terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Polícias e ladrões

A actuação da justiça no caso dos vistos gold e no processo Sócrates dá-nos sobejas razões para ter medo. Pior do que  viver numa democracia podre é viver num Estado justicialista.
É para aí que caminhamos quando:
- juizes declaram que as suas sentenças foram mais pesadas, para não criar na opinião pública uma ideia de laxismo;
- um juiz ordena a prisão preventiva de um alto funcionário do Estado, porque é acusado de ter recebido um telefonema a pedir para agilizar um processo;
- a justiça arquiva um processo ( caso dos submarinos) mas deixa bem claro no despacho que tem fundadas suspeitas de que um membro do governo é culpado;
- os juízes se escondem atrás de jornalistas para veicular opiniões susceptíveis de intoxicar a opinião pública e a influenciar a favor das suas decisões;
- os agentes da justiça perdem todo o pudor e manifestam a sua parcialidade através de actos e omissões.
Não quero ser governado por juízes. Tenho medo.Prefiro ser governado por ladrões, porque é mais fácil defender-me deles.

7 comentários:

  1. Há um problema que me tem apoquentado e gostaria de ver discutido na sociedade portuguesa:
    Sendo que os poderes legislativo e executivo são exercidos em nome do povo que escolhe os seus representantes em eleições democráticas, em que se baseia a legitimidade democrática do poder judicial que também é exercido em nome do povo? Basta uma licenciatura em direito, um curso de formação específico e já está feito um cidadão para aplicar a justiça em nome do povo? A aplicação do direito é uma operação meramente 'técnica' (poderia assim ser entregue a máquinas), ou é obviamente enformada também por valores éticos, políticos, culturais, religiosos, etc.?

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  2. Partilho tudo quanto dizes e as preocupações de Anónimo !


    E que disparate é agora este de um subsídio para exclusividade dos juízes?! Podem exercer funções sem ser no Estado? ! Nos médicos , percebe-se, mas aqui não!!
    Bom Dia de Reis, amigo.

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  3. Com tanta legislação já estou baralhada e tenho de ir confirmar. E os subsídios especiais que eles tinham? Até quando eram transferidos, mesmo que fossem marido e mulher, recebiam o subsídio para habitação a dobrar, se fosse os dois juízes, mesmo que a casa fosse só uma. basta pensar que a segunda figura do Estado é uma reformada dourada e oxigenada desde os quarenta e tal anos, além das mordomias. sem falar num presidente reformado que optou pela reforma por ser maior que o ordenado. Isso ele nunca perdoará ao Sócrates.

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  4. As referências que o Carlos (não, não é o super juiz) faz às atitudes da malta que diz mandar nisto, assustam-me. E sendo verdades acumuladas, remetem-me para um cenário de bandalheira quase colectiva.
    Vários pesos e várias medidas. Assim não vale. Vão brincar à justiça para outro bairro e com outros meninos.

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  5. Os juízes aplicam a lei dentro dos processos que lhes são distribuídos e as suas decisões podem ser objecto de recurso (s).

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  6. Penso ser preciso respeito também por quem se mantém neutro, o que não significa que não se apoie uma determinada causa. Não é preciso ter votado em Sócrates ou ser do partido para denunciar a obscenidade e o modus operandi da justiça neste caso específico. É por isso que esta isenção pode valer-lhe antipatias da parte dos apoiantes de Sócrates mas é a mais honesta e admirável Penso ser preciso respeito também por quem se mantém neutro, o que não significa que não se apoie uma determinada causa. Não é preciso ter votado em Sócrates ou ser do partido para denunciar a obscenidade e o modus operandi da justiça neste caso específico. É por isso que esta isenção pode valer-lhe antipatias da parte dos apoiantes de Sócrates mas é a mais honesta e admirável

    http://transparente.blogs.sapo.pt/jose-socrates-ou-carlos-alexandre-cara-33565

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  7. "Não quero ser governado por juízes. Tenho medo.Prefiro ser governado por ladrões, porque é mais fácil defender-me deles." - é isso mesmo, Carlos. Já chegámos a isso...

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