terça-feira, 31 de outubro de 2017

Memórias em vinil ( CCLXXVIII)

Em Noite de Bruxas este video talvez  consiga provocar alguns exorcismos.
Boa noite!

Três breves notas sobre a Catalunha ( e as ilusões de óptica)

1- O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita
O processo de independência da Catalunha  parece-me irreversível. Mas não será para breve, porque começou torto e criou clivagens insanáveis. Quer na sociedade catalã, quer entre os principais protagonistas. Puigdemont confiou demasiadamente no apoio  popular e Rajoy acreditou que exibindo a musculatura iria acalmar os ânimos e pôr os independentistas na ordem.
Dois idiotas, portanto. Logo, não será com estes protagonistas que a Catalunha poderá aspirar à independência.

2- Nunca digas desta água não beberei
A " fuga" de Puigdemont para Bruxelas está a ser bastante mal vista, mesmo entre os apoiantes da independência, que preferiam vê-lo preso e elevado à figura de mártir, a ser acusado de fugir.
Penso que  a estratégia de Puigdemont é obrigar a UE a reconhecer que o problema catalão não é apenas um problema espanhol, mas sim europeu.
Na verdade, a UE pode fingir que não é nada com ela e os espanhóis que se amanhem, mas não pode ignorar casos flagrantes de violação de direitos humanos e de regras democráticas protagonizadas por um dos estados membros. Esses são mesmo problemas europeus e a UE não pode continuar a acobardar-se a fazer como a avestruz, sempre que tem de enfrentar problemas. Até porque as pessoas não se esqueceram da posição da UE em relação ao Kosovo
além do
3- Nem tudo o que parece é...
Quando vi nazis infiltrados na manifestação pró independência da Catalunha, a primeira coisa que me ocorreu não foi reagir contra a sua presença e proclamar " ao lado dos nazis nunca!".
O que de imediato me ocorreu foi que estava a assistir a mais uma golpada dos Castelhanos. Ao  facilitar a introdução de nazis nas manifs, Rajoy esperava reacções violentas por parte dos independentistas e aproveitar a violência para justificar o recurso a uma intervenção musculada.
Mais tarde do que cedo, a verdade virá ao de cima mas, por agora, não me venham com a treta de que a declaração de independência foi um golpe constitucional.

Conversa da Treta sobre Poupanças



Hoje assinala-se o Dia Internacional da Poupança. Já todos sabem o que penso dos "Dias de..."  pelo  que  me abstenho repetir mas, sobre o espanto veiculado pela comunicação escrita, falada e televisionada quanto ao facto de sermos um dos povos menos poupadinhos da Europa, vou deixar aqui registadas as três causas que me parecem justificar essa condição:
1- Os portugueses não poupam, porque não confiam nos bancos nem nos banqueiros.
Andar a poupar para quê? Para os Salgados e os amigos do Cavaco ficarem com o dinheiro das nossas poupanças e viverem regalados à custa do esforço de quem trabalha?

2- Os portugueses não poupam porque, no contexto europeu, a generalidade  ganha miseravelmente.  
Se a maioria dos portugueses ganha salários que apenas asseguram ( e mal) a sua subsistência, como pode poupar?

3- Os portugueses que têm condições para poupar não o fazem porque "são um estorvo e uma despesa"
Confusos? Eu explico. Se estão bem lembrados ( ainda ontem aqui escrevi sobre a personagem) o Hugo Soares, secundado por um grupo de jovens da JSD, diz que os " velhos são um estorvo e uma despesa"-
Ora digam-me lá quem é  o tipo que vai poupar, para ser internado pelos filhos/netos  num Lar manhoso, onde esperam que ele morra mais depressa para se apoderarem das poupanças do "velho/a"?  

Portanto, se querem que os portugueses poupem,  os bancos que valorizem as suas poupanças pagando juros decentes, em vez de lhes extorquirem as reformas e salários com taxas, taxinhas, comissões e outros expedientes de gamanço modernaço. Perceberam, ou precisam de um desenho?

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXVII)

