segunda-feira, 1 de junho de 2015

Pai Tirano ( me confesso)



As criancinhas não podem fazer exame de 4ª classe porque isso lhes provoca stress e podem ficar traumatizadas; ( Percebo agora porque vivo em stress constante. Devo pedir uma indemnização ao Estado?)
Têm de ser levadas pelos pais até à porta da escola, para não serem roubadas, abordadas por pedófilos ou  traficantes de drogas; ( no meu tempo o Homem do Saco era o mais perigoso obstáculo que tinha de evitar na caminhada que fazia desde a paragem do 15 até à porta de casa ou da escola)
As criancinhas de hoje devem comer hamburguers, pizas e fast food, porque isso da educação alimentar é invenção de uns fundamentalistas. Se ficarem doentiamente obesas, a sociedade paga a operação, porque é para isso que o Estado existe;( Eu detestava sopa e saladas, como a Mafaldinha, mas se não comesse, o que a minha mãe colocava na mesa,  problema era meu, porque não havia alternativa)
Se a criancinha bater no pai ou na mãe, a culpa é da crise; (Se eu levantasse a voz aos meus pais era falta de educação)
Se a criancinha for ridicularizada pelos colegas na escola é vítima de bullying e a escola, o ministério da educação e os professores devem ser responsabilizados; ( Se eu chegasse a casa e me queixasse por ter sido ridicularizado pelos colegas, recebia como resposta: aprende a defender-te)
Se uma criança de 16 anos mata outra de 14, porque tem inveja da roupa dela, é uma vítima da sociedade; ( No meu tempo havia crianças que matavam outras crianças ?Não me lembro…)
Se a Mãe da criança agressora  pedir que seja feita justiça ao seu filho é uma cabra, porque não sabe amar os seus filhos que deve defender até à morte ( mesmo que seja o filho a matá-la, ela deve perdoá-lo?).
A minha vida de criança deve ter sido muito infeliz, mas nunca me apercebi disso. Ainda bem, porque  chegado a adulto ainda vi governantes da geração dos meus pais íntegros e honestos.
Felizmente, os governantes de hoje em dia, apesar de serem uns mentecaptos,preocupam-se muito com o bem estar das crianças. É por isso que quando elas chegarem ao poder, daqui a uma geração, vão ser consideradas uns heróis. Aprenderam com a Marilú- exemplo de uma educadora esmerada dos tempos modernos- que se deve roubar  as reformas dos pais e dos avós para que elas próprias tenham o merecido bem estar.
Pronto, agora batam-me à vontade, por este desvario reaccionário, demonstartivo da minha senilidade e idiotice. Mas descansem, pois não perdi a capacidade de apreciar boas histórias. Como esta


28 comentários:

  1. Vire o bico ao prego misturando alhos com bogalhos.

    Para justificar exames, que nada adiantam à aprendizagem, apenas elenca que não lhe fizeram mal, usa-os como uma espécie de preparação para a ruindade da vida, que, de facto, não pode mesmo chegar quando chegou, mas antes ser antecipada, e, demagogicamnete, ainda aproveita para fundir exames com homicídios.

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    1. Ó Anónimo! Anda tão preocupado com o exame da 4ª classe, que já começo a ter pena de si. esteja descansado. Se conseguir ler um bocadinho melhor e interpretar um texto, vai ver que não custa nada.
      E não se incomode a responder, porque a partir de agora, comentários de anónimos monocórdicos ou mal educados, serão visados pela comissão de censura. Passe vem e estude, tá?

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  2. Acrescento ainda uma coisa, se me permites: se a criança não responde ao cumprimento, não é mal educada, tem personalidade forte ...

    Fica bem, amigo

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    1. Não só te permito, como agradeço o aditamento, amiga.
      Tem um bom resto de dia.

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    2. A minha teimosia foi sempre considerada como uma personalidade forte tanto na família como mais tarde na escola.

