quinta-feira, 3 de março de 2016

Contra a corrente

Quando escrevi este post, estava apenas a especular sobre uma hipótese que me parecia plausível. Alguns leitores encararam-no como uma defesa da juíza, mas não foi essa a minha pretensão. Tentei apenas, como faço muitas vezes, pôr-me do lado de fora da cauxa e pensar contra a corrente.
Este fim de semana o "Expresso" publicava a defesa da juíza e os fundamentos do seu pedido de escusa.
Em relação à forma como tratou Bárbara Guimarães, Joana Ferrer esclareceque " optou por um registo mais familiar ( chegou a trata-la por querida) para tentar diminuir o seu nível de ansiedade, p qual foi patente durante a audiência".
Quanto às críticas à demora em apresentar queixa, acertei na mouche. Esclarece a juíza, algo que me parecia óbvio:´
" É imprescindível, é ingente, que as vítimas de tal crime ( de violência doméstica) se queixem assim que comecem a surgir as primeiras agressões , colocando-se em tempo útil sob a protecção da justiça"
E mais adiante a magistrada esclarece que  tem sido confrontada demasiadas vezes com a recusa de alegadas vítimas deporem em tribunal, deixando a justiça de mãos atadas  e impotente.
Não pretendo, com este post, clamar a minha razão. Apenas quero realçar que nem sempre o que parece é e que, muitas vezes, o exercício de pensar contra a corrente pode ser muito útil para evitar juízos precipitados.

6 comentários:

  1. Continuo a pensar que uma juíza não tem que tratar-nos por "querida". Estou fartinha (e até já desisti) de repreender as lojistas e as funcionárias de gabinetes médicos cheias de familiaridade e a adulterar a palavra. De uma juíza esperamos melhor do que um "querida" chapa cinco que é a forma como alguns homens tratam as mulheres que nem lhe são muito chegadas e também as suas, o que dá que pensar.

    Pois não. Nem sempre o que parece é. Mas convém que, de vez em quando, seja. Porque é uma chatice andar a gente sempre a desconfiar da corrente e a pensar contra. Não apetece.

    :) No post anterior, também não me pareceu que defendesse a juíza. Mas, e se acaso tivesse sucedido, qual era o mal? tem direito à sua opinião como eu à minha podendo ambas estar erradas ou certas ou assim assim.

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  2. Sempre detestei quando um adjectivo é usado como substantivo. Fico logo de pé atrás. Não me interessa a escusa da juíza, que, neste caso, nem tem mamas para assumir o seu papel. não é com as suas bocas que as vítimas se vão queixar mais depressa. Como disse no comentário do postal anterior sobre o mesmo assunto as saídas são tão poucas e precárias. não foi esta semana que um tribunal entregou a filha (criança) a um pai pedófilo, só porque as várias queixas da mãe aguardam julgamento noutros tribunais. Uma mãe que tinha fugido do Algarve para Trás-os-Montes, mas nem mesmo assim se livrou do martírio.

    P.S.- ninguém lê revistas cor-de-rosa mas é engraçado como o seu postal anterior mereceu tantos comentários. É uma forma de distracção...

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  3. O drama da violência doméstica, que aqui foi durante muito tempo varrido para debaixo do tapete da harmonia (ao murro e ao pontapé??), parece ser agora encarado na sua extraordinária gravidade.
    Finalmente, o crime público está a caminho.
    Esperar que a vítima se queixe não resulta, Carlos.

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  4. Acabou de ser afirmado no "Sexta às 10" que "as vítimas de violência doméstica se sentiam ainda mais vítimas dos tribunais".

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Isto vem publicado neste livro feito pela jornalista com depoimentos de vítimas:

    "Vidas Suspensas" elaborado pela A.P.M.J. em colaboração com a jornalista Rita Montez e o apoio da C.I.G.

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