sábado, 10 de janeiro de 2015

Bibó Porto (32): um anel de rubi




"Mesmo sabendo que não gostavas 
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto que havia no Rivoli"



O velho Rivoli


Bem no coração da cidade, entre a Avenida dos Aliados e a Rua Sá da Bandeira,  está situado  um dos edifícios culturais  da cidade do Porto, mais conhecidos dos portugueses.
Imortalizado nas palavras de Carlos Tê,  cantadas por Rui Veloso, o  cine teatro Rivoli é o palco onde decorre o concerto da canção Anel de Rubi ( resumidamente a história de um tanso que empenha um anel para levar a namorada a um concerto e ao fim de meia hora ela pisga-se e deixa-o a cantar sozinho) 
Inaugurado em 1913 com o nome de Teatro Nacional,  passa a sala multiusos 10 anos mais tarde exibindo, além de teatro, cinema dança, ópera e, claro, concertos musicais.
Durante  décadas “o Rivoli”  foi uma sala de referência, mas  no início da década de 70 a sua decadência era bem visível. O edifício deteriorou-se, o equipamento tornou-se obsoleto, a  programação passou a ser descontinuada e o público foi-se afastando. Em 1989 a câmara municipal do Porto acabou por o adquirir mas, três anos mais tarde  “o Rivoli” viria mesmo a encerrar as suas portas. 



O Rivoli actual 


Reabriria em 1997 como espaço multifuncional  com dois auditórios e um café concerto restaurante.  
Em 2006, Rui Rio  decidiu entregar a gestão do espaço a privados, o que levantou alguma contestação, mas a ideia acabou por avançar, tendo o Rivoli sido concessionado a Filipe La Féria no ano seguinte. Em muito má hora, como hoje é possível constatar, devido ao estado em que  Filipe La Feria o deixou. Algumas providências cautelares e processos judiciais depois, a câmara voltou a receber o Rivoli em 2011.
Em 2014, a equipa de Rui Moreira procurou revitalizar o espaço com o programa O Rivoli Já Dança  que decorreu durante o último trimestre do ano. 
O seu futuro é uma incógnita mas o novo director artístico, Tiago Guedes, está apostado em transformar o Rivoli de espaço de barriga de aluguer, para um espaço com programação e identidade própria.
Não será certamente uma tarefa fácil. Numa cidade que viu multiplicar os espaços culturais , mas não criou público suficiente para os frequentar, o Rivoli é uma espécie de elefante branco na cidade. Pelas suas dimensões, pela dificuldade em garantir uma programação permanente e pela falta de público.
Aconselho os leitores a fazerem uma visita ao Rivoli. Seja qual for o seu futuro, ficará eternamente ligado à história da cidade.

3 comentários:

  1. O Porto é de facto, uma grande lacuna da minha parte...pouco ou nada conheço!
    Bom fim de semana:-))

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  2. Sem dúvida, um dos edifícios de maior referência da Cidade do Porto !

    "o Rivoli é uma espécie de elefante branco na cidade. Pelas suas dimensões, pela dificuldade em garantir uma programação permanente e pela falta de público."

    ... e é pena ver este espaço desperdiçado, por estes motivos ! :((

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  3. O Rivoli é um edifício muito bonito. Pela arquitectura, pensava até que era um edifício dos anos 50 ou quanto muito anos dos anos 30, pela sua estética «art deco», mas qual o meu espanto quando o Carlos diz que abriu portas ao público em 1913!!! Na altura deve ter sido um edifício muito futurista e de vanguarda.
    Reparei que entre a fotografia de 1913 e a actual, é notória a modificação da fachada, o edifício está mais alto e tem um baixo relevo. Quanto a mim até está melhor.

    «O Rivoli é uma espécie de elefante branco na cidade. Pelas suas dimensões, pela dificuldade em garantir uma programação permanente e pela falta de público.»

    E é pena que assim seja, provavelmente vai-lhe acontecer o mesmo que aconteceu ao Condes e ao Império em Lisboa. Pode vir a servir para outra coisa qualquer, mas acima de tudo o que é importante é manter este edifício de pé, porque é património da cidade do Porto.

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