      FELIZ DIA DA CRIANÇA.

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  3. Têm personalidade forte , são muito inteligentes , sobredotadas até um dia que batam com a cabeça numa parede e os pais vejam as pestes que "educaram"....cada um vai ter o que merece ; a colheita é de acordo com a sementeira..
    Já agora , adorei a história desse cão.
    M.A.A.

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    1. Pois é, MAA.. e quando isso acontece, normalmente já é tarde e os pais não podem fazer nada.

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  4. Continuo sem concordar com o exame da 4ª classe, porque não há necessidade mesmo de mostrar grande sapiência nessas idades - sabem quase todos muito pouco, mas têm tempo de aprender mais e levar os exames mais a sério, como um primeiro estágio de crescimento.

    Quanto ao resto, acho absurda a permissividade que há com as criancinhas,inclusivé pais que nem lhes dizem nada quando elas asneiram em público. Ou se deitam no chão a fazer uma daquelas birras... :P

    Beijocas

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    1. Eu não entendo os exames da 4ª classe como um exame de sapiência, mas admito estar errado, Teté. Por isso, no post que escrevi sobre o assunto pedia aos professores que por cá passam que dessem a sua opinião.
      Quanto ao resto estamos de acordo
      Beijinhos

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  5. As crianças são o que os pais determinam que sejam...
    os pais delas e os pais das outras

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  6. Carlos, está a ser um bocado reaccionário! :-)
    Concordo com quase tudo, à excepção de duas coisas:

    1.ª Os exames da 4.ª classe, sou contra e já expliquei num comentário a um texto seu sobre o tema, porquê: http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2015/05/lembrete-para-antonio-costa.html

    2.ª Transcrevendo uma parte do que escreveu:
    «Têm de ser levadas pelos pais até à porta da escola, para não serem roubadas, abordadas por pedófilos ou traficantes de drogas; ( no meu tempo o Homem do Saco era o mais perigoso obstáculo que tinha de evitar na caminhada que fazia desde a paragem do 15 até à porta de casa ou da escola)».

    Lamento Carlos, mas tem mesmo de ser assim. Como pai de uma criança, é assim que me porto, porque não há outra alternativa. Os perigos que refere são demasiado reais e sérios para serem ignorados.
    No seu tempo a droga à porta das escolas seria quase residual ou mesmo inexistente e a criminalidade não era tão alta. Embora sempre tenham existido pedófilos, as pessoas nessa época não estavam tão alertadas como agora.

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    1. Paulo:
      Não estava a criticar os pais, mas sim a referir-me aos problemas dos tempos actuais. No meu tempo os pais não tinham de se preocupar com os problemas de agora e as crianças podiam ir para a escola de transporte ou a pé sem problemas.
      Nos dias de hoje, se eu tivesse uma criança pequena, obviamente que faria o mesmo que a maioria dos pais ( aqueles que podem) fazem e levá-la-ia à escola.
      Desculpe-me se me expliquei mal.
      Quanto aos exames, eu não tenho uma posição dogmática, mas os argumentos que tenho lido e ouvido contra não me convencem, sinceramente...

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  7. O PAI TIRANO, o melhor filme português de todos os tempos.

    Felizes das crianças que não têm pais tiranos.

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    1. Não digo que seja o melhor filme português de todos os tempos, Ematejoca. Mas lá que é muito bom, é...

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  8. Essa coisa da direita e da esquerda, do reacionarismo e do revolucionarismo, já passaram à História, e são termos já démodés, penso eu, Carlos!
    Eu, politicamente, de direita, estou, TOTALMENTE, de acordo com o seu texto, que considero um dos melhores, que aqui escreveu.

    Os valores estão invertidos, como muito bem refere, e as coisas tendem a agravar-se. Amar um filho, tb, passa por uma palmada, pois então.

    Não sei como serão os futuros governantes, os futuros médicos, os futuros canalizadores, os futuros psicólogos, os futuros comerciantes, os futuros policias, mas fixarão bem longe do satisfatório.

