quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A estratégia de António Costa

Começa a ficar clara a estratégia de António Costa. No último dia do ano foi visitar Sócrates para cumprir uma obrigação e livrar-se de vez de perguntas incómodas. Arrumado o assunto, com uma declaração de circunstância ao estilo " com um simples vestido preto nunca me comprometo"  o líder do PS passou à fase seguinte: marcar a agenda logo no princípio do ano. A ronda pelos partidos teve um significado claro. Marcar uma posição e obrigá-los a dizerem ao que vêm e o que querem em termos de alianças pós eleitorais. 
Logo após o primeiro encontro ( com o PSD) deve ter esboçado um sorriso de orelha a orelha.
Palpita-me que nos próximos meses a estratégia de Costa continuará a ser a de criar brechas na coligação, pondo a nú as divergências entre  Pedro e Paulo. Fará orelhas moucas aos que lhe pedem para abrir o jogo. Fará muito bem. Se os partidos do governo não avançaram ainda com propostas, nada obriga o PS a exibir os seus trunfos. 
Costa é um estratega nato e vai provocar muitos estragos nos próximos meses, irritando os comentadores do regime que diariamente o acusam na comunicação social de não ter estratégia. Insistir nessa tecla será o maior erro dos partidos do governo. Como a seu tempo se verá. 

6 comentários:

  1. Totalmente de acordo.
    Já o disse em comentários: Costa caça moscas com açúcar e não com vinagre.
    Vai marcando posição dando umas bicadas aqui e ali sem abrir o jogo todo e conhecer bem, para não ir no engano, o jogo definitivo do adversário.
    Para já não abdica, e vai insistindo nesse objectivo, da maioria absoluta. Vai criando e alimentando essa ideia como uma necessidade imprescindível, como realmente é, para que um futuro governo possa aplicar uma mudança de pensamento e governação mais social-liberal contra a corrente actual do amanhanço-neoliberalista à portuguesa.

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  2. É isso mesmo. Ele sabe muito bem o que há-de fazer. Como e quando...

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  3. Imagine-se o que poderá acontecer, se a uma coligação em farrapos se adicionar os estragos que Costa irá causar.

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  4. «Se os partidos do governo não avançaram ainda com propostas, nada obriga o PS a exibir os seus trunfos».

    Em parte pode ser verdade. Mas se o PS quer chegar ao poder tem de mostrar serviço e vincar as suas diferenças relativamente à coligação. A estratégia de não mexer uma palha e esperar que o poder caia-lhe ao colo, pode não ser a melhor.

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  5. E fica toda a gente muda, Carlos??
    Lá vou eu outra vez para a praia no dia das eleições.
    É que, virem com propostas à última hora, deixa um intenso cheiro a esturro.

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