quarta-feira, 18 de março de 2015

Vão trabalhar, malandros!


 O governo fartou-se de despedir funcionários públicos , alegando que havia  gente a  mais a trabalhar no Estado. Rapidamente muitos serviços  caíram num caos jamais visto.  Como sempre, os cidadãos são os mais prejudicados, vendo a sua relação com o Estado deteriorar-se. Esperas prolongadas, atrasos no cumprimento dos deveres do Estado para com os cidadãos  que, não raras vezes, têm resultado em altercações e violência física sobre funcionários de front desk indefesos.
Um dos casos de incumprimento do Estado que nos últimos meses tem sido mais badalado é o das cartas de condução. Há pessoas que esperam mais de um ano pela renovação ( eu tenho sido considerado um sortudo no meu círculo de amigos porque recebi a carta ao fim de nove meses), quando anteriormente o tempo de espera raramente atingia os três meses.
Pode argumentar-se que os condutores não são prejudicados, porque  têm uma guia de substituição. Não é verdade. Quem se quiser ausentar para o estrangeiro, conduzindo uma viatura, terá de adquirir uma carta internacional que custa até 30€. Creio que entre os 280 mil condutores que estão à espera da carta, não serei o único espoliado , por negligência do Estado...
A ressonância do que se está a passar no IMT – há dias em que as filas começam  às duas da manhã-  teve  mais impacto do que outros casos igualmente atentatórios dos direitos dos cidadãos, provocados pelos cortes cegos de pessoal na administração pública. 
Depois de o presidente do IMT vir justificar o atraso com a desculpa esfarrapada de que o atraso se deve, na maioria dos casos, à falta de qualidade das fotografias entregues pelos condutores,  o governo decidiu tomar anunciar  medidas.  Estamos em ano de eleições e é preciso acautelar uma eventual derrota.
Se em alguns casos de que tenho conhecimento, o governo decidiu contratar tarefeiros a empresas de trabalho temporário,  no caso do IMT optou por outra estratégia. Os funcionários passam a ser obrigados a trabalhar ao sábado e, durante a semana, mais do que as oito horas diárias.
 Como os funcionários não se podem recusar a prestar esse trabalho, sob pena de serem alvo de processos disciplinares que poderão culminar em sanções pesadas, pode dizer-se que estamos quase, quase, a regressar à escravatura. é só baixar um bocadinho mais as calças perante as arbitrariedades da governança.

4 comentários:

  1. Nem sei que diga, nem que te conte. Não há dúvida que é uma vergonha o que se está a passar. O serviços públicos estão num caos, mas no IMT já foram ultrapassadas todas as marcas.

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  2. Acho que já contei aqui no meu posto médico, estão a atender pessoas que estavam no desemprego. Tiram-nas durante um ano, (para baixar o desemprego), dão-lhe uma senha de almoço e 80 € por mês e vão percorrendo todos os postos do Concelho, para ir tapando buracos, mas não sabem dar um informação, porque não têm preparação nenhuma sobre o trabalho que têm de fazer. Mas não têm outra hipótese se não aceitar, porque se não o fizerem, deixam de ter qualquer direito, até de voltar para o desemprego. E os bons funcionários da Saúde e da SSocial, foram para a disponibilidade.

    E o pior ainda é que estes funcionários contratados ganham uma miséria, mas o Estado paga uma fortuna a estas firmas parasitas. Ele não quer é ter vínculo com ninguém, nem que as pessoas adquiram direitos.

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  3. Por essas e por outras simplesmente desisti de renovar a minha carta de condução aí de Portugal, Carlos.
    Quando aí for, utilizo uma licença de condução internacional.
    Se algum dia decidir regressar, troco a carta de Macau por uma portuguesa (há reciprocidade porque somos ambos membros da Convenção Internacional Sobre Trânsito Rodoviário).

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  4. «Um dos casos de incumprimento do Estado que nos últimos meses tem sido mais badalado é o das cartas de condução. Há pessoas que esperam mais de um ano pela renovação ( eu tenho sido considerado um sortudo no meu círculo de amigos porque recebi a carta ao fim de nove meses), quando anteriormente o tempo de espera raramente atingia os três meses».

    Considero esta situação simplesmente vergonhosa!
    Na era da informática, do computador e da digitalização etc., uma pessoa demora mais meses a receber uma carta de condução, do que dias a receber o passaporte (6 dias) ou o cartão do cidadão (10 dias).

    Em finais de Outubro mudei de morada e tivesse que mudar de carta de condução, porque a minha carta de condução, ainda é uma daquelas cartas antigas cor de rosa. A funcionária do guichet do IMMT, disse-me olimpicamente que antes de Abril não teria a nova carta. E de facto, ainda não a recebi. Deu-me para a mão um papel a comprovar que alterei a morada, mas que era válido até Abril. Ela depois pensou melhor e riscou esse prazo, e disse-me que o papel seria sem prazo.
    No meio disto ainda tive alguma sorte, porque pude manter a antiga carta rosa enquanto espero pela outra e assim poder guiar no estrangeiro sem precisar de carta de condução internacional.
    Mas volto a dizer a morosidade deste processo é vergonhosa!

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