segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Mariano Rajoy: há um Maduro na Europa

Não é líquido que o “ Sim “ à independência  vencesse um referendo realizado em condições normais na Catalunha.
O referendo realizado no domingo  pode ter sido visto por muitos, como ilegal e mesmo uma fantochada mas, graças à  inabilidade e intransigência de Rajoy, teve uma repercussão internacional que permitiu aos independentistas atingir os seus objectivos e coloca em grande dificuldade o governo de Madrid.
Ao recusar a via do diálogo e optar pela  violência, Rajoy não só  perdeu a razão como deu  pretexto à vitimização dos independentistas catalães e  motivou milhares de pessoas a unirem-se contra o poder de Castela. Pior ainda, Rajoy conseguiu que a Catalunha ganhasse a simpatia da opinião pública internacional e desbaratou qualquer hipótese de congregar apoios  da Comissão Europeia.
A imagem que fica na opinião pública europeia é a da violência desmesurada, da repressão gratuita e da intransigência. Os catalães aparecem como vítimas e  Rajoy como um Maduro europeu que só conhece a violência como forma de diálogo.
Era expectável que depois do triste espectáculo  na Catalunha, das críticas generalizadas ao uso da violência e de perceber que não tinha apoios na Europa, Rajoy tivesse aberto uma porta ao diálogo.
Em vez disso, numa manifestação inequívoca de autismo, Rajoy extremou posições. Incapaz de perceber que contribuiu inequivocamente para a inevitabilidade da independência da Catalunha, o chefe do governo espanhol está a dar pretexto para que aconteça o que pretendia evitar: o renascimento de movimentos independentistas noutros governos regionais, nomeadamente no País Basco.
Adivinham-se tempos muito conturbados em Espanha e os estilhaços da crise não deixarão de afectar Portugal.

3 comentários:

  1. Não estou a gostar dessa história de estilhaços. Embora comungue da mesma opinião.

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  2. Assino por baixo.

    Podes ser mais concreto quanto aos estilhaços?

    Tudo de bom, amigo

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