terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A propósito de Invernos quentes...

Na sequência do post anterior, proponho-vos agora esta reflexão.

Em 2015 tivemos oportunidade de assistir a vários fenómenos metereológicos e climáticos que prenunciam algumas borrascas. Se o alerta vermelho em Pequim, provocado pela poluição que  levou à proibição de circulação automóvel na capital chinesa durante vários dias  foi bastante noticiado, porque ocorreu enquanto decorria a COP 21 em Paris, menos se ouviu falar de idêntica decisão adoptada pelas autoridades italianas logo a seguir ao Natal, na cidade de Nápoles.
Dos 15 anos deste século foram os mais quentes de sempre, desde que há registos e 2016 será o ano mais quente de sempre. Apesar de ser notório o aquecimento global, o El Niño tem sido apontado pela generalidade da comunicação social,como o causador das elevadas temperaturas deste Inverno. 
Centrar num fenómeno circunstancial  as causas das alterações climáticas  serve para desviar a atenção das pessoas das verdadeiras causas, mas não é sério.
 A explicação  está à vista de todos e a enorme montanha de entulho que no dia 20 de Dezembro desabou na cidade industrial de Shenzen, soterrando 33 edifícios - e provocando um número indeterminado de mortos- é um sinal evidente de que o modelo de desenvolvimento económico e de consumo insustentável  ( assente no desperdício e na obsolescência forçada) também mata.
Cinicamente, tranquilizam-nos com a ideia de que se tratou de um acidente...

2 comentários:

  1. Não é um acidente, Carlos.
    É mais um no rol dos muitos "acidentes" :(

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  2. Você está coberto de razão quanto á insustentabilidade do modelo económico-social. Mas, havendo mil boas razões para questionar esse modelo, teremos mesmo de chamar o clima para a discussão? É que o clima como argumento fragiliza a discussão, pelo menos por duas razões: a primeira é que o clima numa foi uma constante, como tem obrigação de saber qualquer caloiro de geografia; a segunda é que quando vem com essa conversa dos anos mais quentes, toda a gente se esquece de questionar se a metodologia ( estações manuais vs estações automáticas digitais ) e o contexto ( envolvente ) em que os dados foram obtidos permitem compará-los directamente !

    MRocha

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