quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Última Hora

Domingo à noite,enquanto fazia zapping à espera das notícias da meia noite, vi na TVI 24 uma notícia de última hora-a passar em rodapé enquanto uns senhores discutiam futebol- anunciando que o BANIF ia fechar.
De imediato imaginei o filme no dia seguinte: centenas de pessoas a correrem para os balcões do banco para levantarem as suas poupanças mas, pensei melhor e alvitrei que, se a notícia estava a ser dada, o mais provável é que o BANIF já não abrisse as portas na segunda-feira.
Entrementes zarpei para a RTP 3. Surpreso, constato que enquanto uns senhores também discutiam futebol, em rodapé passava uma notícia de última hora que desmentia a noticia de última hora da TVI.
Como optei por ver as notícias da RTP 3 ( entretanto na TVI continuava a discutir-se futebol) fui para a cama com algumas dúvidas  que só desfiz na manhã seguinte, quando a TVI assumiu ter errado e dado uma notícia sem a ter confirmado.
Como alvitrara na noite da véspera, à porta do BANIF havia dezenas de pessoas a quererem levantar as suas poupanças. 
São facilmente imagináveis e contabilizáveis os prejuízos que uma notícia falsa como a divulgada pela TVI provocaram ao banco. O mesmo não se pode dizer do prejuízo causado ao país ( ou seja, aos contribuintes) que dificilmente poderá ser avaliado.
O BANIF decidiu processar a TVI " por danos irreparáveis" o que é compreensível.
Alguns jornalistas saíram em defesa da TVI, alegando que enganos todos podemos ter.
Se é verdade que todos nos enganamos, também é verdade que um jornalista não pode cometer o erro de dar uma notícia destas, com tremendo impacto na vida de um banco e de milhares de depositantes, sem a ter confirmado. Ora, como a própria TVI reconheceu, a notícia foi para o ar em destaque, sem ter sido previamente confirmada, o que é um erro gravíssimo e impróprio de um jornalista decente.
Nunca alimentei corporativismos bacocos e também não será agora que o irei fazer. Espero, por isso, que a TVI seja condenada pela sua irresponsabilidade que só compreendo pela funçanguice de querer ser a primeira a dar uma notícia, sem ponderar as consequências. No entanto, mais do que isso, gostaria muito que o tribunal conseguisse apurar ( e seria importante para todos ficarmos mais esclarecidos sobre a promiscuidade entre jornalistas e certas fontes) quem foi a fonte que deu a notícia falsa. É que, ou muito me engano, ou esta fuga de informação não teve nada de inocente, mas sim outras motivações que era bom apurar.

4 comentários:

  1. Não tendo responsabilidades de jornalista
    dou-lhe uma lista
    de jornais
    que pelos vistos
    se fecham, não abrem mais
    Ele é o Semanário Económico
    Ele é o Sol
    Ele é o i
    e o mais que se vai vendo por aí

    Os bancos? Esses estão a salvo

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  2. Tenho pena que o jornalismo esteja pelas vielas (já nem ruas são) da amargura...

    E temos que ter muito cuidado, sim...porque a actual Direita e acólitos de tudo são capazes.

    As tuas melhoras, amigo, e bons sonnhos

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  3. A concorrência é despudorada e desregrada, Carlos.
    O prejuízo causado dificilmente será reparável.
    Aquele abraço

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  4. E será mesmo falsa. Carlos ?

    Abraço
    Um bom natal

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