segunda-feira, 25 de maio de 2015

Espanha em tempo de mudança

Dos resultados das eleições de ontem em Espanha, ressaltam alguns factos interessantes, para além dos que já aqui referi:
- A Espanha mudou. Pode mesmo falar-se de uma revolução, mas não ainda do fim do bipartidarismo. Só as eleições legislativas de Outono poderão confirmar a tendência.
- À direita, não lhe chega vencer as eleições para governar, porque perdeu mais de 2,5 milhões de votos e a esquerda é maioritária em 10 das 13 regiões autónomas.
- O PP apenas terá relativa facilidade em formar governo em Castilla y Leon, La Rioja e Murcia
- O PSOE, apesar de ter perdido mais de 750 mil votos, aproximou-se bastante do PP e pode fazer alianças à esquerda em 8 regiões, incluindo Madrid. 
- Barcelona será governada pela esquerda nascida de movimentos populares, nos barrios, emergindo assim do verdadeiro apoio popular. Será muito interessante analisar o que se irá passar nos próximos meses na Catalunha- e que não deixará de ter reflexos em toda a Espanha.
- Em Madrid, o PP conseguiu vencer por um deputado o movimento Ahora Madrid, que integra o PODEMOS, mas dificilmente formará governo, porque uma aliança do Ahora com o PSOE garante uma maioria confortável. 
- O aparecimento de forças políticas como o PODEMOS e o Ciudadanos não terá sido suficientemente mobilizador, para levar os espanhóis às urnas. Comparando com os resultados de 2011, houve mesmo um ligeiro aumento do número de abstencionistas.
Não é possível projectar o resultado das eleições autonómicas e municipais para as legislativas de Outono, mas há fortes indícios de que numa manhã de segunda feira do próximo mês de Novembro, a Espanha vai acordar ingovernável, se a esquerda não se entender. O PP , mesmo vencendo as legislativas, dificilmente conseguirá formar governo, pois o Ciudadanos não parece ter ainda força suficiente para servir de muleta a Rajoy.

7 comentários:

  1. Como é possível que depois de tudo , a Direita vença no Reino Unido e em Espanha???

    Boa semana, amigo

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  2. Bons ventos de Espanha? A ver vamos...

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  3. Cá a esquerda bem quer imitar esses novos ventos da Grécia e de Espanha, mas o resultado é que se subdividiu em partidozecos, que duvido que venham a ter grande expressão. Estou zangadíssdima com a esquerda portuguesa, que parece ver no PS o seu pior inimigo e assim dá o governo de lambuja à direita. Mongas! :P

    Beijocas

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  4. "Apesar de ter vencido em 10 das 13 regiões autónomas, o PP perdeu mais de 2,5 milhões de votos." " A esquerda é maioritária em 10 das 13 regiões autónomas." Em dois post consecutivos. Assim temos um empate de 23 a 23. Expliquem-me.D'Albano

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    1. Explicações à borrla, não dou. Sugiro que leia outra vez, para ver se percebe.

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    2. Explicações à borrla, não dou. Sugiro que leia outra vez, para ver se percebe.

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  5. Da Espanha esperava um terramoto político, e o que tivemos foi apenas um abanar dos alicerces do sistema partidário. Afinal O PP continua a ser o partido mais votado, mesmo depois de anos de penosa austeridade e o PSOE é a pouca distância, o segundo partido mais votado. É certo que o bipartidarismo sofreu um rude golpe, já que agora temos um «quadripartidarismo». Mas os partidos tradicionais continuam à frente, por isso não diria que se tratou de uma revolução.

    Agora pegando um pouco em partes do seu texto:

    «a esquerda é maioritária em 10 das 13 regiões autónomas».

    Mas não sei se isso por si só chegará à esquerda para governar essas regiões. Na maior parte delas o PP é o partido mais votado e deverá formar governos, embora minoritários. O mais provável é termos eleições antecipadas na maior parte das regiões espanholas.


    «O PSOE, apesar de ter perdido mais de 750 mil votos, aproximou-se bastante do PP e pode fazer alianças à esquerda em 8 regiões, incluindo Madrid.»

    Essa é que é a minha grande dúvida. Não estou a ver o PSOE a coligar-se com o Podemos, sobretudo naquelas regiões onde não é o partido mais votado.

    «O PP, mesmo vencendo as legislativas, dificilmente conseguirá formar governo, pois o Ciudadanos não parece ter ainda força suficiente para servir de muleta a Rajoy».

    Tudo vai depender do n.º de votos e da percentagem do Ciudadanos. A Espanha, se exceptuarmos a Catalunha, o País Basco e a Andaluzia, é um país tradicionalmente de direita. O eleitorado espanhol nunca iria compreender se o PP e o Ciduadanos não se coligassem depois das eleições, se os resultados destas permitissem uma maioria de direita. Penso que quer um quer outro partido, estão conscientes disso.

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