Quem se lembra desta menina?
Boa noite e boa semana

Carta de um avô ao neto



Meu querido neto.
Quando ontem me perguntaste porque é que eu e a tua avó andávamos a roubar o teu pai fiquei em silêncio e tu, percebendo o meu embaraço, mudaste de conversa.
Esta noite deitei-me e não consegui dormir a pensar na tua pergunta e no erro que cometi ao deixar-te sem resposta. Levantei-me e decidi escrever-te esta carta.
O teu pai talvez tenha razão quando me acusa de ser ladrão, mas vou tentar explicar-te  que a culpa de o andar a roubar não é minha.
Sempre amei o teu pai. Fiz tudo para que ele fosse bem sucedido na vida. Durante muitos anos nunca tive férias, porque aproveitava esse tempo para fazer uns biscates e ganhar dinheiro para pagar os estudos do teu pai. Sempre que , em criança, ele me pedia um brinquedo eu e a tua avó esforçávamo-nos  para lho dar. Quando ele já andava nos últimos anos do liceu começou a pedir tudo aquilo que os amigos tinham e nós ainda não lhe tínhamos dado. Comprámos-lhe telemóveis, computadores, ao fim de semana dávamos-lhe dinheiro para ele ir  divertir-se com os amigos, porque ele estudava e nós queríamos que pelo menos ao fim de semana se pudesse distrair. Dávamos-lhe dinheiro para ir de férias e nós ficávamos em casa, porque o importante para nós era que ele estivesse feliz.
Quando terminou o curso, esteve muito tempo sem arranjar emprego e continuou a viver cá em casa. Nós dávamos-lhe uma mesada para ele poder divertir-se.
Quando arranjou emprego casou com a tua Mãe e nós continuámos a ajudá-lo como podíamos, porque tu nasceste logo a seguir e não queríamos que vos faltasse nada.Nós e os teus avós maternos ajudámos os teus pais a comprar a casa onde agora vives. Como os  teus pais  trabalhavam, era a tua avó que te ia buscar ao infantário e vinhas cá para casa até eles te virem buscar.
Depois de ter trabalhado 42 anos pedi a reforma. Eu era funcionário público e tinha feito um contrato com o Estado: todos os meses descontava parte do meu ordenado e, quando  me reformasse, o Estado devolvia-me esse dinheiro, para que eu e a tua avó pudessemos continuar a viver com dignidade.
Tudo corria bem. O teu pai tinha entrado na política e deixou de precisar da nossa ajuda, eu e a tua avó vivíamos razoavelmente com a minha reforma. Chegámos a passar uns dias de férias no INATEL e uma vez até te levámos connosco, para que os teus pais pudessem ir sozinhos passar férias ao Brasil. Tu eras ainda muito pequenino e eles queriam estar os dois sozinhos durante uns dias e isso pareceu-nos natural.
Um dia apareceram uns senhores a dizer que Portugal estava falido e tinha de pedir dinheiro emprestado a uns senhores estrangeiros. Prometeram que iriam tirar o país dessa aflição e que as pessoas podiam estar descansadas, porque se votassem neles iríamos voltar a ser todos muito felizes dentro de dois anos. Foi nessa altura que o teu pai foi convidado para ministro. Fez uma grande festa e até nos convidou para jantar num hotel muito bonito, onde comi coisas que nunca tinha comido e bebi  vinho  muito bom.
Depois, alguma coisa deve ter corrido mal, porque as pessoas começaram a viver cada vez pior, muitas ficaram desempregadas e sem dinheiro para viver. Eu e a tua avó lá nos íamos aguentando com o dinheiro da minha reforma que, volto a lembrar-te, era a retribuição daquele dinheiro que eu descontei durante 42 anos.
Um dia, porém, um amigo do teu pai, que também é ministro, disse que tinha de me reduzir a reforma , porque o país tinha muitas dívidas e todos tínhamos de fazer sacrifícios. O irmão da tua mãe, o teu tio Zé, veio para os jornais dizer que os velhos estavam a roubar as reformas dos jovens e não havia direito, por isso, tinham que cortar mais nas reformas.
Eu sei que aos 12 anos estas coisas do dinheiro ainda te fazem alguma confusão. Lembro-me até que, quando tinhas cinco ano pensavas que as notas nasciam das árvores. Ficou-te essa ideia num dia de Natal em que a tua mãe enfeitou a árvore com notas…
De qualquer maneira, vou-te explicar uma coisa.
O Estado deixou de me pagar o valor da reforma que tinha contratado comigo.Sabes o que isso quer dizer? É que o Estado fica todos os meses com parte dinheiro que eu lhe confiei, acreditando que me seria devolvido  quando eu me reformasse.
Eu compreendo que o Estado precisa de dinheiro, mas podia pedi-lo ao teu tio Zé, que é administrador de um banco que está a viver à custa do dinheiro dos portugueses. Sabes o que quer isso dizer? É que o teu tio Zé é pago com o meu dinheiro e de todas as pessoas que vivem da reforma ou estão a trabalhar. O teu pai, claro, também é pago com o dinheiro dos portugueses, mas ele está a servir o país e a tentar tirá-lo da falência, por isso é justo que assim seja. O problema é que em vez de melhorar, o país está cada vez mais pobre e há cada vez mais pessoas desempregadas e reformados sem dinheiro para comer, que têm de ir pedir comida ao senhor padre Albano que tem uma obra de caridade lá na Igreja para prestar assistência a pessoas com dificuldades.
Estás a perceber agora, porque não tenho culpa de andar a roubar os teus  pais? Eu só confiei naqueles senhores do estado que todos os meses me vinham tirar parte do meu ordenado! Julgava que eram pessoas de bem e afinal ficaram-me com parte do dinheiro. É como se todos os meses, ao sair do banco com o dinheiro da minha reforma, fosse assaltado por um ladrão.
Os teus pais, claro, nada têm a ver com isto. O teu pai, como ministro, só quer o bem do país e deves sempre admirá-lo, porque acredita que está a fazer o melhor pelo teu futuro. Não está, mas ele acredita nisso, portanto tens de o compreender. Eu também acreditei que estava a fazer o melhor por ele e enganei-me, mas a culpa é minha. Se não lhe tivesse pago os estudos, nem a casa onde vocês vivem, ele talvez não fosse ministro e não estava sujeito a todos aqueles insultos que lês nos jornais.
Não dês ouvidos ao que lês nos jornais, João! O teu pai é uma pessoa séria … teve foi o azar de se rodear de más companhias. Quero pedir-te que respeites sempre o teu pai e, se quando fores adulto, não estiveres de acordo com ele, nunca lhe chames ladrão. Se ele vir o   mundo de uma forma diferente da tua, é porque também deve ter sido enganado. Como eu e a tua avó fomos pelos senhores que estão no governo.
Com esta carta envio-te um filme. Chama-se “Este país não é para velhos”. Eu sei que não é um filme para a tua idade, mas vê-o e no próximo domingo dás-me a tua opinião. Depois eu explico-te algumas coisas, porque é importante que comeces, desde já, a perceber que as coisas que se passam no mundo são muito diferentes do que vês na televisão ou lês nos jornais.
Agora vou ter de terminar. A tua avó acabou de entrar na sala. Está a queixar-se da artrose.Precisava de tomar o remédio para as dores mas, como não tivemos dinheiro para  o comprar, vai ter de aguentar até eu receber a reforma. Ou, então, amanhã peço na farmácia à Drª Teresa que me avie a receita  e me deixe pagar  no fim do mês.
Um grande beijinho para ti. Respeita sempre o teu

Nota do editor do blog:Outubro é o mês do idoso, mas pouco se tem escrito ou falado sobre eles. No sábado foi o Dia da Terceira Idade, mas não vi/ouvi nenhuma notícia sobre isso.  Apenas uma reportagem com 11 idosas sobre a sua vida sexual, quando eram jovens. 
Convém, no entanto, não esquecer que Hugo Soares, actualmente lider parlamentar do PSD, considerou os velhos " um estorvo e uma despesa".
Para memória futura recupero a carta de um avô ao neto, que escrevi em 2013, a propósito da perseguição que o governo PSD/CDS fazia aos reformados. Desse governo fazia parte Assunção Cristas que agora reclama um aumento das pensões e mais apoio para os idosos.

Com os afectos me enganas

Não deixa de ser curioso  constatar que depois de andar a pedir estabilidade política durante quase dois anos, seja o próprio Marcelo a provocar essa instabilidade.
Curioso, mas não surpreendente. Eu mesmo tinha aqui alertado: logo que se veja livre de Passos Coelho, MRS cederá aos seus instintos e tudo fará para desacreditar e derrubar este governo. Houve quem não acreditasse, mas a prova de que desgraçadamente eu tinha razão , aí está.
Não sou adivinho, mas conheço MRS há 50 anos e sei muito bem de que material são feitos os seus afectos.

domingo, 29 de outubro de 2017

sábado, 28 de outubro de 2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXV)

Para começar bem o fim de semana
Boa noite!

Mudam os tempos...

