quarta-feira, 27 de maio de 2015

À atenção dos reformados



Convém lembrar, a propósito da proposta da redução de pensões e dos problemas de sustentabilidade da segurança social, que a  prática  demonstra que tem sido o PSD destruir a segurança social, desviando verbas que lhe estavam afectas. Depois vem o PS tomar medidas que devolvem a sustentabilidade.
Cavaco - que hoje prefere receber a reforma ao vencimento de PR- foi o primeiro a mexer nas verbas da segurança social e a permitir a falcatrua de "comprar" anos de trabalho para a reforma, o que permitiu que muitas pessoas se reformassem mais cedo e sem os anos de serviços exigidos por lei. Valia a pena contabilizar o número de pensionistas que declararam ter começado a dar explicações aos 14, 15 ou 16 anos, para se reformarem mais cedo...
No "dourado" período cavaquista a reforma aos 50 anos tornou-se uma banalidade.
Guterres equilibrou as contas, mas cometeu o erro de continuar a permitir as reformas antecipadas e alterou as regras de contabilização das reformas, permitindo que muita gente se reformasse com o vencimento dos três últimos anos de trabalho.
Quando Durão Barroso se pirou para Bruxelas, deixou a Segurança Social em estado comatoso, porque o desvio das verbas da segurança social para outras finalidades esvaziou os cofres.
No primeiro governo Sócrates, foi Vieira da Silva quem conseguiu finalmente fazer uma reforma decente da segurança social. Foi criticadíssimo, mas as medidas impopulares que então adoptou permitiram garantir a sustentabilidade do sistema durante várias décadas.
O azar dos reformados foi ter chegado ao poder este grupo de bandidos gentinha , para quem os velhos são um estorvo. Para além de porem novos contra velhos, estes energúmenos descapitalizaram novamente a segurança social, com medidas avulsas e sem critério. O corte das pensões e a sobretaxa extraordinária nada vieram resolver, porque o problema estrutural não foi atacado e o que tinha sido feito de bom por Vieira da Silva foi completamente arrasado. Em apenas quatro anos, este governo deu um rombo na segurança social de OITO MIL milhões de euros. É este o resultado da política de terra queimada prosseguida por este governo: menos emprego e mais emigração significa menos contribuições para a segurança social; mais desemprego significa ter de pagar mais subsídios de desemprego. (Embora este governo tenha cortado drasticamente  a atribuição desse subsídio).
O governo teima em prosseguir a sua política de destruição e pretende cortar mais 600 milhões de euros na segurança social, se os portugueses o reelegerem. Isso só será possível com um corte nas pensões de quem trabalhou uma vida inteira. Aqueles que têm reformas de 15 e 20 mil euros por terem trabalhado durante um ano em determinadas empresas públicas, continuarão  a ser protegidos.
Seria bom que em Outubro, na hora de votar, os reformados ( que representam 40% dos eleitores do PSD) se lembrassem que o único partido  que tentou proteger as suas reformas, quando esteve no governo, foi o PS.  O PSD destrói-as e o partido dos pensionistas de Paulo Portas tem um discurso em que os defende, mas na prática apoia o ataque aos reformados a coberto do interesse nacional que, para o CDS, não é mais do que o interesse de Paulo Portas se manter no poder, custe o que custar.


4 comentários:

  1. Excelente crónica, não poderia estar mais de acordo com estas palavras! Já sigo o blog :)

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  2. Carlosamigo

    Eu não diria melhor. Parabéns

    Abç do Pernoca Marota

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  3. Descontando a parte, que até parece propagandista, que puxa os cordelinhos para o PS mas que no fundo é pura verdade, embora na minha opinião a reforma a sério começou no tempo do Guterres, é preciso dizer que toda esta manobra da direita não esconde nada do que pretendem; A privatização pura e dura da Segurança Social à imagem dos grandes grupos Norte Americanos que chulam forte e feio na classe média e onde se pode arranjar grandes tachos para a classe empresarial.
    Viva a democracia do mais forte.
    Social? Que é isso? Isso é demasiado parecido com socialismo e este com comunismo!
    Parece que ainda vivemos no obscurantismo!

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  4. "Valia a pena contabilizar o número de pensionistas que declararam ter começado a dar explicações aos 14, 15 ou 16 anos, para se reformarem mais cedo..."
    O que eu conheci deles!!!!!

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