sexta-feira, 29 de maio de 2015

A formiga no carreiro...



Não é novidade nenhuma mas,  em cada comício que faz, Jerónimo de Sousa insiste em atacar o PS e elegê-lo como o inimigo a abater.
Entrevistado na terça feira no Jornal das 8  da TVI,  não rejeitara liminarmente uma aliança com o PS, embora aproveitasse a questão colocada por Judite de Sousa para desancar nos socialistas.
No dia seguinte, na entrevista à RTP, Jerónimo de Sousa foi mais peremptório e deixou ficar claro que o apoio a um governo do PS está fora de causa mas, curiosamente, voltou a apelar à união da esquerda. Sabendo-se que o PCP também não quer alianças com o BE ( embora Catarina Martins tenha manifestado disponibilidade para tal) e que o LIVRE é visto como uma muleta do PS, com que esquerda quer  Jerónimo de Sousa aliar-se?
Tudo como dantes, portanto. 
Antes de prosseguir, devo dizer que tenho um profundo respeito pelo PCP e tenho bons amigos comunistas. Este post não pretende, por isso, atacar o PCP, mas apenas chamar a atenção para o facto de não ter evoluído nem adaptado à realidade.
O PCP sempre preferiu o PSD no governo, pois é um governo de direita que vai alimentando a chama dos militantes em amanhãs que cantam ( salário mínimo de 600€ em 2016, nacionalização de empresas, etc.etc.etc.), por isso, gastou mais tempo nas entrevistas a desancar no PS, do que no governo. 
O PCP sabe muito bem que o PS não é de direita,  mas sabe  que a rejeição liminar de qualquer aliança com o PS  atira os socialistas para a direita, que é o que mais convém ao PCP.
Convencendo os militantes que o PS é um partido de direita, o PCP continuará a poder justificar a sua posição de "orgulhosamente só"  e único detentor da razão e  continuar a alimentar a ilusão nos militantes  e simpatizantes, de que um dia chegará ao poder.  O discurso funciona em tempo de crise e quando a direita está no poder. Por isso, o PCP tem tido um crescimento notável de militantes, entre os quais muitos jovens que acreditam nos amanhãs que cantam. Que daqui a uns anos farão como muitos outros jovens e, desiludidos, abandonarão o partido, porque lhe percebem a estratégia. Infelizmente, alguns acabam nos braços do PS e uns quantos mais nos do PSD.
 Quando o PS está no poder o discurso não funciona de forma tão eficaz e o PCP perde força, por isso, afia as garras contra os socilaistas.
Álvaro Cunhal já tinha percebido que a estratégia estava errada mas, depois da sua morte, os que quiseram seguir um caminho idêntico ao que ele preconizava, foram trucidados. Infelizmente, o meu bom amigo Luís Sá deixou-nos demasiado cedo. Provavelmente, teria sido o único a conseguir mudar o rumo a um partido que continua parado no tempo, que escolhe os inimigos errados e tem um medo imenso do poder, porque...esta não é a sua praia. 





9 comentários:

  1. O ÁLVARO CUNHAL NUNCA APOIARIA um António Costa!!!

    O PARTIDO COMUNISTA NÃO CONTINUA PARADO NO TEMPO e não tem partidários senis como o PS.

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  2. Obviamente que não, mas apesar da provecta idade não era aldrabão nem se comportaria como este jovem senil :
    http://corporacoes.blogspot.com/2015/05/que-grande-mentiroso-que-este-me-saiu.html#.VWcix6Y0qpM.facebook

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    1. A política não é a minha praia, Carlos, por isso não me bata, mas o PS e o seu líder não me convencem. Tudo aquilo que eles dizem é vago e sem consistência.

      Noto com tristeza que os Partidos Socialistas Europeus andam pelas ruas da amargura. Quando olho para a política dos socialistas alemães dá-me vómitos.
      Desde que estão no poder aceitam todas as idiotices que o partido da minha amiga Angie não param de cometer. A minha amiga Angie e o seu gabinete está a precisar de uma sova, mas o anjo Gabriel e a vaquinha Nahles fazem de conta que não é nada com eles, porque são uns oportunistas, uns incompetentes, uns cobardes e não querem abalar a cadeira do poder.

      Como não estou inscrita no Facebook, não posso lá entrar, mas penso que o jovem senil mentiroso é o Jerónimo de Sousa, mas há gente nova e com valor no Partido Comunista.

      Saudações da cidade invicta.

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    2. Não, não é o Jerónimo, é o Bernardino Soares, o tipo que há uns tempos ainda dizia que a Coreia do Norte é uma democracia.