...mas continuam as coincidências
Há 102 anos nascia  a minha Mãe, falecida no final de setembro de 2015, a um mês de fazer 100 anos.
Há dois anos estava no bloco operatório, onde me retalharam durante mais de seis horas.
Hoje estive na praia e, além de comer um belo gelado, cometi a rara proeza de tomar um banho durante mais de meia hora. Nas mesmas águas onde, há uns anos, mal conseguia molhar os pés.
Mais ainda do que a alta temperatura (finjo que estou a viver um Verão de S.Martinho prolongado) espanta-me a temperatura da água que em nada fica a dever às de Marbella.
É bom mas, acima de tudo, muito preocupante. É que nesta matéria não há coincidências, apenas a confirmação do que está previsto há décadas sobre as alterações climáticas. Os ambientalistas cépticos, obviamente, continuarão a negar a evidência. Problema deles. É que a realidade não engana.
Há 100 anos ( pelo calendário Juliano) eclodia a Revolução Russa e emergia o poder dos Sovietes. Hoje  a Catalunha declarou a independência e em Portugal emergiu o poder dos sorvetes ( a piada não é minha. Foi adaptada de algo que li no FB).
Tenham um bom fim-de-semana.

As matreirices de Marcelo e a falta de pudor

Quando há dias escrevia sobre as  Matreirices de Marcelo, era a isto que me referia.
No entanto, o empolamento desta situação pela comunicação social  é verdadeiramente vampiresco. 
Ontem, no TJ, pareceu-me ver um fio de sangue a escorrer da boca de Rodrigues dos Santos quando dizia (sem qualquer fundamento, como o desenvolvimento da notícia demonstrava) que PR  e PM tinham entrado em choque.
Há jornalistas que adoram ser profetas da desgraca e detestam dar boas notícias sobre o país. Outros, como JRS, adoram apimentar as notícias com uma pitada de ficção extraída dos seus livros.
E ontem até havia excelentes notícias para abrir o TJ. Como a acentuada descida da despesa e da dívida. Mas isso não interessa nada aos vampiros com carteira de jornalistas.

Afinal quem é o incendiário?

Já tinha sido condenado com pena suspensa, em 2012, por andar a atear fogos.
Este ano, só num mês, ateou  5 fogos, mas o juiz continua a acreditar que o homem se pode curar, por isso, voltou a suspender-lhe a pena.
O IPMA e a Protecção Civil avisam que as condições atmosféricas e climáticas serão favoráveis  à propagação de incêndios.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXIV)

Tantos anos passados e ainda me arrepio quando ouço esta canção de 1929, recriada pelos Sandpipers muitos anos mais tarde. E  estas imagens deixam-me uma saudade!..
Boa noite.

Apedrejem-me... mas só depois de lerem o post até ao fim





Quando ouvi a notícia de uma actriz que se queixava de ter sido assediada sexualmente por Bush pai, pensei que a cena se tivesse passado na sala oval, durante a presidência do ambientalista céptico.
Qual não foi a minha surpresa quando soube que o ( presumível) apalpão do rabo aconteceu em 2013. Ou seja, quando Bush pai tinha 89 anos e já estava preso a uma cadeira de rodas.
Tenho um profundo desprezo por predadores sexuais mas, ao ver uma actriz queixar-se de ter sido assediada sexualmente por um velho com Parkinson , quatro anos depois da ocorrência, só me vem à cabeça uma palavra: OPORTUNISMO!
Há uma histeria generalizada nos EUA - que começa a estender-se à Europa- em relação ao assédio sexual. Não me refiro à idiotice de criminalizar o piropo. Estou a pensar em coisas mais corriqueiras como, no fim de um jantar, pegar afectuosamente na mão da companheira de ocasião e perguntar-lhe:
- Vamos até lá casa tomar um copo?
Palpita-me que, pelos padrões vigentes, o assédio sexual seja um crime cometido por  ( pelo menos) 90% dos homens heterossexuais.
Parece-me muito civilizado combater o assédio sexual no local de trabalho e em situações dominantes mas, estender o conceito às relações quotidianas entre homens e mulheres, entra no domínio da histeria feminista. Uma versão queima de soutiens do século XXI.
Ao longo da vida fui alvo de assédio sexual e nunca me queixei. Excepto quando isso aconteceu numa relação laboral, episódio que já vos contei.
Eu não quero viver num mundo onde as mulheres sejam consideradas objectos sexuais e estejam sujeitas aos ímpetos animalescos do macho mas viver num mundo liofilizado, onde as relações entre homens e mulheres sejam pautadas por códigos, é igualmente desagradável.
Qualquer dia, por absurdo, chegaremos ao ponto em que as relações entre homem e  mulher serão reguladas por um código de conduta de tal forma hermético, que elimine a líbido e o próprio prazer sexual.
Como costuma dizer uma amiga, só as mulheres feias ou sem auto estima não gostam de ser assediadas. (Creio que o mesmo se passa com os homens, mas adiante...)
O problema - acrescentarei eu a partir de agora- é que algumas, apesar de gostarem, querem lucrar com isso, fazendo-se passar por vítimas anos depois de os factos terem ocorrido. Pior ainda, nenhuma mulher reconhece que propiciou essas condições para tentar obter vantagens profissionais ou monetárias. Quem me vier dizer que essas situações são excepcionais ou é ingénuo, ou anda de olhos vendados. Pessoalmente, poderia contar mais de uma dezena de casos em que percebi que a aproximação feminina tinha objectivos meramente "promocionais".
Por isso sugiro a Heather Lind - actriz que certamente por ignorância minha desconhecia- e a todas as mulheres (alegadamente) que tenham algum tento na língua antes de se proclamarem vítimas de assédio sexual. Façam-no na hora e não décadas depois.  E, sobretudo, não criem condições favoráveis à ocorrência de situações de assédio sexual. Como ontem sugeria George Clooney, o primeiro passo podia ser recusarem-se a ir a entrevistas em suites de hotel...
O segundo ( na minha modesta opinião) era preocuparem-se mais com as mulheres que vivem em países  onde a violação é tolerada ( ou mesmo incentivada) ou são tratadas como  escravas e objectos. Nem sempre apenas sexuais.

Com Assunção Cristas na esplanada...

