sexta-feira, 18 de março de 2016

Tout passe, tout casse, tout lasse...

Ouvi dizer que corre por aí uma petição para impedir o encerramento do Jamaica.
Confesso que já estou um bocado cansado de petições salva vidas. Como contribuinte salvei imensas salas de cinema que não servem para nada, porque as pessoas não vão ao cinema e não foram encontradas actividades alternativas que tornassem aqueles espaços apelativos e rentáveis.
Doeu-me ver o enceramento do Quarteto, do Londres ou do King, porque naquelas salas vi alguns dos filmes da minha vida;
Doeu-me chegar um dia a Portugal e  ver um Mc Donalds no lugar onde estava a Colombo, e uma Zara no lugar do Monte Carlo, porque ambos os locais faziam parte da minha história de vida;
Dói-me passar pelo Europa e concluir que de nada valeu a Câmara ter aplicado uma parte dos impostos, taxas e derramas dos lisboetas na tentativa de recuperação daquele espaço. Os únicos beneficiários de tão ruinosos investimento foram os agentes imobiliários. 
Nada tenho a opor quando a CML, em articulação com os proprietários de determinados espaços, concede alguns incentivos, para que se mantenham abertos. Creio que terá sido a solução encontrada  para a Mexicana ou a Versaillees. Também me parece que a autarquia tudo deve fazer para preservar espaços que fazem parte do património cultural e arquitectónico da cidade, como é o caso do Martinho da Arcada, por exemplo.
Não me parece é normal que a autarquia se arvore em defensora de uma parte do património da cidade que tem apenas valor sentimental para algumas gerações. Como acontece com os cinemas e cafés  a que aludi.  Ou com a Jamaica e o há muito extinto AdLib.
Somos nós, cidadãos, que escolhemos através do voto o tipo de sociedade em que queremos viver. Ao fazê-lo, devemos conhecer as suas regras. Pelo nosso comportamento diário, escolhemos viver na sociedade do efémero, da novidade, do usa e deita fora do  onde não há lugar a saudosismos. 
"Tout passe, tout casse, tout lasse...",dizem os franceses. Uma expressão perfeita para a sociedade em que vivemos.

2 comentários:

  1. Também já começo a estar cansada de Petições.

    Se abandonarmos os espaços, de que serve mant~elos abertos? Passa pela nossa opção e não só pelo derrame de dinheiro sobre os casos.

    Embora me pareça que estão fazendo hotéis a mais em Lisboa e se banalizam a cidade, esta deixará de ter atractivos para turistas.

    Amigo, bom fim de semana

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  2. Não sou de Lisboa, desconheci os defuntos que refere no post, não sabia do Jamaica até ao barulho das revistas. E não concordo minimamente que, por vivermos numa sociedade consumista se entre na banalização de todo o património histórico, ou daquele que faz a história das cidades. Detesto petições e penso que tais decisões deviam, em princípio, pertencer a organismos próprios e serem devidamente fundamentadas. Mas admito excepções. O que não sei é se o Jamaica enquadra na excepção.

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