terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Um murro no estômago


Hoje, ao acordar, apanhei um murro no estômago. A notícia da morte de Almeida Santos apanhou-me de surpresa. Conheci-o em 76, tive o privilégio de trabalhar com ele durante dois anos e essa experiência ficou sempre gravada na minha vida como algo de sublime. Almeida Santos não foi apenas um lutador anti fascista que lutou pela liberdade, um tribuno de excelência., ou um político dos afectos. Era uma pessoa de uma grande generosidade, de um trato invulgar com os seus colaboradores, excepcional em termos humanos, que lutava por causas e era de uma sabedoria ímpar. Marcou a minha vida mas, acima de tudo, deixou uma forte marca neste país.
Ninguém recolhe a unanimidade de opiniões positivas e muitos lhe farão críticas, mas acusá-lo de ter "vendido" Moçambique aos comunistas ( como já ouvi ...) é de uma idiotice sem nome.
Não por acaso, muitos daqueles que o acusam de ter vendido Moçambique ( gente que abandonou Moçambique depois da independência) assistiram impávidos à tomada do poder por um grupo de bandidos que vendeu o país ao desbarato e, por vezes, com indícios de falcatrua, como no caso da TAP. Mas, para esses, não houve uma recriminação. Apenas um encolher de ombros.

5 comentários:

  1. ~~~
    ~ Grata pela informação, não fazia ideia dessas qualidades
    humanas de Almeida Santos.

    Não faltaram reacionários ressabiados - que acabaram por se
    integrar no CDS - a destratá-lo.

    Um exemplo de homem coerente e democrático.
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  2. Tive um tio meu que viveu em Moçambique até à independência e que conhecia muito bem Almeida Santos, considerava-o amigo.
    Por volta de 1975, ainda antes da independência de Moçambique, o meu tio procurou Almeida Santos para ouvir o conselho deste se devia ficar ou não em Moçambique após a independência.
    O meu tio perguntou-lhe: «O que devo fazer? Ficar ou voltar à metrópole?»
    E Almeida Santos responde mais ou menos isto: «Como ministro do governo português, posso dizer que Moçambique será um país amigo de Portugal e como tal não vejo razões para ter qualquer receio em ficar.
    Mas o meu tio não convencido com a resposta, retorqui-lhe: «Eu vim encontrar-me com o amigo, não com o ministro e por isso quero ouvir a opinião do amigo e não a do ministro.» E Almeida Santos não se desfazendo responde: «Sendo assim, pira-te daqui para fora o mais rápido possível».
    Achei este episódio engraçado e que no fundo prova a amizade que Almeida Santos tinha pelos seus. Embora Almeida Santos não fosse da minha área política, reconheço que era um indivíduo com uma enorme cultura e sabedoria, foi porventura durante largos anos o deputado mais bem preparado que tivemos na Assembleia da República.
    Que descanse em paz!

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  3. Muito ligado a Macau e à redacção do Estatuto Orgânico, que esteve na base da actual Lei Básica, junta mente com Carlos D'Assumpção.
    Também à Geocapital com Stanley Ho e Jorge Ferro Ribeiro.
    Que repouse em paz.

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  4. O problema é mesmo o encolher de ombros.
    As pessoas que não os encolhem, quando partem, sente-se que são uma perda para a humanidade.
    Temo que pessoas assim tenham deixado de existir lá pela geração do sr. Almeida Santos. Simplesmente a formação que recebiam era diferente, o que os fez crescer diferentes. Vêm o mundo como um todo e menos com o umbigo. RIP

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  5. Odiado pelos chamados «retornados» que agora militam PAF....

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