sexta-feira, 17 de junho de 2016

E se fosse consigo?




A Impresa está felicíssima porque o programa da SIC " E se fosse consigo?" foi líder de audiências no grupo programas de informação de todos os canais.
Eu compreendo a satisfação da Impresa, muito especialmente da SIC, mas dizer  que um programa baseado em  encenações ao estilo dos "Apanhados" é um programa de informação, desprestigia a informação e o jornalismo em geral.
Podem dizer que "E se fosse consigo?"  é uma espécie de talk show, um programa de entretenimento ou ficção, o que quiserem, mas não confundam aquilo com  informação.  Admitir que se trata de informação é reconhecer que, hoje em dia, as notícias são fabricadas ou encenadas para atingir determinado fim.
Pensando bem... reflectindo melhor... a Impresa é capaz de ter razão. Basta recordar o folclore em volta dos Panama Papers, a quantidade de notícias fabricadas para agradar a um determinado espectro político ou tentar influenciar uma decisão judicial, para aceitar que  " E se fosse consigo?" se enquadra dentro dos parâmetros que hoje regem a informação a que temos direito...

10 comentários:

  1. Não é a informação a que temos direito...
    ...é a que nos é impingida!
    Temos direito a estar bem informados...
    ...mas dificilmente estaremos olhando para a imprensa e a televisão...

    :)

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  2. Carlos,
    não sei se a IMPRESA - Sociedade Gestora de Participações Sociais, SA, neste caso concreto, a SIC, está ufana por ter sido líder de audiências com o programa citado.
    Nunca assisti a nenhum 'episódio', mas sei do que se trata pela publicidade feita pela jornalista - de quem muito gosto - Conceição Lino, nos intervalos de outros programas.
    Na minha modesta opinião, o dito programa estará incluído nos de informação já que se trata de informar a população, de um modo geral, dos casos de discriminação, violência verbal, física e outras. Mas, essencialmente, das reacções ou ausência delas, dos transeuntes que assistem a cenas, que indignariam os mais indiferentes e, no entanto, passam e desviam-se como se nada do que acontece: insultos, encontrões, e tudo o que se possa imaginar, não lhes dissesse nada. Esquecem que, no mínimo, deveriam intervir a favor da vítima, senão actuando directamente contra o agressor, chamando-lhe a atenção para o acto indigno - quer era o que eu faria - pelo menos pedindo a presença da autoridade.
    Claro que os actos são encenados, mas quem a eles assiste não sabe.

    Toda a gente enche a boca quando se fala em cidadania, mas a maior parte das pessoas joge de actos de cobardia, onde o poder do mais forte sobre o mais fraco é evidente e acontece na via pública, só para não se meter em 'trabalhos' e aborrecimentos.
    Será que o egoísmo é apanágio dos tempos modernos?

    Carlos, não sei se consegui passar-lhe a minha ideia e opinião acerca deste tema. Gostaria muito ter-me feito entender, embora não tenha disso a certeza. Culpa minha, claro!

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    1. Também gosto muito da Conceição Lino, Janita, mas isso não me impede de criticar o programa. Vi bocados de alguns episódios e, lamento, mas aquilo não é informação.
      A Impresa manifestou o seu regozijo em comunicado e também com um best of do programa.
      Quanto ao resto ( nomeadamente o comportamento das pessoas) estou totalmente de acordo consigo. Aliás, nem de propósito, o post que acabei de publicar aborda a cidadania numa outra perspectiva que traduziria em linguagem popular por " de pequenino se traça o destino".

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    2. Conceição Lino é uma apresentadora que tem sido, sempre mal aproveitada. Tem capacidades que não consegue mostrar por causa da falta de qualidade dos (poucos) programas que lhe têm dado.
      O "E se fosse consigo?" é um flop. Conceição merece muito melhor, tal como os telespectadores.

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  3. Regem a informação. Mas não aquela a que temos direito.

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  4. Ainda sobre o programa de que só vi parte de um episódio sobre violência doméstica: não acha que é uma forma de chamar a atenção das pessoas no sentido de se sentirem mais solidárias? É que nas redes sociais todos falam e mandam bitaites e condenam e...mas na encenação - que todos julgavam real - quem é que deu a cara quando o suposto marido molestava a mulher? Uma brasileira, um jovem, uma mulher que sofrera do mesmo (isto segundo me foi contado que já não vi esta parte do programa). Tornámo-nos cómodos voyeurs. Umas lesmas esponjosas.

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    1. Obviamente que é uma forma de chamar a atenção, Bea, mas isso não chega para o incluir no âmbito dos programas de informação.
      Por outro lado, o que escrevo, não é para condenar os oblectivos do programa mas, tão somente, chamar a atenção que nos andam a impingir como informação coisas que o não são. Infelizmente, a comunicação social confunde cada vez mais entretenimento com informação e isso, quando aplicado a outros sectores, pode ser perigoso.

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  5. Estou totalmente de acordo, Carlos.
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