segunda-feira, 6 de abril de 2015

Caderneta de Cromos (44)




Meu caro Sérgio Sousa Pinto:
Antes de mais  permita-me que lhe enderece os meus sinceros parabéns pela entrada para esta Caderneta de Cromos que, nos últimos quatro anos, estava a ser monopolizada por figuras do governo e apêndices como Isabel Jonet ou o senhor Nobre ( não  o das salsichas, mas sim o Sem Fronteiras).
Eu sei quanto apreciará este serviço que lhe presto pois, ao entrar para esta especializada caderneta gourmet, tiro-o do  estado de inexistência a que injustamente tem estado votado pelos portugueses em geral e pelas repórteres parlamentares em particular.
É um prazer recebê-lo nesta galeria.
Quis o destino, ou a ordem natural das coisas, que lhe tivesse sido atribuído o número 44,  recentemente notabilizado  noutras listas,  por personalidades distintas da vida  portuguesa, como  José Sócrates e D. Manuel Clemente. 
Esta coincidência veio tornar ainda mais difícil a percepção do alvo que alguns comentadores do CR querem atingir quando se referem ao 44, mas creio que esse insólito facto contribui para massajar  ainda mais o seu  desmesurado ego.
Posto isto, permita-me que lhe diga apenas uma coisa: a sua posta no FB sobre Sampaio da Nóvoa não é um vómito. É um escarro! 
Pode Vocelência discordar da candidatura do ex-reitor da Universidade de Lisboa.  Não tem é o direito de o  apoucar  com considerações soezes e desconchavadas.  
Talvez fosse mais do seu agrado a candidatura de pessoas da “sua” esquerda como Maria de Belém, ou António Vitorino, mas nem a esquerda se revê em Maria de Belém, nem António Vitorino é  figura do “tal” aparelho  que você quer ver em Belém. Ou será a sua esquerda a de Jaime Gama? Quiçá mesmo de Marcelo, se por hipótese absurda ele aderisse ao PS.
Teria sido melhor para Sérgio Sousa Pinto manter-se no silêncio de onde apenas sai para intervenções ora patéticas, ora panfletárias. Teria evitado revelar a sua ignorância sobre Mujica. Ele é, apenas, um dos mais conceituados políticos mundiais da recente História Contemporânea. Pela coerência  e valores que defende. 
Será certamente difícil para si - habituado aos círculos lisboetas onde se fomenta  a intriga entre dois goles  de wiiskey  velho e gins marados- compreender que um homem modesto chegue a presidente da república e continue a sua vida modesta. 
Por muito que se esforce, nunca conseguirá proferir um discurso  tão desassombrado, revigorante e inspirador  como o de Mujica na ONU que aqui reproduzo para sua memória.
Eu sei que não se revê nos valores do (Pepe) Mujica. Um presidente que abdica da residência oficial e continua a viver na sua casa de 45 metros quadrados com telhado de zinco,  não é a "sua esquerda". É um demagogo. Um homem que defende um modelo de vida sóbria, desapegado do supérfluo e renitente a comprar todas as novidades que o mercado coloca à sua disposição, não será nunca a sua esquerda. Isso não me surpreende. Eu apenas gostava de saber a posição do seu partido  perante a sua posta. Muito apropriadamente se poderia dizer - como por vias travessas disse António Costa-  que no FB Sérgio Sousa Pinto "arrotou postas de pescada", não se desse o caso de o postador ser apenas um "carapau de corrida". E, ainda por cima, um carapau perdedor!


6 comentários:

  1. Eu não diria melhor, amigo Carlos, e isto só vem provar que as "jotas" só nos dão idiotas (para rimar)...

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  2. É de facto um cromo e daqueles que saem sempre repetidos com outros também repetidos; ninguém os quer para troca.

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  3. Muito bem parabéns estes PSS são só desilusoes.

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  4. Não, esse e outros nunca irão perceber o que é a honestidade e a honradez de caracter de homens como Mujica. São totalmente desprezíveis!

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  5. Meu Caro Carlos,no saquinho das amêndoas doces,há sempre uma outra com o prazo de validade ultrapassado à muito.Para evitar confusões e possíveis bocas de alguns amigos mais "oportunistas",a primeira coisa que fiz,consequência das merdices que O SSP vomitou,foi pedir ao meu barbeiro que desse uma aparadela bem curtinha na minha estimada barbinha.Bem curtinha!(...)

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  6. O artigo é vasto e gostaria de comentar algumas passagens:

    «Posto isto, permita-me que lhe diga apenas uma coisa: a sua posta no FB sobre Sampaio da Nóvoa não é um vómito. É um escarro!
    Pode Vocelência discordar da candidatura do ex-reitor da Universidade de Lisboa. Não tem é o direito de o apoucar com considerações soezes e desconchavadas».

    Sem dúvida!
    Sérgio Sousa Pinto ainda fez uma patética alusão ao facto de Sampaio da Nóvoa nunca ter militado num partido político. Como se isso fosse um atestado de credibilidade e de competência, quando no actual quadro político, até é mais uma qualidade que um defeito.



    «Teria sido melhor para Sérgio Sousa Pinto manter-se no silêncio de onde apenas sai para intervenções ora patéticas, ora panfletárias. Teria evitado revelar a sua ignorância sobre Mujica. Ele é, apenas, um dos mais conceituados políticos mundiais da recente História Contemporânea. Pela coerência e valores que defende».

    José Mujica, é uma pessoa fascinante, com um humanismo fora-de-série.
    Este ex-guerrilheiro marxista e ateu confesso, passou largos anos preso durante o período da ditadura militar no Uruguai. Foi espancado, torturado, perdeu quase todos os dentes devido à pancada que levou no cárcere. Mas numa atitude notável de perdão e até de amor ao próximo, não guardou qualquer tipo de ressentimento ou de rancor para com os seus carcereiros. Louvável!

    «compreender que um homem modesto chegue a presidente da república e continue a sua vida modesta»

    É por causa desta postura modesta, mas coerente de Mujica, que eu censuro a postura espampanante e desastrada de Varoufakis.

    «Eu sei que não se revê nos valores do (Pepe) Mujica. Um presidente que abdica da residência oficial e continua a viver na sua casa de 45 metros quadrados com telhado de zinco, não é a "sua esquerda". É um demagogo. Um homem que defende um modelo de vida sóbria, desapegado do supérfluo e renitente a comprar todas as novidades que o mercado coloca à sua disposição, não será nunca a sua esquerda».

    Acho que nem é tanto uma questão de esquerda/direita, mas sim de coerência e bom senso, que por vezes anda completamente arredada de qualquer dos dois lados.



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