sábado, 1 de julho de 2017

Lição da semana

Não foi propriamente uma lição. Foi antes a confirmação daquilo que eu suspeitava...
A receita do concerto solidário com as vítimas de Pedrógão Grande  está a desencadear uma guerra política, bem demonstrativa do respeito que os políticos têm pelas vítimas, mas também da forma como certas organizações  aproveitam a solidariedade dos portugueses para fazerem política.
Contra todas as regras básicas do bom senso, os promotores do concerto entregaram o dinheiro à União das Misericórdias, descurando o facto de o presidente da Misericórdia local ser presidida pelo candidato do PSD à Câmara de Pedrógão.( Aquele que inventou uns suicídios na sequência dos incêndios).
O actual presidente da Câmara, eleito como independente numa lista do PSD em 2013 e que se candidata novamente em 2017 como independente, mas agora na lista do PS, não gostou e reclama que a verba angariada seja entregue ao  Fundo de Apoio às Vítimas, gerido pelo Estado.
Sempre disse que era difícil ser solidário em Portugal, porque nunca sabemos onde vão parar as verbas destinadas a apoiar vítimas de catástrofes. Saber que estas foram distribuídas com evidentes conotações partidárias mete-me nojo e ensinou-me que por nada me devo desviar do princípio que sempre defendi: escolhe aqueles a quem queres ajudar. Nunca entregues essa tarefa a terceiros, porque corres o risco de o teu gesto solidário não chegar aos destinatários.

8 comentários:

  1. Por todo o respeito que me merecem as vítimas, não contribui com nenhuma chamada! Quando ouvi que o dinheiro ia ser entregue a tal sujeito, fiquei logo de pé atrás!! Já não posso ouvir sobre esta tragédia, mudo logo de canal, agora apareceu um advogado, com um ar que me lembra o "antigamente" a botar discurso..... menos!!

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  2. É sempre assim nas grandes catástrofes. O povo ajuda. Mas muitas vezes essa ajuda perde-se pelo caminho.

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  3. Mas Carlos, esta semana ouvi o pres. da CGdD a dizer que o prazo de para recolha de donativos tinha sido prolongado até sábado (ontem) e depois de ser apurado a totalidade dos
    donativos e dado que representa um grande valor que tem de se avaliar bem a situação e quem irá gerir as verbas. A ideia foi mais ou menos esta. Eu sei que não contribui, porque quando ouvi falar dum provedor duma misericórdia fiquei logo com os cabelos em pé e até senti nojo de ver depois o senhor na TV. Já basta o de Lx que agora quer ser banqueiro e vai pôr o dinheiro duma instituição criada com determinado fim, ir ainda esbanjar mais dinheiro do que já se tem perdido.
    Por outro lado das chamadas 60 cêntimos são para as vítimas e para quem vai os 23% do IVA?

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  4. "O Ministério das Finanças vai devolver o valor cobrado em IVA sobre as chamadas para linhas telefónicas criadas nos últimos dias para apoiar as populações afectadas pelos incêndios, apurou a SÁBADO.

    Cada chamada acciona um donativo de 60 cêntimos que depois é tributado à taxa mais alta de IVA, 23%. Ao todo, quem faz o donativo paga cerca de 74 cêntimos. "


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  5. Sim, são situações a lamentar e sobretudo a evitar! No entanto que isso não nos desmotive de ajudar quem precisa. Ignorar é o grau zero da humanidade.

    Feliz domingo, Carlos

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  6. Não sou tão descrente na natureza humana, mas reconheço que há sempre o risco de descaminho. O acto de solidariedade, no entanto, nunca é em vão. Pelo menos quem dá, acaba sempre por de algum modo ser recompensado. Quem bem faz, bem se sente.Acho eu.

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