Ainda sou do tempo em que a política era discutida com mais elevação do que o futebol. Nessa altura, seguia apaixonadamente o debate político. 
Os tempos mudaram. O debate político foi perdendo qualidade porque o nível das temáticas e dos intervenientes, na generalidade, desceu ao  patamar dos comentadores desportivos. Isto é, ao nível da indigência argumentativa e lexical.
Ainda há  comentadores políticos com qualidade, mas as televisões não os querem porque não são suficientemente assertivos para levantar polémicas incendiárias. Quanto aos tribunos, são uma desgraça. Dizem que os bons tribunos não querem ir gastar o seu tempo a discutir trivialidades com gente da dimensão de um Hugo Soares, de uma Assunção Cristas, ou similares de esquerda, porque nesta matéria a indigência está bem distribuída por todas as bancadas do hemiciclo.
Como é óbvio, em dia de aniversário, não perdi tempo a assistir a um debate Porto- Benfica em versão S. Bento.
Ontem fui tentando informar-me o melhor que pude através dos jornais mas, o melhor depoimento que vi/li/ouvi  sobre o debate da moção de censura foi um diálogo na esplanada.
Estava eu a ler o artigo do Rui Tavares no "Público", quando um  diálogo me deu a entender que a leitura estava a ser partilhada na mesa do lado:
- Eh, pá! Tu viste a vergonha daquele debate ontem?
- Qual debate?
- O da moção de censura do CDS
- Ah! Não perco tempo com política, pá...
- Mas devias ter visto aquilo. Surreal! 
- Para que é que o CDS apresentou a moção de censura? Já sabia que não passava, para que andaram a perder tempo com politiquice em vez de discutirem o que interessa?
- Eh, pá, o CDS tinha de marcar posição, não te parece?
- Olha a mim não me parece nada. Sei é que desde que ficou à frente do PSD em Lisboa, o CDS só pensa em antecipar-se ao PSD. O deslumbramento foi tanto que a Cristas ficou contusa e precipitou-se. Acho que se vai arrepender (...)

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXIII)


Tinha-o trazido aqui há pouco tempo, com "Blueberry Hill". Hoje, assinalo o falecimento dessa lenda que foi Fats Domino, com outro dos seus grandes sucessos. Boa noite!

"Saída de praia"




Ela saiu da loja  sorridente e visivelmente feliz  com a “saída de praia” que acabara de comprar na loja dos indianos do Tamariz.
Quando se juntou às amigas que a esperavam à saída do túnel, disse num tom bem disposto
“ What a bargain! I feel as if I am in Morocco or India.”
E lá foi, feliz da vida, estender-se no areal a desfrutar o sol numa maravilhosa tarde de Outubro e, muito provavelmente, a antecipar o prazer de estrear a sua “saída de praia”. Lindíssima, aliás...

Dunas são como divãs...de psicanálise







Ontem, como acontece todos os anos, passei o dia a  tentar esquecer que era dia do meu aniversário. Com o telemóvel desligado, mas  com o inseparável Moleskine por companhia, fui até ao Rochedo que deu nome a este blog.
Já lá não ia há muito tempo e o reencontro, como sempre, foi emotivo. Recuei quase 50 anos, ao dia em que o descobri, fiz uma viagem no tempo até àquele dia de 1977 em que me despedi dele, pensava eu que para sempre.
Infelizmente há memórias que não se apagam, nos acompanham a vida inteira e, por mais que as tentemos enterrar, ressuscitam com mais força, cada vez que lhes entreabrimos uma porta da mente.
Não me lembro de alguma vez, em Portugal, ter um dia de aniversário tão soalheiro. Normalmente o dia está cinzento e, pelo menos à noite, chove torrencialmente durante algumas horas. Ontem, aproveitei a dádiva para passar o dia no Guincho que, com os 28 graus de temperatura e a ausência de vento, estava ainda mais deslumbrante .
Depois de enterrar as memórias no meu rochedo, caminhei umas centenas de metros até às dunas de Cresmina.  A intenção era tomar um café na esplanada, enquanto absorvia aquela paisagem arrebatadora e, posteriormente,   terminar a leitura de "O Anjo Pornográfico" , mas cruzei-me com  uma família francesa, deslumbrada com a paisagem,  que mudou os meus planos.
Primeiro, a  surpresa de um telemóvel inundado de mensagens, quando o liguei para tirar estas fotos, depois a descoberta de que esta família francesa (casal, sogros e duas filhas de 6 e 8 anos)vive na Argentina, em Buenos Aires, e tem casa em Pinamar, para onde viajara durante boa parte da manhã enquanto estive ancorado no Rochedo. A conversa estendeu-se por várias horas e terminou com um convite que me deixou desvanecido. 
Este ano, no dia do meu aniversário, fiquei mais uma vez a pensar se não há coincidências...

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXII)





É bom chegar a esta idade e poder dizer como a Edith Piaf: Non, je ne regrette rien! Boa noite. 

Querida cocaína

Se eu fosse jornalista do Correio da Manha, ou seguisse a mesma escola, teria escolhido para título deste post: Os restaurantes gourmet usam cocaína para temperar a comida.
Como me orgulho de sempre ter sido honesto com os leitores das publicações onde escrevi, assim continuo. Mesmo reformado e não escrevendo neste espaço como jornalista.
Limito-me então a dizer que o chef Gordon Ramsey admitiu que muitos dos seus clientes lhe pedem que junte cocaína aos alimentos.
Além disso, Ramsey  fez uma investigação nos wc dos seus 31 restaurantes e só num não encontrou cocaína, o que poderá levar a conclusões muito variadas.
Quanto ao que se passa nos restaurantes gourmet em Portugal, nada sei, mas vou perguntar à Marlene Vanessa, habitual frequentadora destes locais que muito aprecia.,
É que hoje, por razões pessoais e a título excepcional, apetece-me mesmo ir jantar a um restaurante gourmet.

A justiça está em boas mãos

O lapidar acórdão do juiz do Porto sobre a mulher adúltera, apenas confirma essa certeza. Até porque a aplicação de pena suspensa a um tipo que agrediu violentamente a mulher  que o "empalitara", confirma a tendência para medidas justas. Principalmente quando se trata de mulheres vítimas de violência, como foi o caso do juiz que considerou que bater numa mulher na medida certa  não é crime. Ou daquele outro que mandou em paz um tipo que tentara violar uma turista porque, na opinião do douto magistrado, a turista ia vestida de forma tão ousada que estava mesmo a pedi-las.
No caso do juiz do Porto deve realçar-se que sendo o nome do juiz NETO de MOURA, as razões invocadas para justificar a agressão são uma homenagem às suas raízes, o que deve ser enaltecido e não alvo de vitupérios. 
Mas, para ser justo, devo também recordar aos leitores as acertadas sentenças aplicadas a incendiários apanhados em flagrante. Claro que essas pessoas não devem ir para a prisão! Quando muito devem ser tratadas em clínicas psiquiátricas.
E já agora, para terminar, lembro-me do caso daquele juiz que, perante um réu que acabara de ser detido pela quinta vez, por roubo de veículos motorizados, o mandou em paz, aconselhando-o, porém, a reprimir as suas tendência cleptómanas.
O problema é que o réu devia ser surdo e, por isso, mal o oficial de diligências o mandou embora,   roubou uma motorizada estacionada à porta do Tribunal. Obviamente que só roubou a motoreta porque não tinha dinheiro para o passe...
Não tenhamos dúvidas.Tal como as armas em 1975,  também a justiça portuguesa está em boas mãos.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXI)



Como muitos estarão lembrados, a versão original é da Sandie Shaw (1964) mas indiscutivelmente prefiro esta de 1983.
Boa noite e boa semana

Feios, porcos e maus!

