terça-feira, 4 de abril de 2017

Portugal ao espelho





Há dias um câmara e um repórter da RTP, enviados a uma escola para fazer uma reportagem sobre um caso em que uma criança de 12 anos terá violado outra de 9, foram barbaramente espancados;
Quase todos os dias se registam agressões bárbaras a professores, perpetradas por alunos e seus pais;
São frequentes os ataques a polícias quando tentam fazer o seu trabalho.
São situações tão banalizadas, que a maioria das vezes são relatadas em notícia de pé de página, ou em rodapé de telejornal. No caso de haver uma morte ou um espancamento que deixe professor ou agente de autoridade em estado lastimável, pode acontecer que o assunto seja notícia durante um dia, mas depois passa à história.
No caso das bárbaras agressões a uma equipa de reportagem da RTP, além de um (quase) silêncio ensurdecedor na comunicação social e nas redes sociais, ainda assistimos a uma jornalista ( Estrela Serrano) que já foi dirigente da ERC  e pertence actualmente ao Conselho de Opinião da  RTP, reagir de forma tão compreensiva com os agressores, que só lhe faltou dizer que os jornalistas estavam mesmo a pedi-las.
Prezo muito Estrela Serrano, mas acho inadmissível a sua posição. Condenar a agressão, não é uma posição corporativa, é uma questão de civismo. Colocar a questão como Estrela Serrano a expõe no seu blog é demagogia pura e está em consonância com a sentença daquele juiz que considerou que  o violador da turista tinha atenuantes, porque a maneira como ela ia trajada era provocatória.
Não nos preocupemos. A comunicação social afinal está atenta e preocupada com a violência mas... SÓ SE FOR NO FUTEBOL.

A agressão de um jogador do Canelas a um árbitro tem sido escalpelizada até à exaustão e o caso justifica-o. No entanto, mais do que estar preocupada com o árbitro, a comunicação social está empenhada em ligar essa acção ao facto de  alguns jogadores do Canelas FC pertencerem à claque dos SuperDragões, que a imprensa e televisões ligam constantemente aos problemas de violência no futebol.
Eu sei que os Super Drgões não são nenhuns anjinhos. Mas sei, também, que apesar desta relação causa efeito ( muito glosada na comunicação social, especialmente nas televisões) ser bastante popular, é também bastante despropositada porque acicata os ódios clubistas. 
A claque portista será pior do que a benfiquista? Lembro que foi uma claque do Benfica a única  que matou um adepto de um clube rival e, além disso, alguns dos seus membros têm sido indiciados em diversos crimes. Ainda há poucas semanas, sete adeptos benfiquistas foram condenados por um tribunal de Paredes por ameaças e tentativas de agressão a árbitros, mas a comunicação social remeteu-se ao silêncio.
 E que dizer do cadastro da Juve Leo?  Ou da Força Verde?
Não há inocentes nem demónios. Há, outrossim, uma enorme falta de rigor na informação e uns critérios abstrusos, assentes no trinómio clubite/ partidarite/favorecimento que transformam o jornalismo numa vendetta
Por favor, não me venham com a treta de que a  comunicação social noticia aquilo que as pessoas gostam de ouvir. Essa não é a função do jornalismo. O jornalista deve ser objectivo, dar notícias e não  satisfazer clientelas. Infelizmente, foi esse erro de paralaxe que transformou o paradigma noticioso. Hoje em dia, ao fazer o alinhamento de um noticiário, ou editar um jornal, há mais preocupação em atrair a atenção dos espectadores/ouvintes/leitores do que em ser rigoroso nas notícias veiculadas. 
No fundo, a comunicação social é o espelho de um povo mas, para sermos rigorosos, é preciso dizer que esse espelho foi  laboriosamente fabricado pela comunicação social, quando começou a vender notícias como espectáculo.
Tudo quanto atrás escrevi não invalida, porém, o que ontem defendi sobre  a agressão bárbara a um árbitro de futebol

11 comentários:

  1. Um texto excelente Carlos.
    Os atos de violência crescem a cada dia e estão considerados banais.A vida humana valendo muito pouco.Lamentável!
    Estou voltando aos blog's e diminuindo meu espaço em outras redes.
    Um abraço

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  2. A comunicação social está preocupada com o que convém a quem convém, é a sensação com fico muitas das vezes!

    Sabe Carlos, nunca imaginei que seria possível assistir à violência que se vive, o ser humano fez um mundo tão mau, onde não se dá valor à vida.

