terça-feira, 31 de outubro de 2017

Três breves notas sobre a Catalunha ( e as ilusões de óptica)

1- O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita
O processo de independência da Catalunha  parece-me irreversível. Mas não será para breve, porque começou torto e criou clivagens insanáveis. Quer na sociedade catalã, quer entre os principais protagonistas. Puigdemont confiou demasiadamente no apoio  popular e Rajoy acreditou que exibindo a musculatura iria acalmar os ânimos e pôr os independentistas na ordem.
Dois idiotas, portanto. Logo, não será com estes protagonistas que a Catalunha poderá aspirar à independência.

2- Nunca digas desta água não beberei
A " fuga" de Puigdemont para Bruxelas está a ser bastante mal vista, mesmo entre os apoiantes da independência, que preferiam vê-lo preso e elevado à figura de mártir, a ser acusado de fugir.
Penso que  a estratégia de Puigdemont é obrigar a UE a reconhecer que o problema catalão não é apenas um problema espanhol, mas sim europeu.
Na verdade, a UE pode fingir que não é nada com ela e os espanhóis que se amanhem, mas não pode ignorar casos flagrantes de violação de direitos humanos e de regras democráticas protagonizadas por um dos estados membros. Esses são mesmo problemas europeus e a UE não pode continuar a acobardar-se a fazer como a avestruz, sempre que tem de enfrentar problemas. Até porque as pessoas não se esqueceram da posição da UE em relação ao Kosovo
além do
3- Nem tudo o que parece é...
Quando vi nazis infiltrados na manifestação pró independência da Catalunha, a primeira coisa que me ocorreu não foi reagir contra a sua presença e proclamar " ao lado dos nazis nunca!".
O que de imediato me ocorreu foi que estava a assistir a mais uma golpada dos Castelhanos. Ao  facilitar a introdução de nazis nas manifs, Rajoy esperava reacções violentas por parte dos independentistas e aproveitar a violência para justificar o recurso a uma intervenção musculada.
Mais tarde do que cedo, a verdade virá ao de cima mas, por agora, não me venham com a treta de que a declaração de independência foi um golpe constitucional.

6 comentários:

  1. Não espero ver uma Catalunha independente mos mus tempos de vida, ou então mudará tanta coisa que eu de qualquer modo não sobrevirei. E a memória séria bem pouca e triste se voltássemos aos tempos da ex-Jugoslávia. Foram crimes de guerra a mais onde gente que vivia mais ou menos unida pela mão do Tito, que se soube opor à URSS, mas que os ódios locais não deixaram sobreviver à sua morte. O EUA aproveitaram para se ver livre do seu material de guerra obsoleto e a UE por outros interesses. Assim como os da Angela em relação à Ucrânia que tem jogado com um pau de dois bicos. Interessa-lhe ir na onda ou nos sentimentos dos outros, mas a Rússia também é importante por causa do gás. (pensemos também na Líbia, a guerra começou não por Assad ser um tirano). Mas, não derivando, acho que a independência de pequenos países vai ficar em suspenso por uns tempos. Não há muito mais dinheiro para distribuir (o euro não estava pensado para tanto, daí a crise além de outras causas) e a Europa está velha e cansada. Pensava.se na globalização, agora aparecem os nacionalismos, mas é só para os mais ricos ficarem mais ricos e os mais pobres ainda mais pobres, ou miseráveis. Nas entrevistas só ouvi dizer pelos catalães que contribuíam muito para Madrid, mas isso já diziam no tempo de Franco, como cá os do Norte dizem em relação aos do Sul. Ele para lá que se esgotavam logo as encomendas dos últimos modelos dos ferraris e dos lamborghinis. Agora é para lá que vão os maiores valores, relativamente, de apoios sociais, porque há mais pobreza e desemprego.

    O Rajoy é um palhaço sem força para contrariar a grande e rica extrema direita espanhola e o pigeon sempre o considerei um oportunista basta ver o seu passado. Em todas as manifestações há gente do contra e há os malfeitores para provocarem opiniões díspares. Talvez o Carlos tenha visto o Filme "L'aventure c'est L'Aventure" que já na altura queria dizer muita coisa séria, a brincar. E de onde vêm as actuações musculadas, apesar de agora os tlms estarem à mão de toda a gente e de cada um explorar as imagens como quer.

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    1. Eu também não vou ver a Catalunha independente, nem tenho pena. Os nacionalismos, no entanto, tendem a multiplicar-se, porque as pessoas andam insatisfeitas com a política europeia e alinham em populismos que lhes prometem amanhãs que cantam se saírem da Europa.
      Claro que vi o filme e o Rajoy não é um palhaço. É um tiranete. Palhaço é o Puig,

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  2. 4ª nota - se não sabes como sair, nunca entres

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    1. Ou noutra versão.
      Pensa sempre num plano B, antes de pores em execução o plano A

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  3. A confusão e o caos seguem dentro de momentos

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