segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Foi você que pediu um escravo?



A última crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão começava assim:
Uma empresa chamada Work4U- Gestão de Carreiras colocou esta semana  na Internet um anúncio que dizia:
" Receba sem compromisso um estagiário durante 2 dias. EXPERIMENTE GRÁTIS!"
Sorri com a imaginação de RAP  e continuei a ler a crónica. As situações caricatas que ele descreve ao longo da crónica, em que um estagiário é tratado como um produto qualquer em promoção, levou-me a comentar mais tarde que desta vez RAP tinha ido longe demais.
Eu já sabia que há empresas a fazer entrevistas de emprego em montras, expondo os candidatos à apreciação do público; que há empresas que contratam pessoas como estagiárias durante um ano, sem direito a remuneração; que há empresas que empregam pessoas por um valor mais baixo do que o declarado, para receberem a comparticipação do Estado; que  há empresas  a angariar trabalhadores em leilão; que há ( havia?) espaços públicos onde os trabalhadores são recrutados diariamente por angariadores, depois de uma observação "a olho" da sua capacidade para trabalhos pesados.
Sei até que durante quatro anos tivemos um ministro do trabalho que negociou com as empresas trabalho escravo e um pm que ofereceu gratuitamente a outros países europeus milhares de jovens formados em Portugal.
Presumo mesmo que o anterior governo, ao reduzir a operacionalidade da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) tinha como objectivo dificultar a fiscalização das empresas.
O que eu não imaginava é que havia empresas que tratam os desempregados como produtos descartáveis, retomam os métodos da escravatura e ainda se dão ao luxo de publicitar a sua acção.
Na sequência de uma denúncia, a ACT está a investigar a empresa Work4U. Espero que a encerre rapidamente e entregue os responsáveis à justiça. Temo é que a justiça considere estes procedimentos normais

9 comentários:

  1. Eu li esta notícia e ouvi-os na TSF ( não me lembra o nome do programa ) e ainda estou baralhada. Peço desculpa , mas custa-me a entender.
    M.A.A.

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  2. Adoro ler as crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão.

    Estes procedimentos são absolutamente normais, Carlos, não só em Portugal como noutros países.

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    1. Normais, Ematejoca? Então ainda bem que sou anormal e me revolto. E felizmente que esses comportamentos "normais" são ilegais em Portugal.

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    2. Carlos, quem trabalha como intérprete no tribunal já não se indigna com esses comportamentos, porque já assisti a casos muito piores, também ilegais na Alemanha, só que os patrões eram italianos e os trabalhadores eram portugueses.

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    3. Desses casos a que se refere também há na Holanda, no Luxemburgo, aqui na vizinha Espanha e até em Portugal nomeadamente com imigrantes caboverdianos e guineenses. Mas são casos muito diferentes deste que aqui relato, porque se trata de uma empresa a operar legalmente em Portugal.

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  3. Pois, também fiquei pasma coma existência de empresas destas. Shame on them! :P

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  4. Há coisas que vão para além do absurdo :(

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  5. É uma tristeza, ao que as pessoas têm que se sujeitar para arranjar um emprego miserável. E ainda se queixam os funcionários públicos! Eles, em que a grande maioria entrou sem qualquer concurso, apenas por terem um bom padrinho. Vamos ver o que vai mudar.

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