    Beijinho Carlos

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  3. Pois é, o seu texto está a bater nos pontos todos e a bater bem. Esta ausência de respeito pelos outros e pelo seu trabalho está a generalizar-se. É a bruteza em estado quase puro. Infelizmente. Toda a agressão é condenável. Toda.

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  4. Bom dia
    infelizmente é a pura realidade que temos hoje na comunicação social nomeadamente na T.V. portuguesa.
    É pena que este texto não seja publicado na própria comunicação social.
    tenho dito
    JAFR

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  5. Mas estamos a brincar?

    Estrela Serrano tem razão. Ponto.

    O código deontológico da profissão diz que "O jornalista não deve identificar, direta ou indiretamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade."

    Onde é que filmar as famílias dos menores envolvidos não é identificar e expôr as pessoas, ainda mais numa situação duplamente melindrosa de sexo e menoridade?

    Expliquem-me lá, como se eu fosse um dos jornalistas que criticaram Estrela Serrano , de que modo é que os jornalistas não violaram o código deontológico, por favor.

    É que à obrigação de se ser civilizado junta-se no caso dos jornalistas a obrigação de cumprir o código deontológico - código que não é uma esquisitice, é apenas o que os distingue dos agressores e de outros civis, o que lhes legitima e autoriza as questões. Não se consegue dar esta a notícia sem filmar as famílias dos envolvidos? Sem identificar os menores por essa via?

    Os jornalistas envolvidos deviam era ter vergonha e antes de se queixarem de apanhar (ossos do ofício, agravados pela reportagem violadora do código deontológico) se perguntassem se não lhes cabe a eles serem deontologicamente probos e se não cabe exactamente aos membros do Conselho de Opinião darem a sua opinião acerca da qualidade do trabalho que conduzem e do modo como o fazem.

    O que é mais central decisivo na qualidade do trabalho de um jornalista? Com que é que ele s deve preocupar em primeira instância? Com aquilo que tem obrigação de controlar (o modo como se conduz deontologicamente) ou com imponderáveis e incontroláveis pressões do ecossistema em que se movimenta (como estas agressões).

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    1. Caso não se escondesse atrás do anonimato, desmontava já a sua argumentação, Como não perco tempo com anónimos, porque os considero cobardes, limito-me a perguntar-lhe: quantas vezes os jornalistas violam o código deontológico, diariamente, sem que se assista a qualquer reacção corporativa?
      Justificar a agressão a um jornalista nos termos em que ES o fez, não dignifica o jornalismo.

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    2. Eu não estou escondido. A questão do anonimato é absolutamente irrelevante para a questão. Ou nunca leu o The Economist, sem autores? Depois o que considera ou deixa de considerar cobardia é lá consigo, eu também o posso considerar parvo (este post e a sua resposta aqui provam-no ululantemente e à exaustão), mas e depois?

      Não argumenta, mas pergunta? Com uma pergunta que nem sentido faz? De quem é a reacção corporativa aqui? Dos jornalistas da RTP. E em que sentido? Exactamente na defesa da violação do código, varrida para debaixo do tapete sob o pretexto de que foram agredidos. Tá bem, abelha.

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    3. Já percebi. É uma daquelas meninas da turma da Mónica que gravitam em torno da chefe e vivem a bajulá-la. Para esse peditório já dei. Próximos comentários serão eliminados.

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  6. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  7. Aceito bem as opiniões de outras pessoas. Não de anónimos, por que esses não querem comentar, mas sim ofender.
    O facto de apenas ter realçado uma pequena parte do post, mais ou menos irrelevante, esquecendo o fundo da questão, revela bem que não me enganei. Você é uma das meninas da turma da Mónica, que passa a vida a bajulá-la à espera da recompensa. Pavlov topou-vos bem, mas daqui você não leva nada. Quer alpista? Vá bater a outra porta. Sim, é verdade que lhe chamei cobarde (essa é uma condição inata dos anónimos) mas dou a cara. Você chamou-me parvo, mas teve de se esconder. Não quer que lhe chame parvo? Prefere que o trate por Florzinha?
    Posto isto, elimino mesmo o seu comentário, porque comentários de lambe cus não são dignos de figurar neste espaço. Passe bem e vá chatear a mãezinha. Pode ser que ela lhe dê a chupeta.

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  8. Confesso que lido mal com um certo tipo de gente onde Estrela Serrano se inclui.
    O Conselho de Redação da RTP pedi já a demissão dela do Conselho de Opinião. Por que será?

    A comunicação social portuguesa está a definhar. Salvam-se honrosas excepções que contudo não são suficientes para nos fazer esquecer o lado negro da coisa.

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