quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O final deste filme não vai ser bonito de se ver (2)

Se o caso Matteo Renzi é patético, mas revelador da cobardia europeia quando se fala de dinheiro, o que por estes dias se está a passar na Europa em relação aos refugiados é preocupante.
Na Dinamarca, os refugiados são espoliados dos seus bens ( só podem ficar com 1340 euros e joias pessoais, como alianças) e a reunificação da família só é possível ao fim de três anos.
Na  Holanda,  os refugiados têm de entregar 75% do seu salário ao governo, para pagar as despesas no sítio de acolhimento. Medida que está a ser muito bem acolhida em alguns estados alemães, apesar da posição - que já aqui enalteci- da senhora Merkel.
No País de Gales os refugiados são obrigados  a usar pulseiras fluorescentes, para serem facilmente identificáveis.
Nem vale apena argumentar que estas medidas são uma clara violação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Seria uma perda de tempo pôr-me aqui a fazer uma dissertação sobre a desumanidade destas medidas, ou de como são o prfenúncio de uma Europa que chegou a ser um exemplo para o mundo civilizado.
O que importa neste momento reflectir é que as medidas avulsas tomadas por cada país, só foram possíveis porque a Europa não tem liderança, os governantes da maioria dos países não têm valores, e as instituições europeias só são solidárias quando se trata de roubar e punir os pobres que lutam pela sobrevivência.
Não me revejo numa Europa vergada ao poder dos mercados e insensível à miséria, mas não é difícil prever que o final deste filme não vai ser bonito de se ver.

4 comentários:

  1. Essa decisão dinamarquesa é completamente estapafúrdia.
    Empurrar os refugiados para outros países?
    Que vergonha!!

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  2. Primeiramente gostaria de esclarecer que nesta crise migratória, segundo dados mais recentes avançados por Bruxelas, 60 a 70% dos migrantes não são verdadeiros refugiados. Alguns números apontam mesmo para 80%. Sendo assim a maior parte dos estados europeus encaram estas pessoas como meros emigrantes económicos aplicando-lhes as medidas mais dissuasoras e restritivas possíveis. Porquê? Porque como o Carlos refere e bem sobre este tema não tem havido liderança na Europa ou acima de tudo (como se viu agora no caso Renzi) a Europa verga-se ao politicamente correcto ou então faz como o avestruz e enfia a cabeça na areia e finge que não se passa nada de grave.
    Neste cenário os países afectados por esta crise tomam as tais medidas avulsas como muito bem entendem, medidas essas muitas vezes tomadas em desespero de causa e em último recurso dada a avalanche de migrantes que assolam esses países. Embora essas medidas que o Carlos critica e que são de facto no mínimo censuráveis à luz dos valores europeus, são como já disse, tomadas em último recurso. Pessoalmente preocupam-me mais as mulheres europeias molestadas e violadas na noite de ano novo em várias cidade europeias, o roubo e a morte de vários europeus às mãos de migrantes, não vou estar a referir casos em concreto, porque basta ir a net ver isso.
    Mas ao contrário de si Carlos, achei a atitude da Sr.ª Merkel de acolher um milhão de migrantes, irresponsável e perigosa. A Sr.ª Merkel foi alertada por políticos e especialistas demográficos que a Alemanha, mesmo sendo a maior e mais rica economia da Europa, não estava em condições de receber mais de 200.000 migrantes. Sob pena haver graves tensões sociais e aumento da criminalidade. Infelizmente os acontecimentos da noite de ano novo compravam esta teoria.
    Ao ler este seu texto fiquei quase com a sensação que não foi escrito pela mesma pessoa que escreveu sobre este tema no dia 12/1/2016 o texto com o titulo: «Um dia a casa vem abaixo» no link http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/search?updated-max=2016-01-14T18:30:00Z&max-results=20&start=20&by-date=false e que de certa forma responde a muitas das perguntas deixadas no ar por este seu texto acima.

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  3. Quando ler o meu post "politicamente incorrecto" a publicar no início da próxima semana, vai ver que foi realmente a mesma pessoa. Só que- especialmente em casos muito polémicos- eu gosto de analisar os dois lados da questão. Abraço e bom FDS

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