terça-feira, 30 de dezembro de 2014

E se o Syriza ganhar?

Uma vitória do Syriza  com maioria absoluta, nas eleições de 25 de Janeiro na Grécia ( ou, no mínimo, a possibilidade de formar um governo estável) seria extremamente vantajosa para clarificar muitas questões que se colocam em torno do futuro europeu e, muito particularmente, para Portugal e Espanha que terão eleições legislativas em 2015.
Um governo do Syriza permitiria saber se os programas da extrema esquerda são viáveis neste modelo europeu. No caso de os primeiros meses correrem bem, Atenas conseguir inverter o desvario austeritário de Merkel e seus pares, impondo uma renegociação/ reestruturação da dívida, a discussão da sustentabilidade das dívidas soberanas, o alívio das medidas de austeridade (mais equitativas e racionais) e, principalmente, um investimento centrado em políticas de crescimento, os eleitores portugueses serão tentados a votar mais à esquerda e António Costa, vencendo as eleições, terá mais argumentos para impor uma coligação à esquerda.
Se o Syriza falhar -seja por força de um recuo nas suas linhas programáticas,aliás já visível, seja porque Merkel e Bruxelas se mostrem inflexíveis para fazer cedências - concluir-se-á, então, que os programas de esquerda são inviáveis no panorama europeu actual. Isso significaria o fim da extrema-esquerda europeia? Nem por isso. Mas seria um forte abalo...
Não tenho quaisquer dúvidas que Merkel tentará fazer vergar um governo do Syriza mas, se  chegar ao limite, isolando a Grécia e deixando-a cair, a Europa irá pagar um preço muito elevado e colocará em risco o seu futuro.
O ano de 2015 poderá ser de clarificação, mas também o fim da esperança sobre o futuro da Europa. Janeiro  será um mês de grande importância, pois o que se passar na Grécia não deixará de ter implicações ao longo do ano em toda a Europa. 

4 comentários:

  1. Tenho para mim que qualquer projecto sério e feito por gente séria 'tem pernas para andar'.
    Quanto à Grécia, ou consegue levantar-se e dar um 'estalo' nas 'Merkelmanias' ou ficará encurralada.
    A Europa que se diz unida tem uma palavra a dizer, sem demora.

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  2. «E se o Syriza ganhar? »

    Quanto a mim vai passar-se o seguinte e não passa de uma previsão:
    Vamos ter uma espécie de governação à PT (brasileiro). Ou seja, há uns anos o Syriza dizia que era pela saída do euro e pelo regresso ao dracma, como viu que isso não dava votos e era impopular até na Grécia, fez marcha atrás e já é pelo euro.
    Agora diz que é pela renegociação da dívida e contra a austeridade. Mas aposto que se chegar ao poder e vendo as coisas realisticamente, mete essa renegociação no saco e apenas atenuará a austeridade sob forma de uma governação mais ou menos social democrata e disso não passará.

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