A família passeava no paredão com dois cães de grande porte. Na praia do Tamariz, em frente a um restaurante, os cães decidiram aliviar os intestinos. Um dos membros da família  pegou num balde de uma das criancinhas, foi à praia, encheu o balde de areia e despejou-o sobre os dejectos. Limpar? Está quieto!
Uma mulher do grupo repreendeu-o:
-  Para que estás a perder tempo com isso? Vamos embora! A Câmara amanhã limpa, que é para isso que pagamos impostos.
E lá continuaram, tranquilamente, o passeio familiar dominical.

Afinal havia outra...

Na noite de domingo,15 de Outubro, escrevi no FB que era muito provável alguns incêndios terem sido provocados por mão criminosa, mas muitos mais teriam sido fruto de negligência.
Escrevi, então,  que apesar das condições atmosféricas adversas, tinha visto naquele dia inúmeras queimadas e pessoas a  deitar beatas acesas pelas janelas dos carros. Acrescentei que, apesar de estas práticas serem habituais em Portugal, as alterações climáticas favoreciam as ignições resultantes de negligência e a  propagação das chamas, por projecções a longa distância, arrastadas pelos ventos fortes e  de direcção variável.
Os depoimentos de populares e presidentes de Câmara ( alguns deles do PSD) confirmavam condições atmosféricas excepionais.
Durante uma semana, a comunicação social ignorou tudo isto, fez ouvidos de mercador às opiniões de ambientalistas conceituados  e andou a falar de terrorismo incendiário. O secretário de Estado falou pela mesma cartilha.
Na sexta feira, finalmente, ficou a saber-se que as queimadas estiveram na origem de muitas dezenas ( quiçá centenas) de incêndios nos dias 15 e 16 de Outubro e que a maioria dos incêndios não tinha origem criminosa, mas sim negligência. 
Quem afirma isto? A CTI proposta pelo PSD, cujo relatório foi muito elogiado pela oposição, mas que a comunicação social omitiu em partes tão relevantes, como " 98 por cento das ignições são provocadas por mão humana, mas sem origem criminosa". Ou seja, negligência. 
Só no concelho da Figueira da Foz registaram-se pelo menos 10 incêndios provocados por queimadas e o Gerês tem sido uma das regiões mais afectadas por esta prática perigosa e negligente, mas não terrorista.
Como aqui escrevi no sábado, não vale a pena teimar quando a razão está do nosso lado. Mais tarde ou mais cedo a ciência e a investigação acabam por dar razão a quem realmente a tem...

domingo, 22 de outubro de 2017

Busca, Piloto. Busca!

- Olá Luís! Ouviste aquelas coisas chatas ontem na televisão?
- Ouvi.
- Então? Não reages a dizer  que aquilo é tudo mentira?
- Não interessa se é mentira ou não. O importante é que violaram as nossas caixas de correio e isso é crime!
- Olha, Luís. Tenho aqui uma ordem de busca. Para cortar o mal pela raiz o melhor era nós fazermos  isso o mais depressa possível.
- Está bem, pá, mas agora não me dá jeito. Falamos depois das férias, ok?
 
(Quatro meses depois)
 
- Olá Luís! Então não disseste nada e agora vais para os jornais dizer que queres uma investigação urgente?
- Pois quero, pá. Vocês andam a dormir ou quê?
- Mas tu é que ficaste de telefonar a dizer quando podíamos ir aí.
- Tens razão, pá. Desculpa. Então quando é que cá vêm?
- Dá-te jeito amanhã?
- Pode ser. Quem avisa as televisões? Nós ou vocês?
- Vocês. Mas vê lá se eliminaste as provas todas, ok?
-  Está descansado. Até amanhã.

 

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (75)

Este postal foi-me enviado por uma tia, em 1959, por altura do meu 10º aniversário.

Emprenhar pelos ouvidos é isto!

Semanas depois do desaparecimento de armas em Tancos,o ministro Azeredo Lopes deu uma entrevista e teve a ousadia de afirmar que, no limite, se poderia  colocar a hipótese de nem ter havido roubo.
Provavelmente prevendo que as suas palavras poderiam ser mal interpretadas, Azeredo Lopes perguntou se se tinha feito entender.
Eu, que ouvi a entrevista,  nunca tive dúvidas do que ele queria dizer, mas logo houve uns canalhas com carteira de jornalistas que deturparam as palavras de Azeredo Lopes e transmitiram para a opinião pública a ideia de que teria dito que, se calhar, não tinha havido roubo.
O país que emprenha de ouvido fez um alvoroço e a maluquinha de Arroios que dirige o CDS, exigiu logo a demissão do ministro.
Menos de 24 horas depois da demissão da ministra Constança Urbano de Sousa, o aparecimento das armas na Chamusca e, principalmente, a forma como foi comunicado o seu aparecimento à PJM, demonstra que muito provavelmente, o ministro tinha razão.

sábado, 21 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXX)

Experimentem lá a sensação e tenham uma excelente noite. E já agora, um bom domingo também.

Perguntar não ofende...

Como era expectável, a manifestação silenciosa de hoje em Lisboa não era mais do que um pretexto para que um grupo de arruaceiros manifestasse a sua raiva contra este governo.
O vestuário, os trejeitos, o sotaque afectado dos entrevistados nas televisões, denunciavam que aquelas dezenas de pessoas pertenciam a uma élite. Ainda bem que um canal de televisão entrevistou um tipo que eu conheço de ginjeira. É amigo de longa data de PPC, pertence a um grupo de retornados ressabiados que anda sempre a conspirar. É um dos muitos deserdados do governo Pafioso que, tal como PPC, nunca fez nada na vida. Empregou-se no PSD e, quando não está no governo, é avençado da cunha. 
 Confirmada  a massa de que era feita a turba que foi ao Terreiro do Paço, faço apenas uma pergunta: porque é que os silenciosos, em vez de se  manifestarem por aí sem qualquer utilidade, a não ser provocar arruaças, não vão ajudar as vítimas dos incêndios a reconstruir as suas casas, ou visitar os feridos  aos hospitais e deixar- lhes uma palavra de conforto?
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Lição da semana

Mesmo que a razão esteja toda do teu lado e todas as provas o confirmem,  nunca uses a  teimosia como argumento. Recorre ao diálogo, mostra humildade e, se for preciso, pede desculpas. É isso que as pessoas gostam  e, mais tarde do que cedo, acabarão por te dar razão.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXIX)

E se ela não se chamar Caroline, de certeza que também é sweet. Por isso divirtam-se e tenham um excelente fim de semana. Boa noite

O Cinquentenário

Faz hoje 50 anos, um jovem deixou a casa dos pais e veio para Lisboa estudar. Trazia a cabeça povoada de sonhos e a certeza de que nunca seria advogado, apesar de estar inscrito na Faculdade de Direito.
Trazia na bagagem o entusiasmo de quem se ia tornar independente a muito breve prazo e que de Lisboa partiria para percorrer o mundo.
Cumpriu-se a sua vontade e o seu destino. Cinquenta anos depois, o jovem percorreu os caminhos que tinha traçado. Embora não tenha tido oportunidade de os explorar a todos como pretendia,  tem a convicção de que soube viver a vida e a aproveitou na plenitude. Nada tem para lamentar no dia em que o seu prazo de validade expirar. Isso é suficiente para ser feliz e encarar a morte com naturalidade. Como mais um capítulo da sua (não) existência.


