a política orçamental.
    É a direita a falar, sabemos, mas na realidade é preciso cuidado.
    Desejo igualmente que não recomecemos a dar passos maiores que as pernas.

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  3. Se hoje a direita tomasse o poder garantiria que a dívida pública era insustentável,que a reposição de ordenados era cavar o buraco da nossa sepultura,que os feriados e dias santos eram dias de trabalho comum se quiséssemos ter uma probabilidade de sobreviver,que o salário mínimo está no dobro do que as empresas podem pagar,etc.,etc.,etc.. Quantas vezes ouvimos isto e agachamos as orelhas? Não acham que chega de paleio de rameira velha? Alguma vez viram a direita defender quem trabalha? Algum patrão se opôs aos desalmados cortes do Coelho? Sempre que um governo mais ou menos socialista acabou,a direita não chamou FMIs e Troikas para virem cá buscar o resto,apesar dos acordos firmados com a Europa,tal como a Espanha e a Itália? Esquerda ou direita,tens de escolher o que queres

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  4. Gastar o que não se tem mete-me muita impressão.
    Sim, sou um conservador.

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