terça-feira, 24 de março de 2015

Come e Cala

Ainda sou do tempo em que os  depósitos  à ordem nos bancos eram considerados um empréstimo  e,  por isso, o banco remunerava-os pagando juros. Baixos, é certo, mas cumpriam os mínimos de valorização do empréstimo.
Com o decorrer dos  anos esse pequeno juro passou a ser parcialmente comido pela cobrança de uma taxa de manutenção da conta.
Os governos pouco ou nada fizeram para garantir que as taxas  sobre os depósitos à ordem se mantivessem a um nível razoável. Pelo contrário, fecharam os olhos e  permitiram que  fossem crescendo de forma lenta.
Agora, perdida a vergonha e com o freio nos dentes, os bancos aumentaram desmesuradamente essas taxas ( nalguns casos os aumentos chegam a 200%) o que em muitos casos significa que o dinheiro depositado à ordem  deixou de ser considerado um empréstimo, para passar a ser visto  como um  serviço que os bancos prestam aos depositantes. 
Em termos práticos, os  depósitos à ordem  passam a ser extorquidos  aos depositantes, graças a taxas  e taxinhas. Apesar de serem verdadeiros roubos,  em nada preocupam  Pires de Lima. O ministro da economia  limita-se a manifestar  incómodo com a taxa de 1 € que António Costa quer cobrar aos turistas que cheguem a Lisboa, prática já seguida em muitas cidades do mundo e cuja justiça já aqui defendi. 
O governo está, pois, mais preocupado com os turistas do que com os portugueses e a sua reacção ao aumento das taxas sobre depósitos  reduziu-se a um mero encolher de ombros, sinónimo da expressão “ é o mercado a funcionar”.
Já fomos obrigados a pagar as vigarices de Oliveira e Costa no BPN  e os lucros das acções do dr. Cavaco. Vamos ser obrigados a pagar as vigarices de Ricardo Salgado no BES e, se algum outro banco falir, continuará a ser o tuga a receber a conta e a nota de encargos. Nem o governo reage, nem a justiça actua, apesar de as vigarices serem visíveis e confirmadas por auditorias independentes.  O tuga  "Come  e Cala". 
Um dia destes talvez acorde e dê uns coices mas, se esse dia chegar, será demasiado tarde. As  contas estarão no zero,  os cofres dos bancos vazios e banqueiros e os governantes responsáveis por este regabofe  estarão a gozar a reforma com o guito que avisadamente depositaram em off shores, a conselho dos banqueiros. Livre de impostos e a coberto de quaisquer  incómodos.

8 comentários:

  1. Qualquer dia ainda pagamos para nos receberem o dinheiro...

    Onde irá isto parar?!

    Amigo, boa semana

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    1. Nós já pagamos para ter lá o dinheiro.

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    2. «Nós já pagamos para ter lá o dinheiro».

      Sem dúvida! Basta dar uma olhadela nos extractos bancários para ver o seguinte:
      - Despesas de manutenção.
      - Imposto de selo.
      - Imposto sobre juros de depósitos a prazo (para quem tenha).

      Na prática já se paga para ter o dinheiro nos bancos.

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  2. Carlosamigo

    A Sãozitamiga esgotou o assunto: disse tudo.

    Abç & qjs para ela

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  3. COMO SEMPRE UM ARTIGO FANTÁSTICO. PARA UM ARTIGO FANTÁSTICO UM GRUPOhttps://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=cgJRlu3ws3w

    DE MULHERES RUSSAS LINDAS E CULTAI. Espero que goste

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  4. Grande parte das comissões que os bancos cobram não têm qualquer justificação.

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  5. O que era suposto era o Banco guardar as poupanças dos clientes, investir essas poupanças, remunerar os clientes que lhe tinham confiado o dinheiro para ser investido.
    Parece que este paradigma mudou muito......

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  6. Também sou do tempo em que as contas à ordem davam juros, pequeninos mas davam. E não foi assim há tanto tempo. Abri a minha primeira conta bancária pela mão do meu pai em 1989 e na altura havia de facto juros. Mas agora nicles!

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