Street Food



Ainda sou do tempo em que havia arraiais. Para quem não sabe, arraiais eram bailaricos em que havia roulottes ou tendas onde se vendiam couratos, cachorros, bifanas e outras iguarias ricas em gordura, cozinhadas em condições de higiene muito duvidosas. Juntavam-se uns putos a vender rifas para uma obra social, convidava-se um artista para animar  a malta, bebiam-se umas bejecas e estava feito.
Hoje em dia, organizam-se umas manifestações ao ar livre  onde há uns entretenimentos para putos, umas barracas de venda de produtos de artesanato e outras de  associações que organizam peditórios e vendem alguns produtos mais ou menos imprestáveis. Nestas manifestações,  as comidas continuam a ser confecionadas em condições  de higiene muito duvidosas mas, como existe a ASAE e  as roulottes e tendas foram substituídas por veículos retro,  triciclos ou outros veículos muita giros, as pessoas confundem aquilo com comida gourmet e chamam-lhe Street Food.
Se é para continuar a vender lixo alimentar, não precisam de usar anglicismos

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVIII)

Tal como diz o King, não precisam de se incomodar.
Boa noite

Aparições

Agora, que já apareceram as armas de Tancos, só falta aparecer o relatório que o Expresso inventou!Estará em casa de Balsemão?

A ver a banda passar!



Um tipo faz uma queimada (proibida por lei). As condições atmosféricas provocam a propagação da chama, daí resultando um incêndio de grandes proporções. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente.
Um condutor deita uma beata acesa pela janela. O calor propicia uma ignição rápida, o incêndio deflagra em segundos, as labaredas ceifam vidas e destroem casas. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente.
Está um dia de calor insuportável. A jovem está no jardim e não resiste a banhar-se no lago, ignorando os avisos de proibição que estão por todo o lado. Ao final do dia começa a vomitar, é levada para o hospital e morre. De quem é a culpa? Do ministro da saúde, obviamente
Uma criança  queixa-se do calor que está na piscina, reclama aos pais que o levem para casa, os pais mandam-no calar, a criança vai para junto da piscina, os pais continuam a conversar com os amigos, a criança cai à água e  morre afogada. De quem é a culpa? Da falta de fiscalização, obviamente
A família colocou o guarda sol por baixo de umas arribas, indiferente aos avisos de perigo. Uma pedra cai e mata uma criança. De quem é a culpa? De quem não fechou a praia, obviamente.
Um tipo entra na auto estrada em contramão. Choca com outro automóvel. Morre. De quem é a culpa? Da Junta Autónoma das Estradas, obviamente.
Um tipo enebriado pela febre consumista endivida-se, assumindo compromissos que não pode cumprir. Fica numa situação económica insuportável. De quem é a culpa? De um ministro, ou dos bancos. DELE é que não é de certeza.
O filho de 14 anos é  alimentado a fast food durante a semana e a shots nas noites de fim de semana. Chega a casa de madrugada bêbado,  está gordíssimo, sofre de diabetes, tem problemas cardíacos, não consegue concentrar-se nas aulas. De quem é a culpa? Do sistema de ensino.
Uma senhora escorrega num cocó de cão, parte uma perna e vai para o hospital. De quem é a culpa? Da Câmara que não limpou.
As pessoas vão para os jardins, parques públicos  e matas fazer piqueniques e não só não limpam a porcaria que fazem, como ainda deitam dejectos, restos  de comida e garrafas para o lago onde andam os patos e as fontes onde alguns se banham.  Chega um turista, vê aquela porcaria toda, comenta estes portugueses são uns porcos. Logo um tuga, indignado, se levanta e responde: Não, não! A culpa é da Câmara que não tem aqui vigilantes, nem limpa a porcaria dos jardins.
Um tipo ateia um incêndio porque é maluquinho, ou porque foi pago por alguém para o fazer. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente!

Somos uma Nação com quase 900 anos, mas o povo que habita este rectângulo não consegue ultrapassar a idade mental de 9.  Além de irresponsável, nunca assume a culpa dos seus actos. Há-de sempre apontar o dedo acusador a uma qualquer pessoa ou entidade, como escudo da sua incúria.
É altura de os portugueses  saberem comportar-se com civismo e assumirem as suas responsabilidades. CRESÇAM, PORRA! Por uma vez na vida, assumam as vossas responsabilidades em vez de perderem tempo a encontrar culpados.
Reconheça-se, porém, que numa coisa se pode apontar o dedo ao Estado: não ter coragem de obrigar as pessoas a comportarem-se com civismo, respeitando as leis e regulamentos e optar pelo eterno "deixa andar" dos brandos costumes de um país cujo povo tem como desporto favorito, A ver a banda passar.

De quem é a culpa?



Costumo dizer que num divórcio há sempre dois culpados.
O divórcio de Marcelo e  Costa não é excepção.
Sendo ambos inteligentes, Marcelo é o parceiro de afectos  que publicamente manifesta a sua  fidelidade, mas que em privado tem uma amante.  
António Costa casou por interesse. Procura cimentar o casamento que fez sem amor mas, como é superteimoso, esgotou a paciência do parceiro que o abandonou e se entregou nos braços da amante.
Há qualquer coisa neste divórcio que me faz lembrar a França de Hollande, mas é na fotografia que se descobre a realidade.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVII)



Calma aí! Só porque está a chover há três dias não precisam de ser pessimistas e acreditar no que estes tipos dizem. Boa noite!

Portugal ao espelho

Quando um povo acredita que pedir desculpa alivia a consciência ou apaga os erros cometidos, está a admitir que não aspira a mais do que viver num país medíocre.