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    3. Algumas precisões.

      1º. O Corporações desvirtua o que Bernardino disse, fazendo uma tempestade num copo de água. Nada do que Bernardino disse sobre a proposta do PS para a Segurança Social é diferente do que é dito num blogue de economistas como o Ladrões de Bicicletas, onde anda muita gente do BE e do Livre.


      2. O que Bernardino disse em tempos ao DN foi que atendendo ao grau da cobertura jornalístca que era feita sobre a Coreia do Norte não tinha a certeza que esta fosse uma democracia. Devia estar calado, pois sabe perfeitamente que aquilo é uma ditadura, mas resolveu chamar ineptamente a atenção para a má cobertura jornalística daquele país não percebendo que ninguém é forçado a perceber ironias, ainda para mais quando estas possam parecer defender o indefensável. Tramado é que Bernadirno tem razão no que disse. Basta atentar nas notícias recentes sobre um tio do querido líder lançado vivo a cães esfomeados, a obrigatoriedade de usar um corte como o de Kim qq coisa, ou um ministro da defesa executado com anti-aéreas por adormcer numa reunião. Tudo notícias falas, plantadas em jornais e referência como o Público, mas obviamente desmentidas no dia seguinte por publicações como o Washington Post.

      3. Bernardino é um excelente presidente de Câmara. Mete a um canto anterior

      4. O PCP não existe para promover o PS. É um outro partido. Não tem nada que apoiar medidas que ache graves, no que faz muito bem.

      5. Já há uns quantos Congressos que o PCP decidiu que deve atacar de modo claro políticas apresentadas pel PS com que manifestamente não concorde. Podendo discordar-se da eficácia estrategica - e eu que sou apenas votante ocasional até discordo - o objectivo foi distanciar a esquerda toda de determinadas medidas, deixando claro junto da população que não se pode culpar por atacado toda esquerda por medidas tomadas pelo PS e que muita esquerda - tipo a que vota na CDU e no BE - nunca na vida aprovaria . Visou deste modo evitar que se diga que é indiferente votar è esquerda ou à direita.

      6ª , Ao contrário do que diz o autor do blogue, nunca a CDU ou o PCP ou o Jerónimo atacaram o BE dizendo que não farão governo com ele. Essa conversa decorre da analfabeta leitura que os apoiantes do PS fazem de que daquela lado nunca virão soluções de governo - o que convém e muito ao PS. A ideia nem é a leitura burra, a ideia é estratégica e passa por retirar CDU e BE da discussão e da ágora política, para poderem continuar a aprovar cenas com CDS e PSD sempre que forem Governo ou, com Vieira da Silva. agravar o código Bagão.

      7º A Comunicação Social hegemónica escreve e pensa em termos de Direita e PS, e objectivamente retira de publicação alternativas que não sejam pouco mais que vira o disco e canta o mesmo, a mais ou menos rotações. Tira sound bites do contexto e agarra-se à irrelevância do discurso dos partidos de esquerda.

      8. obviamente, e já o disseram várias vezes, o PCP irá para o governo se com o BE tiver uma maioria de votos - que ninguém lhe quer dar, e que humildemente Jerónimo tem reconhecido muitas vezes: que assumirão todas as responsabilidades que os eleitores lhes atribuirem. MAis, até irá com o PS se o PS não andar com ideias tristes sobre a TSU e outras do género. Que se insista no contrário aqui, faz parte da estratégia do PS para chegar ao poder e não da realidade. Não lhe peçam é que defenda o programa dos outros exactamente nas partes em que os socialistas desistem de ser socialistas - tipo a segurança social, as hospitalares parcerias com gente como a Mota Engil ou o BES ou o Código de Trabalho.

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  3. Se o Partido Comunista apela a uma união de esquerda, tem que perceber, de uma vez por todas, que o caminho não é hostilizar o Partido Socialista.
    Por outro lado, atirar com o PS para a direita é como num jogo de futebol querer marcar golos sem rematar à baliza.

    Álvaro Cunhal não papava destes grupos. Era puro demais.

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    1. Observador,
      Fala do Álvaro
      o Carlos fala de Luís Sá
      como se os mortos pudessem ser lidos e entendidos
      depois de terem morrido

      Quanto ao PS, há um poema recente de Manuel Alegre que eu cito
      e ele até está vivo

      (ou pelo menos assim parece)

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  4. Concordo a 100%! É uma análise e tanto, está mesmo muito boa. Parabéns!

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    1. O Paulo Contra as Greves Lisboa elogia a análise. Oh, Barbosa de Oliveira, que lindas afinidades electivas. Quem te elogia quando te lê.

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