quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Paulo Portas e o camionista da Joaquina



Há tempos, a imprensa dava notícia de uma prostituta de estrada que apresentou queixa por ter sido violada por um camionista. 
Disse Joaquina  (chamemos-lhe  assim) em tribunal que andava na profissão há anos, mas só trabalhava com beijinhos. Deixava que os camionistas lhe apalpassem as mamas, mas  não permitia que lhe tocassem nas partes iíntimas. 
Haveria de confessar, posteriormente, que abria excepção para dois ou três clientes antigos que já considerava amigos e por quem nutria alguma afeição. Decidiu apresentar queixa porque o camionista, que já requisitara os seus serviços um par de vezes, avançou sem autorização sobre as partes íntimas. Joaquina ainda terá proposto perdoar a violação das regras, mediante o pagamento de uma taxa suplementar de 20€. "Preço de amigo"- garantiu -  porque para avanços do género os seus honorários seriam pelo menos o dobro. Perante a intransigência do camionista, decidiu apresentar queixa, por ter sido vítima de violação embora- admitiu- o desempenho do camionista não lhe tenha desagradado.

Lembrei-me desta história ontem à noite, depois de ouvir o comunicado  do conselho de ministros - onde esteve presente o defensor do contribuinte, aproveitando uma escala de algumas horas em Lisboa. Nesse comunicado,  o governo anunciava que, "por agora, não haverá recurso a qualquer alteração de natureza fiscal".
Aquele "por agora" é todo um programa. Significa que, no OE para 2015, lá virá mais um aumentozinho de impostos. O Portas, defensor dos contribuintes, aparecerá nos ecrãs  com aquele ar de puta violada por um camionista, a garantir: se não fosse eu, o aumento seria muito maior!.  
Tal como a Joaquina, Portas deixou-se violar naquilo que sempre garantiu serem os seus princípios sagrados, mas até não estará a desgostar, porque o gabinete  com vista para o Jardim Zoológico e as cosntantes viagens são um preço justo para a violação da sua dignidade. Em virtude disso, não vai apresentar queixa.
O funcionário público, o pensionista e os trabalhadores em geral, continuarão a pagar, sem grande resistência, os submarinos, as viagens do dr. Portas e do senhor Aníbal, os estudos encomendados pelos ministros aos amigos e o posto de trabalho de uma catrefada de inúteis engravatados que se passeiam pelos gabinetes ministeriais ostentando o título de especialistas e assessores, mas não são especialistas de coisa nenhuma e a única assessoria que fizeram na vida, foi abrir a porta do carro (oficial) ao ministro.
Sinto-me, como a Joaquina, vítima de violação. O problema é que não tenho a quem apresentar queixa porque, em democracia, os violadores só podem ser punidos nas urnas. Não sei é se os meus compatriotas estarão dispostos a servir de testemunhas.

4 comentários:

  1. Acho que podemos ser todos, vá lá quase todos, queixosos!

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  2. O Portas faz lembrar a puta virgem, Carlos :))
    Mas, com a ajuda preciosa de um PS à deriva, vai mantendo a perna aberta.

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