    Parabéns por estas verdades, k me souberam a pouco.

    Boa semana. Beijo!

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    1. Pois é Céu, ficou muito por dizer, eu sei, mas não quis abusar da paciência dos meus leitores.
      Bejinho e boa semana para si também

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  9. Carlos, eu mais uma vez!

    Esqueci-me de lhe dizer k deixei a resposta à pergunta, que formulou, graciosamente, no meu blogue.

    Boa semana!

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  10. A culpa de isso tudo é ... dos psicólogos! Coitadinhas das criancinhas - são intocáveis.... (eu não fui...)

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  11. Carlosamigo

    O outro é que é sempre o culpado. As pessoas deixaram de assumir-se; têm medo, infelizmente. Porque, não tenho dúvidas: por artes do (des)Governo voltou o medo

    Gostei (muito) dos teus dois textos, um cá, outro lá. Mas peço perdão a quem te classificou assim, nem tu nem eu somos reaccionários. Para que conste.

    Na primeira República (de que se tem dito tão mal...) um decreto dos primeiros foi sobre a educação. E dia uma coisa assim (não estou a transcrever, estou a usar a memória que ainda uso ter.... O Estado dá o Ensino e a família dá a Educação,

    Quando a Gracinhamiga diz que A culpa de isso tudo é... dos psicólogos Coitadas das criancinha - são intocáveis,eu também não fui...

    Abç do Pernoca Marota

    Tens de ir ver e comentar um texto que escrevi sobre Cabo Verde e a chuva. Creio que não te arrependerás... Obrigado

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    1. HenriquAmigo
      Não perco nenhum dos teus textos mas, em virtude da sua habitual extensão e riqueza de conteúdos, dou sempre uma primeira leitura e depois releio, antes de comentar.
      Abraço

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  12. Não, não lhe vou chamar reaccionário, Carlos.
    Também tive uma infância como a sua, também eu fui educado com esses valores.
    Mas também compreendo, na sequência do comentário do Paulo Lisboa, que os tempos são outros.
    O grande problema foi ter-se caído no exagero de achar que as crianças podem fazer tudo o que lhes der na real gana.
    Não, não podem.
    É bom que se comecem a habituar a isso porque a resto da vida vai ser assim.

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    1. Também eu fui criada com certos valores, no entanto, como era filha, neta e sobrinha única, fui muito amimada e podia fazer quase tudo que me dava na real gana e afinal não sou nenhum monstro. Tenho apenas uma "personalidade muito forte".

      Os filhos devem ter respeito pelos pais e os pais devem ter respeito pelos filhos. Bater e gritar não é mostrar respeito.

      Na minha opinião, as crianças hoje não são nem piores nem melhores do que as crianças doutros tempos.

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    2. Pois é, Pedro, os exageros dão sempre mau resultado. E quem mais sofre são as crianças porque, ao chegarem a adultos vão confrontar-se com u mundo para o qual não estão preparados.

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    3. Essa da "personalidade forte", cara ematejoca, tem muito que se lhe diga. Aprendi a definição quando estudei psicologia, mas nunca concordei com ela.

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    4. Como nunca gostei de psicologia, já não me lembro o que os psicólogos entendem por "personalidade forte", como também não sei, porque é que o Carlos não concorda com essa definição.

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    5. Uma personalidade forte, em psicologia, é uma pessoa com convicções, obstinada e persistente mas, na linguagem comum, normalmente confunde-se com teimosia. Um exemplo: o nosso pm forma uma opinião sobre determinado assunto e é inflexível, mesmo quando a realidade demonstra que ele está errado. Os seus biógrafos e amigos dizem que ele tem uma personalidade forte mas, na realidade, é apenas um grande teimoso.
      Obviamente não estou a dizer que a minha amiga seja como ele, apenas chamei a atenção para o conceito dúbio de personalidade forte.

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