quinta-feira, 28 de abril de 2016

E depois vendem -nos que a culpa é dos antibióticos...


Pese embora o sensacionalismo que rodeia muitas destas notícias, não há dúvidas que estamos a ser envenenados por via alimentar.
Não é novidade, nem surpresa. Desde o DDT  que esse envenenamento se vem processando lentamente, como chamou a atenção Rachel Carlson  no seu livro "A Primavera Silenciosa" em 1964.
Desde o início da década de 90, com a explosão da indústria alimentar, os riscos de "envenenamento lento" têm aumentado.  Um dos maiores venenos são os transgénicos, mas nem as inúmeras vozes qualificadas que há duas décadas avisam contra os perigos desses produtos têm sido suficientes para travar a sua utilização.
A indústria alimentar, cujo máximo expoente é a Monsanto, deveria estar no banco dos réus mas, em vez disso, recebe há duas décadas apoios surpreendentes.
Em 1999, por exemplo, 170 países estiveram ( mais uma vez...) reunidos para debater as implicações do OGM na saúde humana. Contando com o apoio do Canadá, Austrália, Chile, Uruguai e Argentina ( os maiores produtores de OGM), os Estados Unidos conseguiram fazer valer a sua posição ( não inclusão nos rótulos de esclarecimento sobre a origem dos produtos, quando em causa estiverem OGM).Se quem não deve não teme, porquê esta recusa? Muito estranho, principalmente desde que duas dezenas de cientistas de diversos países constataram - através de uma experiência feita com ratos- que aqueles animais apresentaram deficiências nos seus sistemas imunitários, depois de terem sido alimentados com batatas geneticamente modificadas.
O cientista que divulgou o estudo foi despedido do laboratório onde trabalhava.( A prática de matar o mensageiro
vem de longe...)
Não é novidade o envenenamento por via alimentar, mas continua a omitir-se o envenenamento por via pulmonar, atribuindo ao tabaco e aos automóveis todas as culpas pela poluição atmosférica, mas desviando as atenções dos problemas causados por centrais nucleares, indústrias poluentes e indústria de guerra.
Estamos a ser envenenados, mas também anestesiados. Primeiro foi a sociedade de consumo em versão soft: apelo ao consumo de produtos, com saldos, promoções e outras diversões. Actualmente, com as novas tecnologias cada vez mais desenvolvidas e a comunicação em rede permanente, estão a tentar anestesiar-nos.
O lado bom da coisa é morrermos inconscientes, ou com um sentimento de culpa por termos abusado dos antibióticos*.
Sem sabermos, sequer, que os transgénicos não estão apenas nos alimentos. São utilizados também em medicamentos e até no vestuário.
* Não se trata de negar que consumimos antibióticos em demasia. O que não vale é meterem-nos medo com umas coisas e depois esconderem-nos outras, porque é preciso defender as empresas e os interesses económicos associados.

5 comentários:

  1. Se a ideia era chamar a atenção para o perigo dos transgénicos, o meu caro presta um mau serviço. Deixa a impressão que quer os problemas de saúde provocados pelo tabaco quer a poluição causada pelas emissões dos automóveis não são afinal tão importantes como se diz que são. São mesmo. Aliás, convém lembrar que durante décadas as tabaqueiras manipularam os níveis de nicotina para viciar os clientes ou financiaram 'investigação independente' para lançar a confusão e impedir o consenso médico. Curiosamente, a mesma tática utilizada por aqueles que agora negam o aquecimento global. Ou o que dizer dos sucessivos escândalos de manipulação das emissões, que começaram com os veículos da VW? Quem quer fumar ou andar de carro que saiba que não tem desculpa, porque a informação que existe é inequívoca...

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    1. Deve ter percebido mal, Jaime Santos. Se ler com mais atenção, perceberá que não desvalorizo os problemas do tabagismo, só que não sou tão ingénuo que me deixe enganar. Em primeiro lugar, só fuma quem quer, mas respirar todos respiramos e poluição urbana é muito mais prejudicial à saúde, do que o tabaco.
      Com os antibióticos, passa-se o mesmo. Só devem ser tomados com receita médica e os médicos devem ser cautelosos na sua prescrição. Já os alimentos são produtos que ingerimos por necessidade imperiosa de nos alimentarmos mas, por falta de informação e porque a rotulagem é inadequada, estamos a ser envenenados sem nos apercebermos disso.
      Enquanto puder continuarei a resistir à intoxicação informativa- promovida por governos e multinacionais- que nos tenta convencer que se separarmos os lixos e deixarmos de fumar estamos a resolver os problemas do planeta. Isso é uma fraude em que não alinho.

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  2. Tudo o que nos faz mal tem uma origem: os interesses financeiros. A partir daqui, vale tudo, desde que não se defenda o interesse do ser humano (e não só).
    E assim vai o mundo...

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  3. Que giro que é ver autocarros em Macau, a cair de podres, a emitirem fumos que dá a impressão de estarem quase a arder, com publicidade anti-tabágica, Carlos...

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    1. Não sei se é sádico se masoquista. Mas para mim há um anúncio que eu nunca esqueço e que me faz sempre sorrir. Era este que faziam nos eléctricos: A imagem dum passarinho mandado calar os outros que dizia:"Psiuuu! Está um Siera a tocar!" Já tem muitos, muitos anos mas nunca mais me esqueci. De facto, este mundo é um paradoxo.

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