segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O ovo da serpente

A FN de Marine Le Pen ganhou a primeira volta das eleições regionais em França e pode ser a grande vencedora da segunda volta, no próximo domingo, se Republicanos e Socialistas- os partidos do sistema- não conjugarem esforços para derrotar a FN. 
Noticia o Le Monde que Sarkozy já manifestou a indisponibilidade de os Republicanos desistirem em favor do PSF, mas ainda não é conhecida a posição do partido de Hollande, o grande derrotado destas eleições. 
 Com pouco mais de 20% dos votos, o PSF foi castigado pelos eleitores franceses pela sua política errática, não conseguindo melhor do que o terceiro lugar. 
Uma vitória da FN em mais de duas regiões no próximo domingo, será apenas mais um aviso para a Europa. 
Preocupados apenas com os mercados e com o politicamente correcto, os lideres europeus têm contribuído de forma eficaz para a ascensão da extrema  direita que vai emergindo em vários países. Continuar a defender que na hora da verdade os eleitores acabam por votar nos partidos do sistema, para impedir a vitória da FN é uma enorme cegueira.
Marine Le Pen - apoiada financeiramente por um banco russo e aclamada por Putin- poderá ser apenas o primeiro caso de sucesso da extrema direita europeia e se a vitória do próximo domingo se estender a mais do que 5 das 13 regiões francesas, então há razão para começar a acreditar que em 2017 o Eliseu poderá vir a ser ocupado por Marine Le Pen com o efeito de contágio que poderá alastrar a outros países europeus.
Por outro lado, uma vitória de Le Pen dará mais força a Putin e alterará inevitavelmente a relação entre a Europa e a Rússia. 
Diga-se, em abono da verdade, que a vitória da FN vinha sendo anunciada há anos, não constituindo por isso uma surpresa. Surpreendente, é a indiferença dos líderes europeus face a uma ameaça que nem sequer foi velada, pois Marine Le Pen nunca escondeu ao que vinha  ...

Em tempo: talvez seja precipitado afirmar que os acontecimentos de Paris foram determinantes para a vitória de Le Pen. Na verdade, na capital francesa a FN teve uma votação inferior a 10%.As causas da vitória da extrema-direita a nível nacional radicam em causas muito mais profundas, que tentarei analisar num dos próximos dias.


5 comentários:

  1. Carlinhosamigo

    Dizia o Eça: Como vai essa bizarria? Oxalá estejas a caminhar para NOS CONFORMES

    A Europa não tem por onde se lhe pegue... Mas o Mundo está também igual...

    Ver a extrema-direita aliada com o ex KGB Vladimir Putin é inconcebível - mas exista. Vala-nos a Senhora da Agrela, que não há santa como ela...

    Abç do Leãozão

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  2. Se fossem os acontecimentos de Paris estes proto-fascistas não andavam a crescer eleitoralmente há anos.
    Pode ter tido alguma influência, não foi decisivo.
    Aquele abraço, boa semana

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  3. Inteiramente de acordo. O ovo já estava a chocar há muito.

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  4. O Carlos ainda se lembra do romance visionário e simultaneamente bem realista: "Submissão", Paris, 2022, de Michel Houellebecq?

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  5. Creio que anda tudo mais ou menos insano e que o cidadão comum em vez de estar atento ao que o rodeia se perde em futebóis e outras alienações. Com a agravante de achar serem teorias da conspiração todos os alertas que vão aparecendo.

    Concordo contigo e com Pedro Coimbra: os acontecimentos parisienses não foram determinantes.

    E receio muito que Marine Le Pen consiga o que seu pai não conseguiu, ou seja, ser Presidente da República.

    As tuas melhoras, amigo, e boa semana

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