segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Isto vai acabar mal

Quando a retoma se tornou uma realidade, escrevi que o meu maior receio era que os portugueses se esquecessem das causas que levaram à crise e voltassem a endividar-se como se não houvesse amanhã.
Já havia sinais bem visíveis dessa possibilidade e, na última sexta-feira, confirmou-se. Os bancos voltaram a  conceder crédito à balda e os tugas não se fazem rogados. Uns e outros sabem muito bem que outros hão-de pagar as suas dívidas. Encanita-me saber que serei um deles. 
Revolta-me que o Banco de Portugal, apesar de saber o que se está a passar, não aja e finja que não se passa nada.
Intriga-me o silêncio do governo, sem coragem de alertar os portugueses para os perigos do sobreendividamento, nem para chamar a atenção dos bancos e instituições financeiras para a necessidade de serem mais criteriosos na concessão de créditos.
Eu sei que por muitos avisos que se façam, os tugas farão ouvidos de mercador e, quando as coisas derem para o torto, armam-se em vítimas, apontam o dedo acusador aos bancos e exigem ao governo que lhes devolva " o que os bancos lhes roubaram".
Sinceramente, estou farto desta lamechice de gente irresponsável que vê no consumismo a sua realização pessoal. 

3 comentários:

  1. Nem mais!!E eu ate apoio este governo,mas não se percebe esta atitude!

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  2. Concordo. Sei que é como passar um atestado de menoridade mental aos cidadãos, mas o governo devia fazer alertas contra o endividamento das famílias, tal como há campanhas para poupar água, separar lixo, etc.
    Sei também que a iniciativa privada gosta pouco, ou nada, que o estado interfira nos seus negócios, e a sobranceria dos bancos, em particular, é sobejamente conhecida. Aqui, não sei como, mas o estado devia definir mecanismos que limitassem os empréstimos bancários consoante o perfil do cliente. Será isto algo exagerado e até perigoso porque cerceia a liberdade do cidadão? Talvez. ..mas por que raio tenho eu (temos todos) de ter de vir a pagar os devaneios megalómanos de uns tantos?

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  3. Estava a ver o Telejornal em que focaram essa realidade e eu e a minha mulher tivemos o mesmo comentário que o Carlos - cheira a esturro e a déjà vu.

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