quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A bolha do Unicórnio




Na semana passada fui ver "A Queda de Wall Street". À saída lembrei-me de uma conversa que há anos, quando a crise financeira  estava no auge, tive com uma colega da Rádio Renascença, no final de um trabalho  numa empresa muito ecológica dos arredores de Lisboa.
No regresso comentávamos  como a bolha imobiliária  despoletara a crise financeira e a minha colega vaticinou que a próxima bolha a rebentar seria, precisamente, a da economia verde.
Argumentei que para isso seria preciso um desenvolvimento muito rápido da indústria verde, o que não me parecia muito plausível. Não tinha dúvidas, no entanto, que depois da bolha das empresas dot.com  em 2001e do imobiliário, em 2007 uma terceira bolha se estaria a formar e rebentaria com estrondo quando menos esperássemos.
Cinco ou seis anos depois desta conversa,  continuo a duvidar que, a curto prazo, tenhamos surpresas desagradáveis provenientes da economia verde. Não me parece, sequer, que se possa falar ainda de bolha.
 Hoje em dia, apostaria que a próxima bolha a rebentar será a das start ups. Ou, para ser mais preciso, a bolsa dos Unicórnios ( nome dado às start ups que atingem um capital de 1 milhão de dólares e passam a ser cotadas em bolsa).
Passo a explicar como fundamento esta suspeita.

Empreendedorismo rima com modismo e as bolhas formam-se nesse contexto. Não é uma novidade da evolução tecnológica, é uma consequência da economia de mercado. Tanto atinge empresas a operar on line, como empresas que operam em espaços físicos.  Olha-se para a proliferação de  padarias em Portugal e  não será muito arriscado vaticinar que nos próximos anos vamos assistir ao encerramento de dezenas de padarias. A exemplo do que aconteceu no final dos anos 80, princípio de 90 com as croissanterias. Os consumidores estão sempre à procura de novidades ou excliusivos e saturam-se quando a oferta se massifica, ou a marca se vulgariza. Um exemplo bem actual é o gin. Depois de um período de euforia, os consumidores estão a trocar o gin pelo rum, obrigando a uma adaptação da oferta por parte dos estabelecimentos.
Por ora as start ups, embora muito centradas nos serviços, têm apresentado uma variedade de opções que as torna distintivas umas das outras, mas não me parece que  assim vá ser durante muito mais tempo. O modismo levará a que outros empreendedores apostem em segmentos que dão grandes lucros e, em vez de apostas inovadoras, copiem o que já está feito, introduzindo algumas alterações. ( Como acontece nas padarias, ou sucedeu com as croissanterias). A partir daí, os investidores privados  ou se desinteressam, ou exigem um retorno cada vez mais rápido. Por outro lado quando uma start up entrar no universo das Unicórnio, a cotação em bolsa não deixará de atrair o interesse de especuladores. Daí ao estoiro, não costuma demorar muito tempo. Basta que alguns "especialistas"  atentos ao crescimento das start ups comecem a estudar os sectores mais vulneráveis e  apostem no seu estoiro.   
Como se pode ver com o estouro da bolha do imobiliário, em "A Queda de Wall Street".  O que espanta é que só um tipo tenha previsto o que iria acontecer. Era tão óbvio, que qualquer leigo na matéria poderia vaticinar o estoiro. Ou talvez não... afinal, na economia, os agentes olham essencialmente para o comportamento dos números e esquecem as pessoas. Quando alguém pensa fora do quadrado, está o caldo entornado...

2 comentários:

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    Muito bem pensada esta consumição!
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  2. Não me surpreenderia nada que daqui a algum tempo o Carlos estivesse aqui a dizer - "eu bem avisei!"

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