Um divórcio anunciado


Eu escrevi várias vezes neste Rochedo que Marcelo Rebelo de Sousa iria romper com António Costa logo que Passos Coelho se pusesse ao fresco. 
O encontro com Teresa Leal Coelho no último dia de campanha eleitoral e, posteriormente, o almoço com Santana Lopes, foram sinais evidentes de que Marcelo estava prestes a romper com António Costa e já tinha aberto as portas do recreio para fazer as suas habituais traquinices.
Ficou provado a quem tivesse dúvidas  ( eu nunca as tive) que Marcelo nunca despiu a camisola laranja e as suas deambulações dos afectos pelo país são apenas uma faceta do seu egocentrismo.
Com o discurso de ontem à noite, MRS quis mostrar aos seus que nunca os abandonou. A dureza das suas palavras abriu uma crise política.
 Não deixa de ser curioso que um PR que sempre recusou crises e pediu estabilidade política, tenha sido o detonador dessa mesma crise. 
Alguns manifestarão o seu regozijo pela demissão da ministra mas, no fundo, todos sabem que não é uma mudança de caras que vai resolver o problema dos incêndios.
Segue-se uma moção de censura. Tendo em consideração que por estes dias se discute o OE, conclui-se que vem na melhor altura para Costa e na pior para BE e PCP. Nem é preciso explicar porquê, pois não?
Espero que todos estejam à altura do desafio que MRS lhes lançou. Ou o governo sai mais fortalecido e tem apoio da esquerda sem tibiezas, ou a geringonça desconjunta-se e, em pouco tempo, os seus destroços juntar-se-ão às cinzas dos incêndios.

Porque não te calas?




Com a lata, falta de vergonha e pudor que lhe são conhecidas, Passos Coelho veio pedir a demissão de António Costa.
O cobardolas  que  se escudou atrás da troika para  tomar medidas que separaram famílias,empobreceram os portugueses e mataram alguns à fome, vem dizer que António Costa não tem condições para continuar.
O javardo que inventou suicídios em Pedrógão, cortou salários e pensões depois de ter jurado que nunca o faria, vendeu o nosso património sem qualquer critério ou estratégia, vem dizer que António Costa já não merece a confiança dos portugueses. 
 É preciso não ter um pingo de dignidade na puta da vida para, depois de ter destruído o país, vir pedir a demissão de um primeiro ministro que devolveu a dignidade aos portugueses que trabalham ou vivem das suas pensões.
CALA-TE, PAL... Ou melhor. Continua  a falar, a dizer essas parvoíces porque estás a dar uma boa ajuda à geringonça.

Xi Jinping: he has a dream!



Começa hoje o Congresso do Partido Comunista  Chinês. Xi Jinping é uma das figuras com mais autoridade na China, desde  Mao Tse Tung, tendo alicerçado o seu poder na promessa (efectiva) de combater a corrupção que ameaçava minar o partido e, quiçá, o regime. 
Os meus amigos chineses ( e também muitos portugueses) irritavam-se muito comigo quando eu dizia que a pior desgraça que poderia acontecer ao mundo, era a China tornar-se um país democrático de modelo ocidental.
Xi Jinping pensa da mesma maneira e pretende que em 2049 a China se torne uma nação ainda mais rica e poderosa, com uma sociedade moderna e próspera onde a pobreza esteja erradicada, mas seguindo o seu próprio modelo. 
Tenho profundo respeito e admiração pela milenar cultura chinesa e é com muito orgulho que sou padrinho de casamento de amigos chineses, de cujas uniões resultaram frutos de que sou padrinho. Tenho assistido com muito interesse e algum enlevo à modernização da China, conseguida sem abdicar da sua identidade e cultura e  rejeitando subordinar-se ao modelo ocidental made in USA.
Esse é o desafio que Xi Jinping quer concretizar, sem grandes sobressaltos. Para tal, irá tentar quebrar várias regras de sucessão do poder, entre as quais a de que ao fim de 10 anos terá de abandonar o cargo. 
Dentro de dias ( não é possível dizer exactamente quando, porque os Congressos do PCC têm data de início marcada, mas não data de encerramento), saberemos se da reunião magna do Palácio do Povo na Praça de Tian An Men sai fumo branco para um sucessor de Xi em 2022, ou se há indícios de que o seu mandato se pode prolongar, quebrando assim as regras estabelecidas pelos cânones de Pequim.




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVI)

Os Middle of the Road numa canção dos anos 70, mas ainda muito sixties. Espero que se divirtam a ver o video. Boa noite

Frida e outras histórias




Em Setembro, após  um dos  terramotos que abalaram o México,  a  cadeia de televisão Televisa noticiou a existência de uma menina  que estava debaixo dos escombros  de uma escola. Chamava-se Frida Sofia. Uma jornalista conseguiu falar com a menina  e ouvir-lhe o choro. Outros, de jornais locais, ouviram-na pedir água e outro ainda viu a criança mexer um bracinho a pedir socorro. A Marinha mexicana identificou Frida Sofia como sendo uma criança de 12 anos que não morrera durante o abalo, porque se escondera debaixo de uma mesa de granito. 
 O México inteiro emocionou-se com a história. Brigadas de salvamento  foram deslocadas para o local e desdobraram-se em esforços para salvar Frida Sofia. A comunicação social noticiou que os bombeiros tinham conseguido, com uma mangueira, dar água à menina. 
A CNN  acrescentou que entrara em contacto com Frida Sofia e a criança dissera que tinha  mais crianças junto dela, à espera de serem salvas  O suspense durou dois dias.  O México ficou colado aos  televisores, emocionado, durante dois dias. 
Até se perceber que a história era falsa. Não havia criança nenhuma sob os escombros. A notícia foi dada inicialmente pela Marinha, baseada em testemunhos de socorristas e populares... 
A Televisa baptizou a menina de Frida Sofia e continuou a alimentar a história, enquanto pôde,  mesmo depois de a Marinha a ter desmentido. As audiências justificavam que a história não morresse tão depressa.
Por cá, foi noticiada a morte de um bebé de um mês durante os incêndios de domingo. A Protecção Civil, baseada em testemunhos populares, confirmou a morte, mas   o CDOS de Coimbra ( onde teria entrado o cadáver) não confirma.
Se bem se lembram, durante o incêndio de Pedrógão, também foi noticiada a queda de um Canadair espanhol e a morte do piloto. Quatro meses depois ambos se encontram bem. Porque nunca existiram.
Onde quero chegar com isto? A lado nenhum. Apenas à constatação de que hoje é preciso estar muito atento para destrinçar o que é notícia do que é telenovela ou reality show.

