quarta-feira, 2 de março de 2016

Uma medida pensada com os pés

O governo de Passos Coelho agravou brutalmente os descontos para a ADSE, alegando que o sistema era deficitário e prometendo que voltaria a reduzir essa taxa, se houvesse superavit.
Neste momento, os funcionários públicos pagam 3,5% do salário para terem direito à ADSE, mas estudos do próprio sistema dizem que uma taxa de 2,1% seria suficiente para manter o equilíbrio do sistema. Logo,  funcionários públicos e pensionistas  estão a ser espoliados, pelo que se  esperava que este governo repusesse a justiça e reduzisse a taxa para um máximo de 2,5%, o que continuaria a garantir um superavit nas receitas da ADSE.
Estranhamente, nem PS nem os partidos de esquerda que apoiam este governo manifestaram qualquer interesse em repor a justiça.
Numa decisão contranatura, o governo decidiu alargara possibilidade de acesso aos filhos dos funcionários públicos, com idade até 30 anos.
Não se trata de uma bizarria. É, pura e simplesmente, uma estupidez!
A medida não só vem perverter o sistema, como agravar a distinção entre trabalhadores do Estado e do sector privado, com a agravante de que estes últimos, desde que tenham um pai ou cônjuge funcionário público podem também usufruir do sistema.  E se é aceitável que a ADSE seja extensiva ao cônjuge, já é menos razoável que se aplique a filhos com 30 anos! Não é nada difícil imaginar as vigarices que vão proliferar por aí. Mas adiante...
Os principais beneficiários desta medida vão ser os hospitais privados que, assim, passam a ter mais uma fonte de receita do Estado, graças a mais algumas dezenas de milhares de clientes. 
Por outro lado, esta medida cria uma dupla injustiça: actualmente ambos os cônjuges de um casal de funcionários públicos tinham de descontar 3,5% do seu salário  para terem acesso à ADSE. A partir de agora, apenas um precisa de descontar e o outro "apanha boleia".  Ou seja, um casal de funcionários públicos ganha 3,5%   no seu rendimento mensal.
A outra injustiça resulta de os descontos serem iguais, independentemente do número de beneficiários de um agregado familiar. Ou seja: um funcionário público, solteiro, desconta a mesma percentagem do seu salário que um casal com uma prole numerosa.

10 comentários:

  1. É discutível a iniciativa do governo. Convém, entretanto, dizer que para beneficiar da ADSE tem que pagar os mesmos 3,5% que os pais. Quer dizer que o benefício, a sê-lo, tem custos para quem passar a tê-lo.

    Doeram-me as entranhas ouvir no passado sábado, no programa da SICN 'Eixo do Mal', a propósito do assunto, Pedro Marques Lopes. Discordou da medida, o que se compreende pelo direito que tem à discordância. O que não tem direito é de exclamar, criticando os filhos até aos 30 anos, "façam-se à vida, vão trabalhar".
    Isto não!

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  2. Os funcionários públicos têm sido os bodes expiatórios desde há vários anos. Não se esqueçam que eles contribuem para os dois sistemas e que não podem fugir a impostos. Dizem que os funcionários públicos ganham bem, mas esquecem-se que os seus patrões não descontam a sua parte para a ADSE, nem SS, logo ficam muito mais baratos. Também se esquecem do rico sistema do SAMS, que tem os melhores serviços e especialistas e antes só tinham um pequeno desconto, nem descontavam para a SS. Para já não falar dos que trabalham para empresas de Seguros, que beneficiam de seguros. Até funcionários de Autarquias, beneficiam de seguros, pois são uma ilha no meio dos públicos. Curiosamente não é muito fácil encontrar um bom especialista que dê consultas pela ADSE, nem quem faça exames especiais. já os vulgares exames, esses sim, beneficiam os privados. Eu por exemplo nunca tive ninguém que beneficiasse dos meus descontos e nem médico de família tenho. Ainda ontem tive de pagar mais 75€ por uma consulta.
    Esta é mesmo uma medida sem pés nem cabeça. Eles só pretendem acabar com a ADSE, porque assim os que descontam mais acabam por fazer um seguro que fica mais barato. sÓ OS DE BAIXOS RENDIMENTOS FICAM BENEFICIADOS.
    As estatísticas são o que são, e embora a maioria tenha sofrido maiores aumentos este artigo diz alguma coisa:
    http://www.publico.pt/economia/noticia/descontos-para-a-adse-aumentaram-mais-de-400-euros-em-quatro-anos-1724352

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  3. No estado em que o mundo do trabalho está não entendo porque se insurge. Muita gente não encontra emprego antes dessa idade. E nem todos podem fazer um seguro de saúde. Penso que a medida é boa.

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    1. Que eu saiba a bea nunca gostou de números e costuma andar sempre na lua. É muito fácil desejar o melhor para toda a gente, sem saber o que se passa à sua volta. É tão bonito filosofar.

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  4. Palavra que não entendi
    peva do que li
    mas se fiz a leitura correcta
    retiro a conclusão contrária
    e a minha parece-me certa
    Isto é:
    um casal tinha de pagar 7% e agora apenas paga 3,5%?
    Boa!
    E o filho tem direito a usufruir até aos 30 anos?
    Boa!
    Aos 31 tem de pagar o mesmo que paga um casal?
    Qual é o mal?

    Case-se e tenha filhos e, se possível, muitos!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Distribua todas as despesas fixas para manter uma casa e sobreviver por uma só pessoa ou por duas, com o mesmo rendimento cada uma, e, se conseguir fazer contas, veja quem sobrevive melhor.

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  5. As alterações na ADSE introduzidas pela PAF criaram uma situação cheia de contradições e que, a manterem-se, só pode ter uma consequência: a extinção do "Subsistema". Os elementos conflituantes estão identificados pelo autor do "post". A única solução face à situação criada -manutenção do sistema de benefícios e inscrição facultativa- seria transformá-la numa espécie de mutualidade com algumas tonalidades de seguro privado. De qualquer forma, a manter-se a inscrição voluntária, não haverá solução que evite o definhamento financeiro primeiro e depois, inevitavelmente, a desagregação, basta pensar um bocadinho...

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