terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O grande embuste

Quando se iniciou a Cimeira do Clima, em Paris, escrevi que o pior que nos podia acontecer era a COP 21 terminar com um acordo anunciado como um sucesso, apenas para enganar papalvos.
Infelizmente, foi isso mesmo que aconteceu. O Acordo de Paris é um enorme embuste que não vai alterar (quase) nada.
Como escrevia aqui no dia 30 de Novembro, um acordo que mantenha inalterável o mercado do carbono, será sempre coxo. Infelizmente, foi isso mesmo que aconteceu...
O facto de não ser vinculativo em matérias tão importantes como a utilização de combustíveis fósseis como fonte de energia, é apenas um exemplo do voluntarismo expectante que enforma todo o acordo. Mas há mais. Muito mais...Traçar metas, mas não estabelecer regras vinculativas que permitam atingi-las, é ficar dependente da vontade de cada país e sem mecanismos eficazes para detectar se os compromissos assumidos estão a ser cumpridos. Razões mais do que suficientes para considerar o Acordo de Paris, um retrocesso em relação ao Protocolo de Quioto.
 Não menos importante é o "falso" Acordo de Paris não só deixar no ar imensas dúvidas sobre os mecanismos de fiscalização ( diria que são mesmo inexistentes) como continuar a empurrar com a barriga a resolução de problemas fundamentais: o sistema produtivo, as fontes energéticas, os comportamentos ambientais, os padrões e hábitos de consumo são apenas algumas das questões centrais quando se debatem os problemas do clima, que não podem ficar à mercê da vontade de cada país.
Os cidadãos continuam a ser enganados e não há sinais que deixem de o ser a partir de 2020, quando o Acordo de Paris entrar em vigor.

3 comentários:

  1. Um Acordo cheio de boas intenções, que deverá ser regulamentado a nível interno por cada país, vincula a quê???
    A fazer essa regulamentação??
    A montanha pariu uma....borboleta - muito efeito visual e pouco mais.

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  2. «... continuar a empurrar com a barriga a resolução de problemas fundamentais:
    o sistema produtivo, as fontes energéticas, os comportamentos ambientais, os padrões e hábitos de consumo
    são apenas algumas das questões centrais quando se debatem os problemas do clima, que não podem ficar à mercê da vontade de cada país. ...»

    (e dos Lobbies gigantes das petrolíferas e indústrias de automóveis, energia, papel, aço, armas, ... e claro dos bancos e oligarcas seus grandes accionistas e manipuladores de governos e Estados !!)

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