Animais de companhia




Toda a gente sabe que adoro animais e sempre aplaudi a legislação que  deixou de os considerar coisas, ou a que pune os donos que infligem maus tratos a animais ou os abandonam. Também ficaria muito satisfeito se fossem melhoradas as condições de transporte dos animais que vão para abate, bem como as condições em que  sobrevivem nos aviários, para acabarem nos nossos pratos .
No entanto, esta proposta de lei que permite a entrada de animais em restaurantes parece-me descabida, por várias razões. Uma delas é não estar definido na Lei o que são animais de companhia (  tenho um amigo que anda com um pequeno sagui para todo o lado e sei quem tem coelhos e até pequenas cobaias que, como todos sabem, são dos animais mais porcos à face da terra) Há outra ainda mais importante: os proprietários dos animais que desrespeitam os outros clientes.
Ainda no último Verão  tive um quiproquo no Hotel da Paraia Verde, porque um cliente ia para a sala do pequeno almoço com um cão monstruoso que se esforçava por ficar sossegado, mas era muito "falador" e passava o tempo todo a ladrar, a ganir e a abanar-se.
Eu não vou de férias para ser importunado com pêlos de cães e gatos, por isso, espero que  hotéis e restaurantes passem a informar nos seus sites se aceitam cães. É que talvez os autores da proposta não saibam o que significa " contaminação cruzada", mas eu explico: o simples abanar da cauda de um cão pode não só lançar pêlos para as mesas vizinhas, como contaminar comida. Se gostam de comer em pocilgas e a higiene não vos preocupa,  nada contra mas, por favor,  não obriguem os outros a partilhar a vossa manjedoura.
E não me venham com a treta de que a regulamentação da Lei prevê a punição dos infractores. Todos os dias vejo montanhas de cocós nas ruas e nos jardins onde brincam crianças e nunca vi ninguém ser multado por não limpar o cocó do seu cão. 
Já agora, sugiro que ouçam os comentários dos turistas que passeiam no paredão Cascais- Azarujinha, quando vêem os montes de cocós espalhados ao longo daqueles três quilómetros. 
Pelos direitos dos animais vou onde quiserem, mas não tenho pachorra para este peditório. 
Os senhores deputados que apresentam propostas que colocam em causa a saúde pública deviam, pura e simplesmente, perder o mandato. 
Finalmente, com a devida vénia, replico as perguntas colocadas por este nosso amigo Acrescento apenas mais uma. E porque não autorizar a entrada de animais nos hospitais, incluindo os blocos operatórios?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXV)


Eu também gostava, por isso, deixo este desafio para início de semana: quais são os vossos contributos para que isto possa acontecer?
Boa noite e boa semana.

E mais Pedrógãos virão...




Quem acredita que nos próximos anos não haverá mais Pedrógãos, ou vive na Lua, ou é ignorante.
Há 30 anos que sabíamos que os incêndios iriam ser uma calamidade em Portugal. Mas também em toda a Península Ibérica, na Califórnia, na Austrália e na América do Sul ( especialmente no Chile). Pode dizer-se, com razão, que o Estado devia ter aplicado medidas preventivas que atenuassem os efeitos dos incêndios, até porque já tínhamos sido avisados pelo menos duas vezes este século de que os incêndios tinham tendência a tornar-se mais devastadores. A verdade é que pelo menos na Califórnia e na Austrália foram tomadas medidas e as notícias e imagens que ainda hoje chegam da Califórnia são aterradoras. 
Podem continuar a pedir a cabeça da ministra como troféu, ou exigir a demissão do governo, mas novos Pedrógãos são inevitáveis porque as alterações climáticas criam condições favoráveis a ocorrências aparentemente inexplicáveis. Escrevi dezenas de artigos sobre este assunto e não terei sido o único a não me surpreender com a tragédia de Pedrógão. Surpreende-me mais que haja pessoas a exigir a demissão da ministra, como se o problema se resolvesse com mudança de rostos ou de cadeiras, quando em causa estão catástrofes naturais.
Os inúmeros testemunhos de populares, ouvidos ao longo do dia, afiançam que nunca foram vistas condições atmosféricas como as verificadas durante os incêndios de ontem.  
Para desgosto dos mais cépticos e dos que gostam de fazer aproveitamento político das catástrofes, estes testemunhos e a realidade confirmam que, pelo menos desde Pedrógão, são conhecidas e experienciadas as alterações climáticas que afectam Portugal e propiciam a rápida propagação das chamas.
Esse reconhecimento não invalida, porém,  que acredite na possibilidade  de reduzir o número de incêndios. Não acredito é que isso seja possível com brandos costumes.
Enquanto incendiários apanhados em flagrante continuarem a ser mandados em paz, ou a serem punidos  com penas ridículas (quase sempre suspensas);
Enquanto as autoridades continuarem a fechar os olhos a quem faz queimadas;
Enquanto não forem proibidos os foguetes e fogos de artifício em tudo quanto é romaria, durante os meses de Verão;
Enquanto não forem punidas severamente as faltas de civismo dos condutores, propiciadoras de provocar ignições;
Enquanto não se repensar a Floresta e o Ordenamento do Território;
Enquanto os partidos políticos continuarem a usar os incêndios como arma de arremesso político, em vez de se porem  de acordo sobre as medidas essenciais e urgentes que são necessárias para diminuir o risco de incêndios ( repensar a Floresta, o Ordenamento do Território, a política dos baldios e um conjunto alargado de penas dissuasoras para comportamentos cívicos que funcionam como ignição de incêndios);
Enquanto as estradas florestais continuarem a ser caminhos de cabras destinados apenas a veículos todo terreno;
Enquanto não houver coragem de combater as mafias dos fogos;
Enquanto continuarmos a ser este maldito país de Brandos Costumes, onde proliferam os irresponsáveis e egoístas, os incêndios continuarão a consumir o país e os nossos recursos naturais. 
Tudo isto, aliado à incontornável questão das alterações climáticas ( que muitos continuam a negar, apesar das evidências ) contribuirá para destruir o nosso património Natural.
 Sem medidas drásticas, mais incêndios hão-de vir, o país continuará a arder e toda a gente a lamentar o horror,  mas nada impedirá que novos Pedrógãos ocorram. Parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, diria que chega de conversa e de apontar dedos a potenciais culpados. É altura de mudarmos de vida, antes que as alterações climáticas acabem com ela neste rectângulo à beira mar plantado.
Não há nada a fazer por quem não perceba isso. A não ser perguntar-lhes se  dão razão  aos galegos que nos estão a culpar dos incêndios  que devastam a Galiza.
Uma vez que não vejo os povos desses países a pedirem a demissão de nenhum ministro palpita-me que, não tarda nada, ainda alguém  vai culpar o governo dos incêndios na Califórnia, no Chile ou na  Austrália.
Nessa altura, Constança Urbano de Sousa demite-se ou será demitida e os ministros da Administração Interna desses países permanecerão nos seus lugares, porque já foi encontrado um culpado. Para gáudio de Assunção Cristas e pafiosos similares.