sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Passos Coelho, o Espírito Santo e a sombra de Cavaco ( actualizado)

Confirma-se que o Espírito Santo foi uma destas noites a Massamá para avivar a memória do primeiro-ministro.
Hoje, na AR, afirmou que nunca recebeu nada da Tecnoforma. Ou seja, recordou-se finalmente daquilo que até hoje garantia não ter memória.  
O Espírito Santo foi mais longe quando desceu a Massamá. Lembrou  a Passos Coelho que o dinheiro recebido afinal correspondia a despesas de representação. Ora bolas! Isto até eu era capaz de dizer ao senhor pm, não era preciso vir o Espírito Santo avivar-lhe a memória.
É claro que ficam por esclarecer  as  declarações de responsáveis da Tecnoforma que iam em sentido contrário, mas isso, a Tecnoforma promete explicar ainda hoje.
É óbvio que o facto de alegar ter  apenas recebido despesas de representação em nada contribui para o apuramento da verdade. Entre outrascoisas, continua por explicar:
- quanto recebeu em despesas de representação? É que há um limite para essas despesas...
- porque não declarou essa verbas quando fez o requerimento?
- qual a compatibilidade dos montantes recebidos com o regime de exclusividade?
- como é que não se recordando de nada há uma semana, se conseguiu agora lembrar de tantos pormenores? (Ah, já me esquecia do Espírito Santo!!!)
Como continuam por esclarecer muitos outros aspectos que, deliberadamente, PPC não quer esclarecer.
Do que PPC não se esqueceu foi de mandar uma bicada a Sócrates, com insinuações torpes ao processo "Freeport".
Só faltou a PPC dizer  que era preciso alguém nascer duas vezes para ser tão honesto como ele, mas isso era fazer concorrência a Cavaco.
Até agora continua tudo por esclarecer. Por muitas palmas e urros que a jagunçada da maioria lance nas bancadas, as dúvidas permanecem.

( Em actualização)

Confrontado  por Catarina Martins sobre a evidência de, à época, ser normal atribuir despesas de representação para fugir aos impostos, PPC passou a referir-se a reembolsos, em vez de despesas de representação, para justificar as verbas recebidas da "filial" da Tecnoforma.
As dúvidas ainda se tornaram mais evidentes depois desta alteração terminológica introduzida por PPC, mas uma coisa parece certa: Passos Coelho está apostado em demonstrar que trabalhou à borla durante três anos para "abrir portas".  
Acreditemos na bondade de PPC, mas ele deve ter sido o único porteiro, em todo o mundo, que nunca recebeu uma gorjeta!

3 comentários:

  1. Passos Coelho demonstrou muito nervosismo e alguma incoerência.
    Não respondeu ao essencial, na circunstância, a Catarina Martins: quanto recebeu? Fugiu à resposta e deixou a pergunta sem resposta.
    Este Coelho é um porteiro benemérito.

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  2. Na época em que Passos foi deputado e acumulou com trabalho na Tecnoforma, havia dois tipos de despesas de representação: as que eram pagas contra apresentação de documentos comprovativos das despesas efectivamente feitas, e que estavam isentas de IRS, e as que eram pagas sem que houvesse, de facto, nenhuma despesa efectuada. Neste último caso, e até 1998, era obrigatório o pagamento de IRS. A partir de 1998, além do IRS, passou a ser igualmente obrigatório o pagamento da contribuição para a Segurança Social.

    Sei do que falo, porque entre 1986 e 2002, trabalhei numa empresa onde recebia, a título de despesas de representação, 30% do vencimento base, que não era senão a forma que a entidade patronal tinha de me pagar mais, sem ter de descontar (até 1998) 23,75% para a Segurança Social.

    Todas as outras despesas que eu fazia efectivamente ao serviço da empresa (refeições, transportes, hotéis, etc.), eram suportadas pelas respectivas facturas, pelo que não havia contribuições a pagar.

    E não colhe usar o argumento de que utilizava um cartão de crédito da firma. Também neste caso, ou as despesas foram efectuadas realmente ao serviço da empresa, com facturas em nome, e com o NIF da Tecnoforma (embora também aqui fosse possível aldrabar o fisco), ou era devido o pagamento das contribuições acima citadas.

    O que me surpreende é que os assessores de imprensa vão vomitando estas teses, e que os jornalistas as engulam sem averiguar nada. E, ao que parece, a oposição também parece não o saber. A menos que se esteja a guardar para momento mais oportuno.

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  3. Mandar bicadas ao Sócrates é o que eles mais gostam de fazer. Passarões!!

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